Certamente você já deve ter ouvido aquela frase: você é o que você come, não é mesmo? E quando o assunto é nutrição e saúde da mulher isso está ainda mais relacionado. Afinal, podemos tanto desencadear doenças, como prevenir ou até mesmo tratá-las apenas com a alimentação. 

Para se ter uma ideia, no Brasil, cerca de 15% das mulheres possuem endometriose, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). A endometriose é uma doença ginecológica e se caracteriza pela presença de tecido uterino fora do útero.

De acordo com um estudo, o desenvolvimento dessa doença está associado com a pouca presença de vitaminas C e E e de fibras na dieta. Dessa forma, existe uma redução considerável no risco de desenvolvê-la quando as mulheres consomem muitas verduras verdes e frutas. Além disso, consumir alimentos orgânicos também favorece sua prevenção.

No entanto, esse é apenas um dos exemplos de como a alimentação influencia na saúde da mulher. Vamos explicar outras situações logo a seguir. Acompanhe.

Como a alimentação influencia na saúde?

A alimentação influencia na saúde da mulher das mais variadas maneiras. Uma nutrição adequada e direcionada para um estado particular da mulher pode amenizar sintomas de doenças e aumentar sua qualidade de vida. 

Por exemplo, é possível introduzir alguns alimentos ricos em triptofano nos períodos pré-menstruais, pois o triptofano é precursor da serotonina, o hormônio do bem-estar, e isso vai reduzir a irritabilidade, que é aumentada em algumas mulheres quando estão nessa fase. Alguns exemplos são frutos secos, abacate, nozes, castanhas e cacau.

Dessa forma, em cada fase da mulher alguns alimentos favorecem mais do que outros. 

Além disso, uma alimentação pobre em nutrientes e rica em gordura também pode ocasionar em obesidade ou sobrepeso que prejudicam a saúde de qualquer pessoa. Contudo, como estamos falando de nutrição e saúde da mulher, devemos salientar os problemas que isso pode trazer para elas. 

Portanto, a alimentação pode ocasionar disfunções sexuais nas mulheres, como o transtorno do desejo sexual, diminuição ou ausência de libido, transtorno da excitação ou orgástico, vaginismo e dispareunia.

Um estudo realizado na Universidade Federal de Santa Catarina mostrou que 60% das mulheres obesas têm maior associação com pior função sexual do que as mulheres com sobrepeso e eutróficas. Além disso, 80% das mulheres obesas apresentam dispareunia, que é a dor durante ou depois da relação sexual. 

Dessa forma, uma mulher que possui dispareunia em decorrência do vaginismo pode ser aconselhada a consumir alimentos que ajudam a regular os hormônios femininos e equilibrar o sistema nervoso. A ingestão de alimentos ricos em magnésio, cálcio, vitaminas B e E contribuem muito. 

Muitas vezes nem imaginamos o impacto que uma nutrição adequada exerce em nossa vida, não é mesmo? Mas, com tanta informação que encontramos por aí e que nos falam, é comum surgir a dúvida sobre o que é mesmo uma nutrição adequada. 

O que é uma nutrição adequada?

Para entender o que é uma nutrição adequada é preciso antes entender em qual fase da vida a mulher se encontra e como está sua saúde. Afinal de contas, cada ser é único e possui necessidades específicas. E, quando falamos em nutrição e saúde da mulher isso fica ainda mais evidente. 

Isso porque em cada fase da mulher ela precisa estar mais atenta ao consumo de um determinado tipo de alimento. Por exemplo, entre 20 e 30 anos, que é quando geralmente a mulher está em seu período mais fértil e ao menstruar pode haver maior risco de anemia, então é necessário consumir alimentos ricos em ferro, como os feijões, por exemplo.

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entre os 30 e 40 anos ela passa a produzir menos colágeno, por isso o consumo de alimentos ricos em vitamina C, como as frutas ácidas como acerola e kiwi, pode ser muito indicado nessa fase. 

Quando ela passa dos 40 anos, por outro lado, ela produz menos estrogênio, o metabolismo diminui e também pode haver perda de massa muscular. Nessa fase, é aconselhável que ela consuma alimentos ricos em cálcio e em fibras e também de derivados de soja, pois a soja é rica em isoflavonas que possuem ação parecida com a do estrogênio e também aliviam sintomas de menopausa.

