A obesidade é definida pelo excesso de gordura corporal, em diferentes regiões do corpo que determina prejuízos à saúde. O diagnóstico é feito pelo IMC (Índice de Massa Corporal), que é calculado utilizando a altura e o peso do indivíduo (IMC = peso (kg) / altura (m)2). O indivíduo enquadra-se como obeso se o resultado do IMC for maior ou igual a 30.
É considerada uma doença crônica, progressiva, de forma recorrente e de epidemia global. No Brasil, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) os dados evidenciam, no ano de 2019, que 1 entre 4 brasileiros está acima do peso, totalizando 61,7% da população adulta. Isso se dá devido ao aumento no consumo de alimentos calóricos, industrializados, caracterizado pelo aumento nos níveis de estresse, ansiedade e sedentarismo. Isso faz com que as pessoas ingiram mais calorias do que a quantidade que gastam por dia. Somado a tudo isso, a obesidade também pode estar associada a fatores genéticos.
A obesidade desencadeia uma série de prejuízos à saúde, pois é uma porta de entrada para desenvolver outras doenças como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, doenças cardíacas, entre outras.
A mudança nos hábitos de vida, como a reeducação alimentar e a prática de exercícios físicos são os pilares para o tratamento da doença. Lembrando que deve sempre ser feito com o acompanhamento de um profissional, de forma gradual e saudável.
Como a fisioterapia ajuda no tratamento da obesidade?
Muitas pessoas acham que a fisioterapia só é aplicável no tratamento de lesões, mas isso é um grande mito. A fisioterapia é uma grande aliada no tratamento multidisciplinar do paciente.
A obesidade, além do ganho de peso, acarreta diversos outros problemas de saúde no indivíduo, como a perda de mobilidade física e a redução da capacidade cardiorrespiratória e é aí que entra a atuação do profissional de fisioterapia. Ele auxilia a paciente através de práticas supervisionadas e customizadas de atividades físicas, seja para o tratamento de doenças secundárias, como para auxilia-lá na redução de peso.
Um dos problemas decorrentes do aumento do IMC é relacionado ao sistema respiratório da paciente, devido a gordura que se deposita ao redor do tórax acarreta uma baixa expansibilidade pulmonar, reduz as trocas gasosas necessárias e desenvolve o chamado colapso pulmonar. Com a baixa saturação de oxigênio no sangue e o aumento do IMC a respiração acaba se tornando mais curta, rápida e com um gasto energético elevado.
Sendo assim, esse problema de saúde causado pela obesidade gera uma má qualidade de vida para a paciente, dificulta a realização de atividades diárias e a prática de atividades físicas. A fisioterapia entra com o tratamento através da cinesioterapia respiratória, que reúne uma série de técnicas, exercícios e manobras, visando fortalecer a musculatura respiratória e otimizar as trocas gasosas.
A obesidade também contribui para o desenvolvimento de doenças músculo-esqueléticas, como a artrose, lombalgia, entre outras, que comprometem as articulações e geram incapacidades articulares. A fisioterapia atua prevenindo e recuperando a função, através de técnicas, como eletroterapia e hidroterapia, e também com exercícios individualizados para cada paciente. Estes ajudam na diminuição da dor articular, melhoram a circulação, aumentam a resistência à fadiga, ampliam a resistência dos ossos, articulações e ligamentos, intensificam a resistência muscular e a flexibilidade e ainda auxiliam na redução da porcentagem de gordura no corpo.
Também é indicada no tratamento pré e pós-operatório da cirurgia bariátrica, pois no pré-operatório, o profissional orienta o paciente quanto à movimentação e ao posicionamento do corpo e trabalha a capacidade pulmonar. No pós-operatório auxilia na reprogramação muscular para a realização das atividades diárias.
A fisioterapia torna-se uma aliada ao tratamento multidisciplinar da obesidade, pois ajuda a restaurar a flexibilidade e aumentar a força, melhorando a saúde cardiovascular, evitando lesões e atuando no tratamento e prevenção da dor. Associada a uma alimentação balanceada, exercícios físicos e também ao tratamento de outras doenças promovem uma melhoria na qualidade de vida do paciente e o bem-estar.
Artigo redigido pela enfermeira Andrielle Oliveira.




