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            • Inovações e ensino médico: como a tecnologia está transformando a área
            Publicado por Memed em 4 de março de 2024
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            • Medicina e Tecnologia
            Tags
            ensino médico

            Inovações e ensino médico: como a tecnologia está transformando a área

            A prática e o ensino médico estão em constante evolução. O processo passou pelo aprendizado informal, pelo método de tutoria de Sócrates, que estimulava os alunos a buscarem respostas, pela aprendizagem tradicional focada no professor e, hoje, o método coloca o aluno no centro do processo de aprendizado.  

            Atualmente, segundo o site Escolas Médicas do Brasil, existem 372 escolas de medicina no país e, por ano, 37.113 novas vagas são abertas para estudantes ingressarem no primeiro ano de estudo.

            Quem se interessa pela formação em Medicina precisa ter um perfil pró-ativo e atento às transformações pelas quais a área passa, especialmente a transformação digital na saúde.

            As mudanças estão estimulando inovações curriculares importantes, visando formar alunos preparados para lidar com as necessidades de saúde do futuro, além de introduzir as novas tecnologias na aprendizagem.

            Pensa em ser um profissional da área? Continue a leitura do artigo e entenda o que é preciso estudar para se formar, como funciona o ensino médico, a importância dos recursos tecnológicos e exemplos de inovações que já fazem parte da área médica.

            O que é preciso estudar para ser médico? 

            Para se tornar médico, primeiro, é preciso fazer a graduação, com duração de seis anos, para obter o título de bacharel em Medicina. Após esta etapa, o formando pode atuar como Clínico Geral. Caso queira se especializar, começa uma nova etapa de estudos chamada de residência, na qual estuda uma área específica da medicina.

            A residência médica ou especialização é realizada em instituições de saúde especializadas em determinada área, que oferecem vagas para formação de novos profissionais. Segundo o Conselho Federal de Medicina, o período de estudo deve ser de, no mínimo, dois anos.

            Dependendo da especialização almejada, o estudo se estende por mais ou menos cinco ou seis anos. 

            Os médicos que se especializam na área cirúrgica, por exemplo, têm uma das residências mais longas. Isso porque para ser um cirurgião em determinada área, é preciso especializar-se primeiro em cirurgia geral, o que dura, em média, três anos.

            Após esse período, é preciso passar por um novo processo seletivo de residência para ingressar na especialização desejada, como cirurgia oncológica, plástica, pediátrica, vascular e urologia. São mais três anos de estudo, totalizando seis anos ao todo.

            Existem outras especialidades que não exigem pré-requisitos (acesso direto), mas são igualmente longas, como Cirurgia Cardiovascular, Neurocirurgia e Radioterapia, que duram cinco, cinco e quatro anos, respectivamente.

            Mestrado e doutorado em Medicina

            A carreira médica não para na residência. Muitos profissionais se dedicam a vida acadêmica com foco em tornarem-se professores e pesquisadores na sua área de interesse.

            O curso de mestrado em Medicina é oferecido por universidades e focado no aprendizado teórico e de pesquisa na área da saúde. A duração é de dois anos e após a formação, o aluno pode trabalhar como professor.

            Os profissionais que desejam se tornar pesquisadores, continuam sua formação no curso de doutorado, aprofundamento no seu campo de estudo. Nesta etapa, o trabalho é centrado em um tema, no qual o aluno realiza testes e pesquisas em busca de uma solução.

            A Medicina é não só uma carreira concorrida, mas também exige bastante estudo e aperfeiçoamento ao longo de toda a formação e planejamento em longo prazo. 

            Como funciona o ensino médico?

            Os seis primeiros anos do ensino médico são focados nas disciplinas teóricas, sendo a base da formação inicial em Medicina. Da metade do curso em diante, são introduzidas as disciplinas práticas, que colocam os alunos em contato com a realidade do trabalho médico. Na graduação, o processo de aprendizagem é contínuo e dinâmico.

            Seguindo as especificações exigidas pelo Ministério da Educação (MEC), a grade curricular das escolas de Medicina devem se basear em três grandes grupos: Educação em Saúde, Atenção à Saúde e Gestão em Saúde.

            As disciplinas e os conteúdos ministrados variam conforme a instituição. Alguns das matérias estudadas no curso são:

            • Bioquímica e Biofísica Médica
            • Cirurgia
            • Citologia
            • Clínica médica
            • Direitos Humanos e Cidadania
            • Genética e Biologia Molecular
            • Ginecologia e Obstetrícia
            • Imunologia Médica
            • Introdução à Antropologia e à Filosofia
            • Parasitologia
            • Processos Patológicos Gerais: teoria e prática
            • Psicologia Médica
            • Saúde da Criança e do Adolescente
            • Saúde da Família e Comunidade
            • Urgência e Emergência

            A parte prática do curso inclui disciplinas, como:

            • Saúde Mental
            • Saúde Coletiva
            • Pediatria 
            • Obstetrícia 
            • Ginecologia 
            • Clínica Médica 
            • Cirurgia 

            Além disso, os alunos passam por estágios obrigatórios tanto na Atenção Básica quanto no serviço de urgência e emergência.