Embora todos esses alimentos tragam muitos benefícios para a saúde da mulher, o mais adequado é sempre procurar ajuda de um profissional para fazer a avaliação e prescrição correta de uma dieta balanceada para cada necessidade. Além disso, ele também vai avaliar a necessidade de uma reposição mais forte de algum nutriente em seu organismo.

Agora que você viu o que é uma nutrição adequada e como ela é importante para a saúde da mulher, pode ter surgido a dúvida: Mas, como a nutrição é aplicada à saúde em geral?  

Como a nutrição é aplicada à saúde?

A nutrição é aplicada à saúde principalmente como uma forma de prevenção de doenças. Afinal de contas, é muito mais fácil prevenir do que tratar, certo? Sem contar que é bem melhor adequar a dieta e utilizar alimentos como remédios do que chegar em um momento da vida em que a cada hora temos que tomar um medicamento diferente, não é mesmo? 

Dessa forma, quanto melhor a nossa alimentação melhor será nossa saúde. E, na medida em que conhecemos os benefícios dos alimentos e como eles podem nos ajudar a prevenir doenças, melhor vai sendo nossa qualidade de vida. 

Portanto, a nutrição é aplicada à saúde principalmente como uma forma de prevenir doenças ou quadros mais graves. No entanto, em diversas vezes ela pode até mesmo ser parte fundamental do tratamento. 

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Mas, afinal, como a nutrição e a saúde da mulher estão relacionadas? Veja abaixo algumas dicas para ter no alimento um aliado para sua saúde. 

Nutrição e saúde da mulher: 5 dicas 

1. Alimentos anti-inflamatórios para endometriose

A alimentação não cura, mas ajuda a melhorar os sintomas da endometriose. Como essa é uma doença inflamatória, é importante consumir alimentos anti-inflamatórios para ter seus sintomas reduzidos. Isso inclui aqueles alimentos ricos em:

  • Resveratrol como uva, açaí e goiaba; 
  • Catequinas, como chá verde e cacau; 
  • Brássicas, como brócolis, couve e espinafre;
  • Fibras, como chia, linhaça, gergelim e sementes de girassol e de abóbora. 

Além disso, alguns nutrientes são extremamente importantes no que diz respeito à nutrição e saúde da mulher que possui endometriose, que são: magnésio (porque melhora o sono e o humor e promove relaxamento); Ômega 3 (melhora sintomas de cólica e inflamações) e vitamina D (melhora inflamação). 

Além disso, como mencionamos anteriormente, o consumo de alimentos ricos em vitamina C trazem diversos benefícios e comprovam que a nutrição e a saúde da mulher andam juntas. Além de contribuírem para a prevenção da endometriose, ela também fortalece o sistema imunológico, ajuda na absorção de ferro e previne contra radicais livres.  

Ela é facilmente encontrada em diversos alimentos, como acerola, limão, manga, kiwi e goiaba; até mesmo pimentão e couve possuem vitamina C. A dose diária recomendada para mulheres é de 75mg.

2. Soja e linhaça amenizam sintomas da menopausa e previnem câncer

Outro alimento que influencia muito na saúde da mulher é a soja. Ela é rica em proteína, que ajuda na construção muscular; em cálcio, importante para o metabolismo ósseo que vai impactar principalmente na menopausa; e em ferro, que é imprescindível para mulher, pois há uma perda grande de ferro durante a menstruação. 

Além de tudo isso, ela possui grande quantidade de isoflavona que ajudam a reduzir os riscos de câncer de mama e de colo de útero e também ameniza os sintomas da menopausa. Consumir uma média de 25g por dia de soja já é suficiente para começar a obter seus benefícios. 

O consumo de linhaça também ajuda a reduzir os efeitos da menopausa e os riscos de doenças decorrentes dessa fase da mulher por conta da lignana presente em sua composição.

