Uma gestação de alto risco deve ser tratada com cuidado, exames e atendimento constantes, assim como deve oferecer suporte humanizado à paciente. 

Para que os riscos ao bêbe a à gestante sejam amenizados ou descartados , é fundamental que o profissional responsável tenha uma visão holística sobre a paciente e não poupe esforços para ajudá-la.  

O que isso significa, na prática? Quais são os cuidados necessários nessa fase?  Para descobrir, basta ler esse tutorial até o final! 

O que é gravidez de alto risco?

O relatório do Ministério da Saúde sobre gestação de alto risco usa a seguinte definição: “gestação de alto risco é aquela na qual a vida ou a saúde da mãe e/ou do feto e/ou do recém-nascido têm maiores chances de serem atingidas que as da média da população considerada”. 

O mesmo documento afirma que “a gestação é um fenômeno fisiológico e, por isso mesmo, sua evolução se dá na maior parte dos casos sem intercorrências”.

Entretanto, existem situações e características que podem perturbar o estado normal de uma gravidez. 

Nesses cenários, a gestação pode exigir mais cuidados por parte de todos os envolvidos, desde a própria mulher, que precisará estar atenta a alguns cuidados especiais, até os médicos, que devem atuar de forma ainda mais próxima à paciente, para a garantir o controle da manifestação dos fatores de risco. 

Embora existam esforços para criar um sistema de pontuação e tabelas para diferenciar as gestantes de alto risco das de baixo risco, ainda não há uma classificação oficial que faça isso. 

Logo, os obstetras que acompanham as pacientes durante o pré-natal devem conhecer as caraterísticas e os fatores que, geralmente, indicam maiores taxas de risco para a gravidez.

Ao identificar alguns dos fatores associados à  gravidez de risco, os profissionais de saúde devem atuar de forma mais vigilante. 

Isso significa que mulheres com fatores que indicam a iminência de risco para a gravidez podem precisar de um acompanhamento de pré-natal mais próximo, o que inclui a realização de um número maior de exames laboratoriais e de imagem, bem como o acompanhamento clínico mais frequente, a partir do agendamento o de mais consultas médicas de controle. 

O objetivo é acompanhar a evolução dos fatores de risco para identificação imediata de qualquer alteração causada por eles e a rápida ação para controlá-los. 

Isso porque apenas a presença dos fatores podem não ocasionar em uma gestação de risco, mas a probabilidade de evolução para quadros mais graves pode se tornar uma realidade. 

Como em muitos casos de gravidez de alto risco não há sintomas da manifestação dos problemas, o acompanhamento próximo é a única forma de garantir que aspectos de risco não avancem a ponto de prejudicar a gestação , a mulher  ou o feto.

O que pode ocorrer em uma gravidez de alto risco? 

A gravidez de alto risco pode gerar complicações, como:

  • aborto, 
  • parto prematuro,
  • atraso no desenvolvimento fetal,
  • mortalidade materna, 
  • mortalidade perinatal.

Contudo , é importante observar que a gravidez de alto risco não causa, obrigatoriamente, esses resultados. Eles podem ser, em sua maioria, evitados com o controle e acompanhamento correto. 

Essa é mais uma razão da importância do pré-natal, sobre o qual falaremos ainda neste material. 

Quando é detectada uma gravidez de alto risco?

Ainda usando o relatório do Ministério da Saúde como base, existem duas formas principais de uma gravidez de risco se manifestar: quando a mulher  já possui algum fator que indique  ameaça à gestação ou em casos em que o fator de risco surja  ao longo da gravidez

A diabetes gestacional, por exemplo, é um fator de risco que pode aparecer  ao longo das semanas, geralmente a partir dos 6 meses e persiste até o parto, e mesmo alguns dias depois. 

É comum que a diabetes gestacional apresente sintomas muito leves antes de sua evolução, como cansaço excessivo e ganho de peso. Por se confundir com os sinais da própria gravidez, é comum que a condição  seja descoberta por meio dos exames de pré-natal. 

