A gestação, por si só, é uma fase em que ocorrem muitas mudanças na vida da mulher, sejam elas físicas, hormonais ou emocionais. Um misto de sentimentos toma conta com o sonho de ver o rostinho do filho e a expectativa de como será o momento do nascimento.
Essas alterações podem ser gatilhos para a depressão pós-parto, uma condição que afeta as mulheres logo após dar à luz. O assunto ainda é tabu, o que infelizmente silencia muitas mães e seus sentimentos.
Segundo um estudo do The Journal of Perinatal Education, mais da metade das mulheres com essa condição não são diagnosticadas, pois não revelam como estão se sentindo para o médico ou familiares próximos, incluindo o cônjuge.
A vergonha por sentir sintomas contrários ao que se espera é um dos principais motivos para que muitas mães fiquem em silêncio, ainda segundo o estudo. Porém, é justamente o diálogo, a troca e a ajuda terapêutica que ajudam a entender e superar a tristeza materna.
Neste artigo explicamos como reconhecer a condição, as causas, os sintomas e como o diagnóstico e tratamento são feitos, além de dicas para prevenir a depressão pós-parto.
Boa leitura!
Como reconhecer a depressão pós-parto?
A depressão pós-parto é um conjunto de sinais e sintomas que ocorrem logo após o parto, como alterações no humor, crises de choro e sensação de tristeza, o que deixa muitas mães confusas sobre o que está acontecendo. Geralmente, é detectada entre 2 e 6 semanas após o nascimento e pode durar até 2 anos.
Na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID), a depressão pós-parto recebe o código F53, que categoriza os “transtornos mentais e comportamentais associados ao puerpério, não classificados em outra parte”.
Essa condição atinge cerca de 1 em cada 4 mulheres, no período de seis a 18 meses pós-parto, conforme o estudo ‘Factors associated with postpartum depressive symptomatology in Brazil: The Birth in Brazil National Research Study, 2011/2012’. Isso representa um total de 25% no surgimento dos sintomas após o nascimento dos bebês.
E não pensem que essa condição afeta só as mulheres, os homens também podem sofrer de depressão pós-parto. Em números menores de prevalência, eles apresentam sintomas de ansiedade, por exemplo, envolvendo como irão proporcionar uma boa vida para o bebê e o aumento das responsabilidades.
O que desencadeia a depressão pós-parto?
As causas da depressão pós-parto não são bem definidas, mas acredita-se que as grandes alterações hormonais que acontecem no corpo da mulher são um dos fatores que predispõem para ocorrer essa condição.
Os níveis de estrogênio e progesterona aumentam bastante durante toda a gestação e, logo após o parto, esses níveis caem rapidamente e baixam gradativamente até chegar aos níveis originais de antes da gravidez.
Outro fator que pode contribuir é o emocional, visto que, após o parto, a mulher pode se sentir mais cansada.
A privação de sono também pode interferir nesse processo de recuperação, ainda mais quando associada à cesariana. A baixa autoestima e a sensação de se sentir menos atraente igualmente impactam.
O histórico de saúde da paciente pode influenciar para ocorrer o quadro clínico de depressão pós-parto, como episódios anteriores de ansiedade, depressão e outros transtornos psiquiátricos.
O isolamento logo após o parto, a falta de apoio da família e do parceiro, as preocupações com o futuro e afins podem levar ao surgimento dos sintomas, entre outras causas.
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Como os sintomas de depressão pós-parto se manifestam?
Os principais sintomas de depressão pós-parto que as mulheres apresentam são:
- tristeza;
- irritação;
- cansaço;
- ansiedade;
- excesso de preocupação;
- desmotivação;
- distúrbios do sono;
- perda e ganho de peso;
- falta de vontade de realizar atividades;
- choro fácil;
- sentimento de culpa;
- baixa autoestima.
Ao perceber esses sintomas, o recomendado é procurar ajuda profissional. Conversar com o ginecologista, ou mesmo a pediatra da criança, pode ser um ponto de partida para ser encaminhada a um médico especializado.
Outro estímulo essencial é ter o apoio de uma pessoa próxima durante as consultas, seja familiar ou companheiro, além de reforçar a autoconfiança e escolher um profissional confiável.