            Por ser um curso com um volume significativo de disciplinas, exige dedicação integral. Então, esse é mais um ponto importante para quem pensa em seguir a carreira em Medicina.

            Qual a importância da transformação digital na saúde?

            Assim como outras áreas, o ensino médico e o exercício da medicina vêm sendo impactados pela transformação digital na saúde.

            Os equipamentos, máquinas e dispositivos incorporados ao atendimento médico melhoram a qualidade do atendimento, agilizam diagnósticos e ajudam na prevenção e na promoção dos cuidados básicos de saúde.

            A tecnologia ainda facilita o acesso à informação, permitindo que os alunos encontrem facilmente materiais para pesquisas e entrem em contato com pesquisadores e professores de diversas instituições. 

            O intercâmbio de conhecimento estimula o interesse dos alunos e seu engajamento nos estudos, o que pode resultar em mais inovações em tratamentos e abordagens para realizar diagnósticos, reduzindo a incidência de doenças que afetam a população.

            Outros benefícios que alcançados com a inclusão da tecnologia são:

            Mais investimentos em pesquisas de novos medicamentos

            Em 2022, os investimentos das 15 maiores companhias da indústria farmacêutica para pesquisa e desenvolvimento de medicamentos pós-pandemia bateu recorde de US$ 138 bilhões, segundo o levantamento do Institute for Human Data Science.

            As inovações nos processos e os avanços tecnológicos aceleraram devido à pandemia da COVID-19 e, com isso, as mudanças operacionais e organizacionais trouxeram ganhos contínuos de produtividade. 

            Atendimento personalizado para os pacientes

            A qualidade experiência na jornada do paciente precisa ser cada vez mais eficiente para garantir a precisão da abordagem médica. 

            Com o apoio da tecnologia é possível melhorar a organização das atividades em consultórios, clínicas e hospitais, aumentar a adesão do paciente ao tratamento e fidelizá-los oferecendo um atendimento personalizado, ágil e compatível com as expectativas.

            Facilidade no acesso a dados científicos

            A internet permite que estudantes e profissionais se conectem e conheçam os trabalhos que estão sendo desenvolvidos em outras instituições de ensino. Dessa forma, o conhecimento é compartilhado, permitindo colaborações a distância e presenciais.

            Diversas instituições de ensino do país investem e incentivam o intercâmbio de alunos e colaboram entre si em pesquisas e estudos que ajudam no avanço da medicina. 

            Melhorar a precisão dos diagnósticos

            A transformação digital na saúde trouxe melhorias para o processo de diagnóstico, aumentando a qualidade da análise por meio de equipamentos de exames de imagens e análises laboratoriais mais eficientes.

            As tecnologias disponíveis ainda facilitam o processo de aprendizado dos alunos, auxiliando na compreensão dos resultados e treinando-os para fazer análises complexas.

            Leia também >>> Medicina diagnóstica: o que é? Como funciona? + 7 tendências.

            Mais segurança nas cirurgias

            Atualmente, os médicos têm disponíveis uma série de recursos que permitem não só avaliar o paciente com precisão antes, mas também durante procedimentos cirúrgicos, contornando imprevistos com rapidez. 

            Dessa forma, o processo cirúrgico fica mais seguro e os riscos são minimizados com o acesso a equipamentos de ponta. 

            10 inovações tecnológicas na medicina

            As inovações tecnológicas na medicina impactam o ensino médico, uma vez que os alunos terão contato com essas inovações tanto em suas pesquisas teóricas quanto na experiência prática durante sua formação.

            A seguir, listamos as principais novidades que já estão em prática na Medicina e como elas contribuem para o desenvolvimento da área. 

            1. Simulações médicas virtuais

            Quando o assunto é inovação e ensino médico, as simulações médicas virtuais são um exemplo atual que está transformando o processo de aprendizado. 

            Os recursos de realidade virtual e realidade aumentada, estão sendo aplicados na sala de aula para criar experiências de aprendizagem imersivas e detalhadas para os estudantes. 

            Assim, os alunos têm uma ideia mais próxima do que seria um atendimento real e conseguem treinar técnicas com precisão.

            Leia mais >>> Metaverso na saúde: O que é? Quais os impactos? 