Por isso, o acompanhamento é indispensável para a identificação precoce de alterações na saúde da mulher e a assistência  adequada nas próximas semanas.

Essa supervisão  possibilita que o fator seja controlado e o risco de afetar a saúde da mãe e do bebê seja reduzido. 

Leia também: Uso de metformina para tratamento do diabetes na gravidez

Em casos em que haha  um fator de risco antes de gravidez, mesmo que a gestante não saiba de alterações em sua saúde, os primeiros exames do pré-natal podem identificar problemas preeexistentes. 

Confira a lista de testes que as gestantes devem realizar já nos primeiros dias da descoberta: Quais os primeiros exames de gravidez? Lista completa com os principais.

Características da gestação de alto risco presentes anteriormente à gestação

A avaliação do risco gestacional pode ser previamente identificada, contribuindo para o controle dos fatores de ameaça e a redução de problemas que ocorrem em sua decorrência . 

Para isso,  é fundamental a realização de um pré-natal adequado, não apenas por meio de exames , cmas também durante a anamnese, o exame físico geral e exame gineco-obstétrico, que devem ser realizados pelo profissional de saúde com o objetivo de descobrir alterações e iniciar um cuidado mais próximo da paciente. 

Vale destacar que mesmo em casos de identificação de fatores de risco, não são todos os casos que exigem uma intervenção imediata dos profissionais de saúde com medicação ou outros procedimentos. 

Entretanto, o reconhecimento desses fatores indica uma maior necessidade de atenção da equipe de saúde a essas gestantes. É exatamente por isso que o acompanhamento médico  constante é vital. 

É o médico obstetra quem deve definir o tratamento que será dado e realizado pela gestante, e é fundamental a adesão do paciente ao que foi proposto. 

Só os profissionais são capazes de direcionar o melhor tratamento e o andamento adequado das próximas semanas.

Seguindo o manual técnico da gestão de risco do Ministério da Saúde, organizamos abaixo uma lista de características da gestação de alto risco que consideram os fatores pré-existentes a gravidez. Ainda neste material, também elencamos  os fatores de risco desenvolvidos durante a gravidez.

Os fatores de risco gestacionais presentes anteriormente à gestação se dividem em: 

  • Características individuais e condições sociodemográficas
  • História reprodutiva anterior
  • Condições clínicas preexistentes

Entenda o que faz parte de cada um desses grupos, a seguir.

Características individuais e condições sociodemográficas

Lista de características individuais e condições sociodemográficas desfavoráveis que aumentam o fator de risco na gestação:

  • Idade maior que 35 anos; 
  • Idade menor que 15 anos ou menarca há menos de 2 anos; 
  • Altura menor que 1,45m; 
  • Peso pré-gestacional menor que 45kg e maior que 75kg (IMC<19 e IMC>30);
  • Anormalidades estruturais nos órgãos reprodutivos; 
  • Situação conjugal insegura;
  • Conflitos familiares; 
  • Baixa escolaridade;
  • Condições ambientais desfavoráveis; 
  • Dependência de drogas lícitas ou ilícitas; 
  • Hábitos de vida – fumo e álcool;
  • Exposição a riscos ocupacionais: esforço físico, carga horária, rotatividade de horário, exposição a agentes físicos, químicos e biológicos nocivos, estresse

História reprodutiva anterior 

História reprodutiva anterior que aumenta o fator de risco na gestação:

  • Abortamento habitual;
  • Morte perinatal explicada e inexplicada; 
  • História de recém-nascido com crescimento restrito ou malformado;
  • Parto pré-termo anterior; 
  • Esterilidade/infertilidade; 
  • Intervalo interpartal menor que dois anos ou maior que cinco anos;
  • Nuliparidade e grande multiparidade; 
  • Síndrome hemorrágica ou hipertensiva;
  • Diabetes gestacional em gravidez anterior; 
  • Cirurgia uterina anterior (incluindo duas ou mais cesáreas anteriores). 