A lignana age como protetora, ela funciona como uma neutralizadora do estrogênio e impede que esse hormônio afete as glândulas mamárias, principalmente. Ajudando, dessa forma, a prevenir o câncer de mama. Além disso, em períodos de menstruação e em baixa hormonal, como na menopausa, elas atuam substituindo a função do estrogênio.  

A melhor forma de consumir a linhaça é em sua forma de farinha e é importante que você mesma a faça no momento em que vai consumi-la, para evitar a oxidação. 

Nutrição e saúde da mulher linhaça

3. Cranberry ajuda a combater infecções urinárias

As frutas vermelhas no geral são ótimas aliadas à saúde da mulher. No entanto, a cranberry é umas das mais poderosas. Isso porque ela é uma das frutas mais ricas em antioxidantes que contribuem para limpar os radicais livres do organismo, ajuda na melhora da memória e inibe doenças neurodegenerativas. 

Contudo, o destaque para essa frutinha vermelhinha é para seu uso na prevenção e tratamento de infecção urinária. Ela impede que a bactéria E. coli fique instalada à mucosa da bexiga impedindo sua reprodução, reduzindo assim a ocorrência de infecções urinárias.  

No Brasil a cranberry é mais facilmente encontrada na forma seca em qualquer loja de produtos naturais. Veja na imagem abaixo como ela é: 

Nutrição e saúde da mulher cranberry

4. Evitar alimentos ricos em glicose ajuda na redução da candidíase

Alguns alimentos ajudam a evitar o crescimento de fungos que causam a candidíase. Dessa maneira, retirar determinados alimentos da dieta e incluir outros vão ajudar nesse controle quando já existe o diagnóstico dessa doença. 

A glicose favorece muito a proliferação de fungos, portanto, deve-se consumir o mínimo possível de açúcar e carboidrato em geral principalmente. Nessa fase é importante também evitar alimentos que são mais susceptíveis à contaminação fúngica, como por exemplo, pistache, amendoim, milho e castanha de caju, que podem piorar seu quadro. 

Além disso, alimentos e bebidas fermentados como cerveja, vinho, vinagre e massas e pães feitos com fermento biológico; leite e derivados também devem ser evitados, caso a mulher esteja com candidíase. 

Por outro lado, adicionar certos alimentos vai contribuir para evitar um quadro de infecção, pois melhoram o sistema imune e nutrem o intestino. Os principais minerais e vitaminas são: 

    • Ferro: vegetais verde-escuros e leguminosas;
    • Zinco e Selênio: castanhas, grão-de-bico e cacau;
    • Vitamina E: azeite, castanhas e amendoim;
    • Ácido Fólico: vegetais verde-escuros, leguminosas e cereais integrais;
    • Biotina: nozes, amendoim e cereais;
    • Probióticos e prebióticos
    • Ácido láurico e ácido caprílico: esses são muito importantes para a prevenção da cândida, pois ajudam a causar a inativação do fungo. Estão presentes no óleo de coco extravirgem. 

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5. Emagrecer reduz efeitos da Síndrome do Ovário Policístico (SOP)

A Síndrome do Ovário Policístico (SOP) é um distúrbio endócrino feminino. Geralmente, a mulher com SOP pode possuir maior acúmulo de gordura visceral que é muito nociva à saúde. 

Dessa forma, uma dieta balanceada e a prática de atividade física, ou seja, uma mudança de estilo de vida, já ajudam muito a melhorar esse quadro. Com a perda de 2 a 7% do peso já ajudam nessa melhora. 

Para isso, é importante priorizar alimentos com baixo índice glicêmico e baixa carga glicêmica, ou seja, diminuir a ingestão de carboidratos e quando consumi-los priorizar a qualidade, como os alimentos integrais.  

Além disso, outras substâncias também podem ser incluídas para favorecer no tratamento de SOP, como: 

  • Consumo de especiarias: canela e cúrcuma;
  • Sementes de linhaça; 
  • Alimentos probióticos como kefir, iogurte e kombucha. 
  • Gorduras boas, como abacate, coco, azeite e nozes. 

Agora que você já sabe como a alimentação influencia na saúde e o que é uma nutrição adequada, que tal continuar acompanhando as novidades do blog da Memed? Fique por dentro de tudo que está em torno da saúde.