Com certeza você já ouviu falar que o leite materno é um dos alimentos mais completos que existem e, isso não deixa de ser verdade! O aleitamento materno é a estratégia que mais previne mortes em crianças menores de 5 anos, justamente por possuir todos os nutrientes que o bebê precisa em cada fase de seu desenvolvimento.
O Brasil é um país que incentiva essa prática e os resultados da adesão ao aleitamento materno vêm sendo crescentes. Um exemplo muito claro é que no ano de 1986 o índice de mães que ofereciam somente o leite materno aos filhos era de 2,9%. Já em 2020 essa porcentagem subiu para 45,7%. Esse crescimento gritante é resultado de acesso fácil à informação e educação em saúde.
E qual é a fisiologia da amamentação?
A amamentação funciona como um ciclo perfeito que segue passos de acordo com cada fase em que a mãe e o bebê estão. Confira o passo a passo da produção do leite materno dentro do organismo da mulher:
Tudo começa com o cérebro
Assim que o bebê nasce e a placenta é retirada, os níveis de estrógeno (hormônio responsável pela reprodução feminina) caem abruptamente. Com isso, ocorre um pico na liberação de outro hormônio, chamado prolactina (responsável pela produção de leite materno). Todo esse processo acontece pois o cérebro, mais especificamente a região de hipófise (que controla o funcionamento da maioria das glândulas), manda esses comandos.
Começando a produção
Dentro dos seios há algumas estruturas chamadas de lóbulos mamários, que começam a produzir e armazenar o leite materno. Conforme o bebê suga o peito, estímulos nervosos fazem com que a hipófise, mesma região do cérebro dita anteriormente, produza hormônios responsáveis por ajudar o lóbulo a empurrar o leite com mais facilidade pelos ductos mamários.
Tudo pronto!
Quando o bebê começa a mamar é muito importante que a pega (o modo que o bebê irá se posicionar para sugar o leite da mama) esteja correta, pois os espaços onde o leite fica armazenado estão localizados sob a auréola. É importante que ele não sugue apenas o bico do seio, mas também toda aquela região.
Benefícios da amamentação: para a mãe e para o bebê!
A amamentação traz inúmeros benefícios e, diferente do que se imagina, a mãe e o bebê são beneficiados, além de ser o momento onde os laços afetivos entre ambos se solidificam. Os benefícios começam logo após o parto e se perdura por todo o período, prevenindo mãe e bebê de doenças a curto e longo prazo.
Confira os principais benefícios dessa prática:
- Logo que o bebê nasce e inicia a amamentação, o útero volta ao tamanho normal mais rápido e consequentemente a recuperação da mãe é mais rápida e confortável. Além disso, ele diminui drasticamente a chances de haver sangramento após o parto, devido à liberação de ocitocina, que contrai o útero.
- Além disso, a ocitocina também é conhecida como o hormônio do amor, fazendo com que haja uma ligação entre mãe e bebê. Pode trazer calma e tranquilidade também ao bebê, principalmente na primeira hora após seu nascimento, conhecido como Golden Hour.
- A amamentação previne o câncer de mama justamente pela alta produção de prolactina. Desenvolve tecido adiposo e consequentemente amadurece as células mamárias, prevenindo sua mutação.
- Ajuda na saúde mental da mãe, podendo diminuir a ansiedade da mãe e do bebê, principalmente na fase de adaptação à nova realidade. Além disso, pode aumentar a autoestima da mãe.
- Aumenta a imunidade do bebê, diminuindo as chances de diarreia intensa, uma condição que pode ser letal nessa fase. O leite materno possui os anticorpos necessários conforme cada fase do bebê, por isso é chamado também de o alimento mais completo do mundo.
- Há evidências que mostram que o aleitamento materno estimula o desenvolvimento intelectual do bebê, isso porque a gordura presente no leite contém substâncias denominadas de ácidos graxos poli-insaturados, que são responsáveis pela formação de neurônios.
Como tornar a amamentação mais fácil?
Apesar dos inúmeros benefícios, amamentar pode não ser uma tarefa fácil e algumas dificuldades podem surgir ao longo do processo. Confira 10 dicas que podem te ajudar:
- Busque apoio para o seio, principalmente por ele ficar pesado e poder causar desconforto. Toalhas enroladas abaixo dele ou até mesmo almofadas pequenas podem ajudar.
- Troque o seio assim que o beber esvaziar o outro, além de ajudar na produção de leite a troca ajuda na prevenção de mastite.
- Apoie o bebê de maneira com que ele fique seguro, por conta dos reflexos naturais do corpo. Se ele sentir que não está seguro pode ter dificuldades em mamar.
- Cuide da alimentação, pois ela reflete diretamente na produção do leite, além de ajudar de maneira ampla na saúde materna.
- Tenha sempre o apoio de um profissional, para orientações sobre pega adequada e amamentação de maneira individual, acompanhamento de saúde materna e do bebê e para esclarecimento de dúvidas gerais, também sendo mais fácil a identificação de possíveis anormalidades.
- Procure manter a calma, a ansiedade e o nervosismo pois são fatores que podem influenciar negativamente nesse momento.
Não consigo amamentar, e agora?
A amamentação pode ser desafiante e, em sua maioria dos casos, principalmente porque na maioria das vezes a pressão está toda em cima da mulher e ela não tem a rede de apoio adequada. Algumas mulheres têm mais facilidade, já outras não e essa dificuldade deve ser analisada de maneira ampla e acompanhada por um profissional de saúde qualificado.
Além disso, a maternidade de primeira viagem também traz muitas inseguranças e dificuldades, afinal o novo pode assustar. Em alguns casos, o bebê pode também sentir dificuldade nesse momento, o que necessita de uma atenção especial. Não deixe de externalizar seus sentimentos e dificuldades, sem medo do julgamento, e estar acompanhada de pessoas de confiança e de profissionais de saúde que podem te ajudar a passar por esse momento de maneira mais tranquila.
Artigo redigido pela enfermeira Maria Carolyna Henriques.