Condições clínicas preexistentes 

Condições clínicas preexistentes que aumentam o fator de risco na gestação:

  • Hipertensão arterial;
  • Cardiopatias;
  • Pneumopatias;
  • Nefropatias; 
  • Endocrinopatias (principalmente diabetes e tireoidopatias); 
  • Hemopatias;
  • Epilepsia; 
  • Doenças infecciosas (considerar a situação epidemiológica local);
  • Doenças autoimunes;
  • Ginecopatias;
  • Neoplasias.

Como dissemos, não são apenas os fatores preexistentes que podem levar ao aumento do risco de uma gestação, mas também complicações que podem ocorrer durante a gravidez. Confira a lista dessas intercorrências que podem levar a uma gestação de alto risco.

Leia também: Lista de exames para check-up feminino: conheça os principais exames!

Complicações que tornam a gravidez de risco no decorrer das semanas de gestação

Complicações que podem surgir no decorrer da gestação transformando-a em uma gestação de alto risco são divididas em:

  • Exposição indevida ou acidental a fatores teratogênicos;
  • Doença obstétrica na gravidez atual;
  • Intercorrências clínicas.

Entenda, a seguir, o que está incluso em cada uma dessas categorias. 

Exposição indevida ou acidental a fatores teratogênicos

Pesquisas, como a divulgada no artigo, “Teratology: principles and practice. Medical Clinics of North America”, de Dicke JM 1989, estabelecem que “um agente teratogênico é definido como qualquer substância, organismo, agente físico ou estado de deficiência que, estando presente durante a vida embrionária ou fetal, produz uma alteração na estrutura ou função da descendência”.

Alguns exemplos desses agentes são:

  • Infecções Congênitas (sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, entre outras);
  • Radiações (radioterapia);
  • Substâncias Químicas (mercúrio, chumbo, por exemplo).

Doença obstétrica na gravidez atual 

Lista de doenças obstétricas na gravidez atual que contribuem para uma gestação de alto risco:

  • Desvio quanto ao crescimento uterino, número de fetos e volume de líquido amniótico; 
  • Trabalho de parto prematuro e gravidez prolongada; 
  • Ganho ponderal inadequado (ganho de peso acima do desejado ou indicado);
  • Pré-eclâmpsia (hipertensão arterial ou de piora de hipertensão arterial preexistente durante a gravidez) e eclâmpsia (convulsões que ocorrem em mulheres com pré-eclâmpsia e que não apresentam outra causa); 
  • Diabetes gestacional; 
  • Amniorrexe prematura (quando a, popularmente conhecida, bolsa de líquido amniótico rompe antes de 37 semanas); 
  • Hemorragias da gestação; 
  • Insuficiência istmo-cervical (deficiência funcional do esfíncter uterino, que impede de manter o útero fechado até o final da gravidez); 
  • Aloimunização;
  • Óbito fetal. 

Intercorrências clínicas

Lista de intercorrências clínicas que ocorrem durante a gravidez e contribuem para uma gestação de alto risco:

  • Doenças infectocontagiosas (ITU, doenças do trato respiratório, rubéola, toxoplasmose etc.); 
  • Doenças clínicas diagnosticadas durante a gestação atual (cardiopatias, endocrinopatias).

Alguns fatores se mostram mais preocupantes do que outros, mas todos devem ser acompanhados por um pré-natal realizado da maneira correta e acompanhamento médico. 

Essa é a forma mais eficaz de garantir que os fatores de risco sejam controlados, reduzindo as chances de impactarem de fato a saúde do feto e da gestante.

Cuidados indicados para gestante de alto risco

Os cuidados indicados para a gestante de alto risco devem ser definidos pelos médicos e vão variar de acordo com a ameaça presente. 

