Muito se tem falado sobre como a maternidade vem sendo romantizada e em como as mães têm se sentido esgotadas, principalmente após o parto e/ou nos primeiros anos de vida do filho. O trabalho de ser mãe não tem folga e nem fim de expediente, por isso, a exaustão muitas vezes parece não ter fim, resultando em uma mente adoecida e fragilizada. Porém, quando esse esgotamento passa dos limites ele pode acabar virando uma doença, também conhecido como Burnout Materno.
Mas o que é a Síndrome de Burnout?
A síndrome de Burnout é um distúrbio emocional causado pelo excesso de exaustão e situações de estresse. Em geral é muito ligado a altas cargas emocionais causadas por trabalhos intensos, atingindo principalmente profissionais de saúde, de segurança e também profissionais corporativos. O Burnout foi muito falado no âmbito de trabalho pois esteve muito atrelado a trabalhadores que lidam com pressão e com muitas responsabilidades.
Porém, o Burnout não vem mais sendo relacionado somente ao ambiente de trabalho, mas sim a todo ambiente e situações que colocam as pessoas em seus limites. O termo Burnout vem do inglês, que significa “queimar para fora”, como se os sentimentos negativos consumissem os indivíduos de dentro para fora e se os acontecimentos externos consumissem até que o limite chegasse e as pessoas já não conseguissem mais lidar com as emoções. Isso é o Burnout, uma síndrome incapacitante que pode resultar em condições graves, até mesmo a depressão profunda e às idealizações ao suicídio.
E o Burnout Materno?
Ser mãe não é uma tarefa fácil e toda a carga emocional e física, principalmente após o nascimento do bebê, é intensa e por vezes muito pesada. Quando essa exaustão e estresse viram crônicos e não controlados, eles viram Burnout Materno, conhecido como exaustão materna ou em inglês, Mommy Burnout.
O desenvolvimento do Burnout Materno, por ser atrelado ao ambiente e as exigências das quais uma nova condição que parece ser mais do que se pode suportar, causa cansaço e estresse de mulheres que não somente acabaram de ser mães, mas sim que além de sentirem sobrecarregadas com a maternidade sentem o impacto das tarefas do dia-dia, na vida familiar, social e na vida profissional.
Toda mulher passa por um processo de transformação e reconhecimento após o nascimento de um filho. São muitas mudanças hormonais, físicas e psicológicas e todo esse processo desperta reflexões internas, onde elas procuram entender quem elas são agora que são mães e se continuam as mesmas. Essas questões, aliadas com o estresse diário e a adaptação à nova rotina aumentam os riscos de distúrbios psicológicos e o Burnout é um deles.
Ao se deparar com essa nova realidade, as mulheres não se sentem seguras em externalizar essas questões pois têm medo do julgamento. Isso faz com que os sentimentos se acumulem e a angústia cresça, até que pareça ter consumido essa mulher e ela se sinta fora do controle, além de sentirem que suas vidas se anularam.
Quais são os sintomas do Burnout Materno?
A principal característica do Burnout Materno é o estresse prolongado, mas ele não se resume somente a isso, podendo ocasionar também:
- Sentimento de culpa, que parece não cessar;
- Sentimento constante de apatia, como se de repente não sentisse emoções boas ou ruins;
- Excesso de pessimismo, não consegue enxergar soluções para problemas simples;
- Tristeza constante, mesmo quando está em momentos tranquilos;
- Exaustão frequente, mesmo se descansar com frequência, se sente muito cansada;
- Baixa autoestima e falta de vontade em se cuidar;
- Dúvidas sobre sua capacidade, como se não fosse capaz de cuidar de seu filho.
Além destes sintomas, as mulheres podem desenvolver também outras patologias relacionadas, como depressão ou síndrome pós parto. É muito importante não somente que a mulher preste atenção em si mas também as pessoas que convivem com ela estejam sempre atentas a sinais de alerta.
Como é feito o diagnóstico e tratamento?
O primeiro passo, ao perceber que algo não vai bem, é procurar um profissional que seja especialista em saúde mental. Através de um histórico detalhado o profissional poderá indicar o tratamento adequado, podendo ele ser com a ajuda de psicoterapia, medicação ou ambos. Além disso, poderá estabelecer uma rede de apoio, o que é essencial para mães que passam por esse tipo de situação.
Se cuide!
Além da ajuda profissional, estabelecer uma rotina de autocuidado é essencial, principalmente ao se lembrar que ser mãe não a tornará menos mulher. Participar de grupos de apoio e trocar experiências com outras mulheres que estão passando ou passaram pela mesma situação pode ajudar a ter outras visões sobre como enfrentar esses sentimentos.
Estabelecer uma rotina com uma alimentação saudável, prática regular de exercícios físicos, continuar praticando seus hobbies e mantendo uma vida social é importante para o bem-estar de todos nós, auxiliando no bem da nossa saúde mental.
Não hesite em pedir ajuda, converse com seus familiares, amigos e estabeleça uma rede de apoio onde possa se sentir acolhida e externalizar todos os seus sentimentos, sem medo de ser julgada. Vale lembrar que o acompanhamento de um profissional é imprescindível para o tratamento de maneira individualizada.
Artigo redigido pela enfermeira Maria Carolyna Henriques.




