Sobrecarga materna: veja como aliviar para si mesma ou ajudar uma mãe
As responsabilidades de ser mãe levam muitas mulheres ao estado de sobrecarga materna, principalmente quando não há participação da família nos cuidados com a casa e os filhos. Isso também acontece nos casos em que falta uma rede de apoio familiar e/ou de amigos ou mesmo condições para contratar ajuda externa.
Socialmente, a maternidade é considerada um momento de virada/transição na vida de um casal. Porém, é a rotina da mulher que muda mais profundamente com a chegada de um filho.
Amamentar, dar banho, trocar fralda e roupas constantemente, descobrir o motivo do choro, levar e buscar na escola, orientar nos deveres de casa, ir às reuniões, cuidar da alimentação e da limpeza da casa e, ainda, conciliar a vida profissional.
Só de ler esse pequeno resumo de atividades, dá para perceber que os sinais de esgotamento materno não são uma alteração biológica. Afinal, quem, por mais saudável que seja, consegue fazer tudo isso – e mais – sozinha?
Neste artigo, abordamos o tema da sobrecarga materna, mostrando como ser mãe influencia a saúde mental das mulheres, com dicas para evitar esse estado.
Boa leitura!
O que é sobrecarga materna?
A sobrecarga materna é um estado de esgotamento que afeta a saúde física e mental das mulheres devido ao alto volume de tarefas e necessidades que precisam suprir em relação aos cuidados com o(s) filho(s). A autocobrança, as cobranças externas e a falta de um(a) parceiro(a) ativo(a) contribuem para o burnout materno.
Em entrevista ao portal UOL, a psicanalista Beatriz Freitas explica que a sociedade justifica a sobrecarga como um efeito biológico do corpo feminino e, portanto, algo natural de ser sentido. Porém, reforça o quanto essa justificativa apaga as mães como mulheres e coloca exclusivamente nelas a tarefa de cuidar.
O resultado é que 49,1% das mulheres afirmam se sentir em um “limbo emocional” com seu maternar. Aliás, o problema da sobrecarga materna se acentuou na pandemia, levando 25,9% das mães à terapia para lidar com os desafios da maternidade, de acordo com uma pesquisa realizada pela revista CRESCER.
Historicamente, a responsabilidade das mulheres era voltada para o cuidado da casa e dos filhos. Porém, hoje, elas ocupam posições no mercado de trabalho e contribuem financeiramente com o sustento da casa.
Logo, equilibrar as obrigações externas com as internas exige companheirismo, quando há uma união tradicional, visando encontrar soluções que viabilizem uma maternidade equilibrada, com divisão de tarefas, conscientização e apoio material e emocional.
O mesmo vale para as mães solo que precisam igualmente do suporte do pai, não só financeiramente, mas na divisão dos cuidados com o filho.
Como a maternidade afeta a saúde mental?
Quando a mulher se dedica exclusivamente ao filho, muitas vezes, por causa da falta de apoio ou da autocobrança de ter que ser eficiente no seu papel, ela abdica do cuidado consigo mesma, o que afeta a saúde mental.
Estar 100% do tempo disponível, adaptando-se às necessidades de um ou mais filhos, gera um estresse mental intenso que leva à sobrecarga materna.
Afinal, as demandas psicológicas de ser cuidadora são altas, o nível de controle diante das situações é pequeno e o reconhecimento social do trabalho da mãe não é valorizado.
Esse contexto gera a sensação de monotonia, que, junto com o esgotamento mental, cria um sentimento de insatisfação. Quanto maior o número de filhos, maiores as chances de sobrecarga.
De acordo com a pesquisa “Mommys e Saúde Mental” do Portal Mommys, divulgada pela CNN Brasil, o tempo das mães é dedicado a:
- tarefas domésticas (34%);
- acompanhar os filhos em tratamentos médicos (92,4%);
- fazer compras de mercado e outras compras da casa (80,3%).
Em relação à saúde mental, 62,7% das entrevistadas afirmam que sentem um “vazio”, além de sobrecarga e cansaço. A sensação de estar sozinha é frequente para 31,6%, que se sentem assim de três a cinco vezes na semana.
O mito da maternidade perfeita
Outro aspecto que ocasiona a sobrecarga materna é a vontade de criar os filhos de forma que eles se sintam valorizados e sejam pessoas com segurança emocional.
Esse objetivo não é um problema em si, não fosse a existência da cartilha da maternidade perfeita, a qual muitas mulheres tentam seguir à risca, colocando-se em uma posição onde o erro não é uma possibilidade, nem a autonomia e independência dos filhos.
Ainda com base na pesquisa do Portal Mommys, 90,5% das mães entrevistadas gostariam de ver amigos com mais frequência, mas apenas 60% saíram sem os filhos, no máximo, duas vezes no intervalo de um ano.
A porcentagem das mães que praticam atividade física foi de 35,6% e apenas 30,6% disseram ter um hobby.
Sinais de esgotamento materno
A autoanálise é importante para identificar a sobrecarga materna e, assim, conseguir agir para evitar a exaustão extrema. Os principais sinais de esgotamento materno são:
- frustração;
- irritação;
- cansaço;
- ansiedade;
- fadiga;
- exaustão;
- mudanças nos padrões de sono;
- conflitos com o parceiro;
- desejo de pedir demissão do trabalho;
- escapes e ideação em tirar a própria vida.
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Como lidar com a sobrecarga materna?
Para lidar com esse cenário, o primeiro passo é reconhecer que está nessa condição e buscar formas de melhorar. Veja algumas dicas para mães em sobrecarga!
- Divida as responsabilidades da casa e com os filhos: o ideal é conversar com o(a) parceiro(a) para replanejar a rotina, definindo o que será de responsabilidade de cada um, além de avaliar juntos a possibilidade de contratar ajuda externa, seja de uma babá, creche ou diarista para as tarefas domésticas.
- Fortaleça a rede de apoio: o casal sozinho, mesmo que bem alinhado em relação às responsabilidades, precisa de ajuda. Então, converse com pessoas da família, amigos e peça auxílio para que ambos tenham tempo para si e seus desejos.
- Não adie a busca por orientação profissional: a sobrecarga materna pode trazer impactos profundos, como ansiedade e depressão, que precisam ser cuidados. O apoio de um psicólogo e até de um psiquiatra para o uso de medicamentos é essencial para mudar comportamentos a fim de se curar física e emocionalmente.
Sobrecarga emocional das mães: é possível superar!
A sobrecarga materna não é um caminho sem volta. Caso esteja passando por esse problema ou conheça alguma pessoa próxima nessa situação, lembre-se que buscar ajuda médica é um passo importante.
O apoio psicológico é vital para superar essa fase e o uso orientado de remédios, quando necessário, são pontos importantes para a evolução do tratamento.
*As informações neste site não têm a intenção de substituir uma consulta pessoal com um médico, farmacêutico, enfermeiro ou outro profissional de saúde qualificados.
O leitor não deve desconsiderar aconselhamento médico nem adiar a busca devido a alguma informação encontrada neste site.
Procure sempre um médico para que ele possa lhe auxiliar no caso específico.