É comum que o médico obstetra faça todo o acompanhamento, entretanto, em casos em que há problemas diversos como hipertensão, outros profissionais também podem se juntar à equipe para cuidar da saúde materna. 

É importante lembrar que os cuidados de pré-natal também são realizados pelo SUS, logo mesmo gestantes que dependem da saúde pública devem buscar apoio nas Unidades Básicas de Saúde, onde irão realizar todos os exames gratuitamente. 

Para isso, basta que a gestante se dirija à UBS mais próxima da sua residência. Os profissionais de saúde irão compartilhar todas as informações necessárias para iniciar o pré-natal.

Como é feito um pré-natal de alto risco?

O pré-natal deve ser realizado por gestantes que tenham ou não fator de risco presentes anteriormente à gestação. 

Como vimos até aqui existem fatores de risco que se apresentam apenas após o início da gravidez e que só podem ser identificados e controlados com a realização do acompanhamento médico. 

O Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento (PHPN), do Ministério da Saúde, recomenda pelo menos seis consultas de pré-natal, ao longo dos três trimestres de gravidez. 

Entretanto, essa é uma indicação mínima. Logo, é comum e indicado que as consultas sejam mensais. 

Caso haja algum fator de alto risco, é possível que os encontros com o obstetra e outros médicos sejam mais frequentes. 

Além das consultas, também é provável que seja necessário realizar um volume maior de exames laboratoriais e de imagem para acompanhar também a saúde do bebê.

Quais os sintomas não são normais na gravidez?

É comum que a gravidez de risco não apresente nenhum sintoma, até que algo mais grave aconteça e mostre que há um problema na saúde da gestante. 

Como dissemos acima, para reduzir a chance desse tipo de situação mais grave acontecer, o pré-natal é fundamental. 

Entretanto, mesmo que o acompanhamento médico esteja em dia, em algumas situações os sintomas podem indicar problemas que não haviam sido identificados. 

É importante então que os médicos e profissionais da saúde informem às suas pacientes os sinais que não são normais na gravidez e que indicam que um atendimento em urgência deve ser procurado.

Segundo o site da Rede D’OR de hospitais, uma das mais conceituadas no Brasil, entre os sinais que não são normais na gravidez e que a devem estimular a gestante a entrar em contato com o médico imediatamente estão: 

  • Dor de cabeça forte ou visão turva;
  • Febre acima de 37,5°C;
  • Tontura ou desmaio;
  • Dificuldade para respirar, dores no peito e/ou batimentos acelerados
  • Inchaço exagerado no rosto ou nas mãos;
  • Moleza e cansaço extremo
  • Dor abdominal aguda;
  • Sangramento ou líquidos vaginais;
  • Diminuição ou ausência de movimentos do bebê;
  • Náusea severa e excesso de vômito.

Outros sintomas que devem levar a gestante a um atendimento de urgência incluem 

  • Dores ou cólicas na parte de baixo do ventre;
  • Corrimento vaginal aquoso;
  • Contrações regulares ou frequentes – sensação de aperto no abdômen;
  • Dor ou ardor ao urinar.

Enfrentar uma gestação de alto risco é um receio de toda paciente, por isso é fundamental que os profissionais da saúde envolvidos em seu cuidado realizem um atendimento humanizado, priorizando o bem-estar da mãe e a saúde do bebê. 

Uso da tecnologia para facilitar o cumprimento da agenda gestacional

A lista de exames pré-natais é longa, mas a tecnologia já está disponível para ajudar, contribuindo para que as orientações médicas possam ser seguidas com exatidão. 

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Um estudo feito pela Universidade de Dallas, no Texas (EUA) aponta que a adesão dos pacientes ao tratamento é maior quando a prescrição é feita por recursos digitais. 

De fato, a não adesão aos tratamentos em pacientes era de 31,5%, quando recebiam receitas prescritas manualmente. Esse número cai para 15,2% quando falamos em receituários digitais. 

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