O tratamento tem mais chances de sucesso se a mãe se sentir à vontade com os médicos e os mesmos demonstrarem empatia durante essa fase.
Quais são os três tipos de depressão pós-parto?
A depressão pós-parto é uma condição específica e não é dividida em tipos. Porém, após o nascimento do bebê, a mulher pode passar por uma das três condições clínicas a seguir:
Tristeza materna
A tristeza materna, ou baby blues, se manifesta por meio de alterações de humor e emocionais depois da mulher dar à luz e pode se estender por algumas semanas. A duração desse quadro é mais curta.
Depressão pós-parto
Na depressão pós-parto, a mãe sente uma sensação de tristeza e desamparo mais intensa e a condição pode afetá-la por mais tempo que a tristeza materna.
Psicose pós-parto
A psicose pós-parto é uma condição rara que se caracteriza pela preocupação excessiva com os cuidados em relação ao bem-estar do bebê. Alucinações, delírios e desprezo pelo filho são alguns sintomas.
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Qual a diferença entre depressão pós-parto de baby blues?
Na depressão pós-parto, os sintomas são mais intensos e duram por semanas, podendo chegar até meses e se estender por anos.
No baby blues (ou tristeza materna), os sintomas costumam durar de 10 a 15 dias e são caracterizados por:
- mudança hormonal;
- parto mais difícil;
- mudança de humor;
- dificuldade de amamentar;
- privação de sono;
- alguma intercorrência que possa ter acontecido com a mãe ou com o bebê.
Os sintomas tendem a melhorar quando a mãe descansa, consegue ter algumas horas de sono e se alimenta bem, ou seja, podem desaparecer sozinhos ou por ser algo transitório.
É importante que a família e o companheiro ofereçam um bom suporte, que a mãe tenha com quem conversar e dividir suas angústias, que obtenha ajuda se tiver alguma dificuldade com a amamentação e mantenha uma alimentação saudável.
Se os sintomas persistirem e não apresentarem melhora após três semanas, busque ajuda médica, para que logo esses sinais sejam tratados e que a mãe e o bebê permaneçam bem.
Como é feito o diagnóstico e tratamento?
O diagnóstico é feito baseado na história clínica da paciente, identificando os sinais e sintomas, o tempo que se manifesta e os relatos de familiares próximos.
O médico irá recomendar o melhor tratamento a ser seguido, dependendo de como a paciente se encontra. Na maioria das vezes, pode ser feito um acompanhamento com psicólogos, visando melhorar os sinais e sintomas de depressão.
Pode ser feita a prescrição de medicações e a implementação de estratégias que visem garantir a saúde da mãe e do bebê, visto que, muitas vezes, essa condição clínica pode afetar o vínculo com o recém-nascido e seu desenvolvimento.
Isso porque existe a possibilidade da mãe amamentar menos ou não conseguir cumprir com as rotinas de saúde do bebê.
Dito isso, é muito importante ter atenção aos sinais e sintomas que a recém-parturiente possa apresentar. Não hesite em buscar ajuda médica, pois quanto antes identificada e tratada, torna-se melhor para a saúde da mãe e do bebê.
O que fazer para não entrar em depressão pós-parto?
Infelizmente, não há como garantir que uma mulher vá ou não experienciar a depressão pós-parto. Porém, alguns cuidados durante a gravidez podem ajudar a manter a saúde física e mental nessa fase de tantas mudanças. Confira algumas dicas que podem auxiliar.
1. Ter uma dieta saudável e equilibrada
A alimentação é fonte de nutrientes essenciais que contribuem para a saúde da mãe e para o desenvolvimento do bebê. Ao longo da gestação, sintomas como azia, enjoo e sensação de estômago cheio, mesmo comendo pouco, podem acontecer.
Por isso, ter uma dieta saudável e equilibrada é vital para evitar os alimentos que desencadeiam esses desconfortos e aprender a fracionar as refeições para garantir a ingestão de todos os elementos necessários.
Evite frituras, alimentos e pratos ricos em açúcar, produtos industrializados e embutidos. Consuma mais alimentos in natura, faça cozimento a vapor e prepare carnes grelhadas.
Uma nutricionista pode orientar essa etapa, criando um cardápio rico em vitaminas e nutrientes essenciais.
