Atualmente muito se fala sobre patient-centric approach, ou seja, a abordagem centrada na pessoa, no paciente. Mas o que seria essa abordagem exatamente e por que ela é tão importante?

Esta abordagem centrada na pessoa é uma forma pela qual os sistemas de saúde conseguem estabelecer parceria entre profissionais, pacientes e cuidadores para alinhar decisões com os desejos, necessidades e preferências dos pacientes.

Dessa maneira, o termo em inglês patient-centric healthcare define uma abordagem que coloca a pessoa no centro do cuidado médico, tornando-a um agente com participação ativa nas decisões que envolvem sua saúde.

Isso inclui o fornecimento de educação específica e apoio aos pacientes que precisam tomar decisões e participar de seus próprios cuidados.

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Qual a importância de uma abordagem centrada no paciente? 

Existem inúmeras evidências de que médicos que se envolvem com seus pacientes e cuidadores obtêm resultados drasticamente melhores. Os pacientes relatam experiências positivas, desenvolvem uma maior confiança em seus médicos e são menos propensos a mudar de profissional, permitindo uma maior continuidade nos cuidados.

Para se ter uma noção de como a teoria centrada na pessoa afeta diretamente nos resultados, estudos evidenciaram que pacientes com diagnóstico de síndrome coronariana aguda tratados em hospitais com atendimento centrado no paciente apresentaram menos sintomas e maiores taxas de sobrevida de um ano após o evento.

Além disso, pacientes tratados em hospitais com atendimento centrado na pessoa também apresentaram menores índices de readmissão no mês seguinte à alta hospitalar. Portanto, essa abordagem centrada na pessoa tem como um dos principais objetivos aumentar o engajamento do paciente no tratamento.

Abordagem centrada no paciente

O que é engajamento à abordagem centrada na pessoa?

Engajamento pode ser compreendido como “conjunto de ações que o indivíduo deve adotar para obter o maior benefício dos serviços de saúde disponíveis para ele”. Esta definição enfoca o comportamento do indivíduo em relação aos seus cuidados de saúde – que são fundamentais para o resultado final; ao invés de ações de profissionais ou políticas de instituições.

Dessa maneira, o paciente entende seu papel e sua importância no tratamento que possui uma abordagem voltada para a pessoa; contribuindo, portanto, com os melhores resultados.  

Uma das formas de buscar esse engajamento é por meio de campanhas que ressaltam a importância da abordagem centrada na pessoa, como no exemplo da imagem abaixo:

Propaganda falando sobre a transformação da saúde

Qual a diferença entre compliance e engajamento?

É importante ressaltar que engajamento não é sinônimo de “compliance”. Compliance significa que um indivíduo obedece a uma diretiva de um prestador de cuidados de saúde.

Por outro lado, engajamento significa que uma pessoa está envolvida em um processo através do qual ele harmoniza informações robustas e aconselhamento profissional com suas próprias necessidades, preferências e habilidades. Isso tem o objetivo de prevenir, gerenciar e curar doenças.

Como colocar em prática a abordagem centrada na pessoa?

A teoria da abordagem centrada na pessoa foi desenvolvida pelo psicólogo Carl Rogers, na década de 1940. Uma de suas frases famosas resume um pouco de como colocar essa teoria na prática: “Ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele“. 

Dessa forma, ferramentas que possibilitem que ele acompanhe e entenda o processo de seu tratamento, como a Memed, por exemplo, que oferece prescrição digital gratuita, ajudam a colocar em prática a teoria de Carl Rogers, sobre a abordagem centrada na pessoa.

A teoria centrada na pessoa é realmente muito importante, mas quais seriam as principais dificuldades de implementarmos isso hoje na nossa rotina profissional? Vamos observar o depoimento de duas médicas norte-americanas que conseguiram descrever esse cenário de modo muito claro e didático.

‍Dra. Wendy Sue Swanson

‍Dr(a). Wendy Sue Swanson

“Simplificando: precisa ser mais fácil se conectar eletronicamente. Não importa se você é o paciente, o médico, a recepcionista – os cuidados de saúde chegaram a um ponto em que todos estamos insatisfeitos com as restrições atuais do sistema.

Os dispositivos móveis em nossos bolsos podem acessar um mundo de informações e nós, médicos, ainda vivemos atrás de ‘paredes de aço’. Não podemos exigir ‘cuidados olho-a-olho’ para demonstrar o valor na defesa da saúde, na perícia médica ou na preservação da saúde. Temos de incorporar as lições das ferramentas sociais à facilidade de prestar cuidados e receber cuidados.

Novos dados do Pew Internet & American Life Project confirmam o que suspeitávamos: a maioria das pessoas está online pesquisando informações de saúde, acessando informações em segundos. E muitos pacientes estão online tentando se autodiagnosticar.

A realidade é que pacientes e médicos ainda desejam parceiros na área da saúde. Nós apenas queremos isso nos ‘termos’ que temos todo o resto. Posso acessar a internet e pedir comida que ela vai chegar à minha porta em questão de horas.

Posso entrar no Google e procurar uma explicação para um novo sintoma com uma resposta rápida. ‍Mas não consigo agendar uma visita com meu médico sem ter que ligar e ficar esperando no telefone.

Não consigo acessar meus registros de doenças, e não posso fazer uma pergunta de duas frases sem ter que fazer uma visita de 15 minutos a um consultório, um copagamento de 20 dólares e uma espera de duas semanas.

Algo deve mudar. Caso contrário, as informações que aprendemos, a percepção que obtivemos durante nossos anos de treinamento e prática médica serão desperdiçadas.

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Ao invés de me sobrecarregarem, fazendo com que eu me comunique e eduque meus pacientes individualmente, por favor, desenvolvam e me ensinem a usar ferramentas para educar meus pacientes em um formato ‘1-para-muitos’.

Quando novas diretrizes de imunização surgirem, deixem-me transmitir detalhes e explicações (via e-mail ou ferramentas sociais) sobre novas regras de vacinação de maneira eficiente para meus pacientes.

Deixem-me atualizar meus pacientes sobre os cuidados e as orientações de prevenção usando meu telefone. Deixem-me escrever e me comunicar com os adolescentes da maneira que preferirem”.

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Dra. Sue Woods

Dr(a). Sue Woods

“O patient-centric approach” ou abordagem centrada na pessoa, no paciente, traduzindo literalmente, consiste em melhorar a experiência do paciente.

O médico precisa ser capaz de:

  • ‍Satisfazer as necessidades do paciente;
  • Respeitar o seu tempo;
  • Informá-lo;
  • Compreendê-lo como pessoa, que possui uma vida, valores e preferências;
  • Responder suas perguntas;
  • Conectá-lo aos seus dados e informações;
  • Conectá-lo a outras pessoas;
  • Permitir aos cuidadores participar do processo.

‍Para que médicos possam realizar atendimentos com uma abordagem centrada na pessoa, ferramentas e dados desempenham um papel fundamental. Com os pacientes se tornando cada vez mais digitais, precisamos ser capazes de utilizar as plataformas disponíveis da melhor maneira possível. A Memed, por exemplo, pode ser uma grande aliada do médico que deseja colocar em prática o conceito de uma terapia centrada na pessoa.

As plataformas digitais de saúde devem ser vistas como de fato elas são: um instrumento na mão do médico. E os médicos devem atuar como os principais orientadores dessas plataformas, fornecendo feedbacks e direcionando as empresas de tecnologia

Dessa forma, consolidando uma parceria saudável e duradoura. Para começar a colocar isso em prática agora mesmo, cadastre-se em nossa plataforma e comece a usar gratuitamente.

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