            2. Plataformas de ensino à distância (EAD)

            O ensino médico ampliou as fronteiras de conhecimento por meio das plataformas de ensino a distância, o famoso EAD. Essa tecnologia ampliou o acesso de estudantes a educação de qualidade, além de aumentar as possibilidades de capacitação profissional.

            Isso porque as plataformas ainda facilitam o intercâmbio entre as instituições, criando espaços colaborativos seguros para alunos e pesquisadores trocarem dados e trabalharem em conjunto 

            3. Inteligência Artificial na saúde

            Antes da chegada dos computadores e da internet, as análises e pesquisas médicas demoravam e, em muitos casos, o tempo era valioso. 

            Com a integração da Inteligência Artificial na saúde, uma nova era começa já que é possível treinar algoritmos para realizarem análises em poucos segundos nos bancos de dados. 

            O uso de IA tem um grande potencial, mas existem desafios como aponta o Ethics and governance of artificial intelligence for health, relatório produzido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

            O relatório destaca como principais desafios: uso antiético dos dados de saúde, preconceitos embutidos no comando dos algoritmos e cibersegurança dos sistemas digitais.

            4. Telemedicina

            A nova geração de médicos terá contato com a telemedicina, que permite a realização de atendimento médico remotamente. A modalidade foi utilizada durante a pandemia para reduzir o fluxo de pessoas nos hospitais e para orientar casos leves de COVID-19.

            Existem sistemas exclusivos para teleatendimento, que permitem não só realizar chamadas de voz e vídeo, mas registrar os dados do paciente no prontuário eletrônico. A vantagem é que as informações podem ser pesquisadas por outros membros da equipe médica. 

            5. Prontuário eletrônico

            Outra inovação tecnológica útil na medicina é o prontuário eletrônico. Saem as pranchetas de papel e entram os tablets com o sistema de registro instalados, que facilitam o repasse de informações internas dos pacientes.

            O recurso agiliza o atendimento médico, os cuidados da equipe de apoio e reduz erros no tratamento, facilitando a pesquisa em casos de dúvidas.

            Leia também >>> Prontuário médico eletrônico: o que é + principais vantagens.

            6. Wearables (tecnologias vestíveis)

            Os relógios inteligentes, pulseiras de monitoramento da pressão arterial, palmilhas ortopédicas são alguns exemplos de wearables, ou tecnologias vestíveis, que estão melhorando a qualidade dos tratamentos médicos.

            Os dispositivos são utilizados no monitoramento remoto de pacientes, enviando dados para o sistema disponível para os médicos, permitindo o envio de instruções e ajustes ao longo do tratamento. Além de melhorar o engajamento dos pacientes com os protocolos.

            7. Robótica

            A robótica na medicina está contribuindo para a realização de cirurgias menos invasivas e mais precisas, auxiliando a obter resultados mais eficientes em pacientes que passam por procedimentos delicados.

            A projeção é que, até 2025, 2 milhões de cirurgias robóticas sejam realizadas por ano em todo mundo. No Brasil, 100 mil procedimentos já foram realizados com auxílio de robôs. 

            Com o campo em crescimento, o ensino médico pode discutir as inovações da área com os estudantes.

            8. Impressão 3D

            A tecnologia de impressão 3D é outra inovação tecnológica que já é utilizada na medicina para a produção de tecidos, vasos sanguíneos e até de órgãos inteiros. 

            Os equipamentos ainda são capazes de criar reproduções de tumores e fabricar implantes e próteses para corrigir pequenos defeitos. A área também está em expansão e, com certeza, estará no radar do ensino médico nos próximos anos.  

            9. Bancos de dados digital

            A eficiência dos sistemas baseados em inteligência artificial  depende da qualidade do banco de dados disponível. Quanto melhor organizados e estruturados forem os dados, melhores serão os resultados.

            Como destacamos acima, o bom treinamento dos profissionais é fundamental para os algoritmos produzirem análises mais confiáveis. Um assunto que poderá ser mais discutido no ensino médico. 

            10. Receituário digital

            Fechando a lista de inovações tecnológicas na medicina, temos o receituário digital, a versão da receita de papel no formato de imagem ou PDF, gerado por meio de um sistema digital que autentica o documento. 

            Essa tecnologia permite que o paciente apresente a prescrição no seu celular e compre seus medicamentos, inclusive os controlados sem problemas. A receita digital possui um código token, que garante sua validade e autenticidade.

            Leia também >>> Receita digital: como funciona e o que não pode faltar?

            Gostou de conhecer mais sobre o ensino médico e como a tecnologia está impulsionando as inovações na medicina? Estar por dentro das novidades ajuda a direcionar o interesse na área e a dedicar-se a oportunidades de aprendizado que podem impulsionar a carreira.

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