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2. Pratique exercícios físicos
Os exercícios físicos na gestação auxiliam não só o bom funcionamento do corpo, mas também a mente, o que pode ajudar a lidar com os desafios e evitar a depressão pós-parto.
A gravidez vai exigir algumas adaptações no tipo de modalidade que pode ser praticada. Caso a mulher não tenha nenhum problema, como gestação de alto risco, a frequência e o ritmo dos exercícios podem se adaptar conforme a fase da gestação.
No pós-parto, após o período de resguardo nos primeiros meses, retornar às atividades, fazendo exercício em casa mesmo, contribui para equilibrar as emoções e aliviar as tensões.
Lembrando que é essencial ter o aval do médico, que pode ajudar a escolher o melhor tipo de exercício e quando reduzir cargas, por exemplo.
3. Fazer pré-natal psicológico
O pré-natal psicológico (PNP) é uma prática complementar ao pré-natal tradicional. Nesse acompanhamento, a mulher participa de grupos psicoeducativos, junto com o companheiro e sua rede de apoio, para conversar sobre gestação, parto e pós-parto.
O objetivo é que todos os envolvidos, especialmente a futura mãe, tenham suporte socioemocional, informações sobre o período gestacional e instruções para lidar com as mudanças e os desafios.
Essa prática evita o silenciamento da mulher em relação às suas emoções, pois ela ganha bases para entender os sentimentos. A família, por sua vez, passa a ser uma rede de apoio mais atenta e prestativa.
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4. Evitar ambientes e pressão externa
A gravidez exige uma série de adaptações e mudanças. Logo, é primordial evitar ambientes causadores de gatilhos de ansiedade e pressão, o que prejudica a saúde mental da mãe e, lá na frente, pode contribuir para a depressão pós-parto.
Conversar com os familiares próximos e o cônjuge sobre situações (e até pessoas) que causam desconforto, é uma forma de se proteger. Além disso, as pessoas de confiança ficam mais atentas e ajudam a blindar e evitar os gatilhos.
5. Estudar sobre gravidez e pós-parto
O acesso à informação contribui para a mulher entender a fase em que está e, consequentemente, aliviar a pressão que faz sobre si mesma ao lidar com todas as mudanças da gravidez e do pós-parto.
À medida que aprende mais, a mulher consegue identificar algum quadro fora do comum e procurar ajuda antes que o problema escale, por exemplo, como a depressão pós-parto.
Tão importante quanto evitar o problema é saber que ele existe e ter auxílio para lidar com isso, recebendo o apoio profissional necessário e o acolhimento das pessoas ao redor.
6. Participar de grupos de apoio
Os grupos de apoio presenciais ou virtuais são uma forma de trocar experiências, se identificar e demonstrar apoio a outras mulheres que estão na mesma fase.
Essa troca pode ajudar a lidar com a depressão pós-parto, pois amplia o entendimento sobre os desafios, além da aceitação das mudanças com mais naturalidade.
As principais características de um bom grupo sobre maternidade é o acolhimento e a empatia. Pesquisar online ou pedir dicas para amigas e parentes que já foram mães é uma forma de se vincular a grupos confiáveis.
7. Ter tempo para si mesma
Um desafio do pós-parto é a sobrecarga materna que afeta muitas mulheres, o que faz com que não haja tempo livre para si mesmas.
A presença ativa do companheiro e de uma rede de apoio empática e presente são essenciais para que as novas mães consigam ter tempo para fazer refeições com calma, tomar banho, descansar das noites mal dormidas etc.
A exaustão e o cansaço constantes, assim como a falta de suporte durante e depois da gestação podem contribuir para que a depressão pós-parto se torne uma realidade.
Combinar esses momentos de autocuidado com as pessoas próximas evita a sensação de sobrecarga e cria um ambiente doméstico saudável, além de estimular a felicidade e o bem-estar.
Ajuda médica é essencial no tratamento
Tanto durante a gravidez quanto no pós-parto, o uso de medicamentos deve ser acompanhado de perto pelo especialista, caso a gestante faça uso contínuo de algum remédio.
O receituário médico deve ser seguido à risca para evitar que não haja prejuízos ao feto e à qualidade de vida da mulher. Em paralelo, a suspensão por conta própria e a automedicação deve ser evitada.
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