O absenteísmo é a falta justificada ou o não comparecimento voluntário em um compromisso no qual se espera a presença de um indivíduo. Como um fenômeno comum em várias áreas de trabalho, o absenteísmo na saúde é um problema enfrentado por instituições públicas e privadas.
Neste artigo, explicamos o que é e qual o impacto do absenteísmo no setor da saúde, as causas mais frequentes ligadas às faltas, como os pacientes são afetados e as possíveis soluções para reduzir os índices de absenteísmo.
Continue a leitura e confira!
O que é absenteísmo na saúde?
O absenteísmo na saúde é a ausência de profissionais, justificada ou não, em seus locais de trabalho para o cumprimento de suas funções. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) recomenda que as organizações mantenham o índice de absenteísmo a uma taxa de até 2,5% ao ano.
Segundo a consultora especializada em absenteísmo, Amanda Hamilton-Atwell, além de afetar a produtividade, isso gera atritos no relacionamento entre os funcionários, impacta a qualidade dos serviços e a conduta profissional.
A redução do índice de faltas é um dos métodos mais subestimados de redução de custos em empresas, o que inclui a gestão hospitalar.
Uma pesquisa do Programa Brasileiro de Segurança do Paciente (PBSP), baseada na análise de dados de 23 instituições de saúde de diferentes regiões do país, destaca que o absenteísmo de profissionais gera R$ 25 milhões ao ano de prejuízo às instituições.
Afinal, para cada profissional que se ausenta, outro precisa ganhar hora extra, o que aumenta os gastos com a folha de pagamento, além de gerar atrasos nos atendimentos, dependendo do quão em cima da hora o médico comunica a falta, por exemplo.
Causas relacionadas
As causas relacionadas ao absenteísmo na saúde são tão variadas quanto em qualquer outra área. Logo, a gestão hospitalar de cada instituição deve ter um registro dos motivos mais frequentes para que eles possam ser evitados e reduzidos.
Alguns exemplos de causas gerais relacionadas ao absenteísmo são:
- problemas de saúde ou doença;
- acidentes de trabalho;
- problemas de saúde na família do profissional;
- licença maternidade/paternidade;
- entre outros não justificados.
A causa que apresenta o maior índice de ocorrência é o ‘absenteísmo-doença’, que é quando o profissional possui um atestado, comprovando a necessidade de afastamento.
Qual o impacto do absenteísmo no setor da saúde?
O impacto do absenteísmo no setor da saúde é percebido em diferentes aspectos do atendimento aos pacientes e da gestão da unidade de saúde. Isso porque as escalas contam com um número definido de profissionais, então, quando acontecem ausências não previstas, o sistema não funciona.
As principais impactos e também mais comuns para o setor médico são:
Aumento da demanda por atendimento e mais casos de urgência
Quando o paciente não consegue atendimento em um determinado dia por causa da falta de profissional, a tendência é que ele e outros voltem, aumentando cada vez mais a fila de espera.
Dessa forma, toda equipe vai precisar trabalhar mais e, potencialmente, lidar com mais casos de urgência, já que o adiamento de uma consulta pode piorar o quadro de saúde do paciente.
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Desperdício de recursos de saúde
O desperdício de recursos por causa do absenteísmo na saúde é outro impacto importante, pois toda unidade estará ativa, seja hospital, clínica ou consultório. Isto é, energia elétrica, equipamentos, profissionais de apoio e recepção continuam sendo utilizados e disponíveis.
A atividade principal (o atendimento) não é realizada corretamente, mas os gastos são mantidos. Isso impacta diretamente a gestão financeira que terá os custos aumentados, porém, não terá o mesmo crescimento nas entradas.
Queda na produtividade
Outro impacto coletivo que o alto índice de absenteísmo na saúde gera é a queda na produtividade da equipe.
Quando um profissional falta, outro trabalha mais para cumprir seu horário. Mesmo sendo pago, se essa necessidade é frequente, leva à exaustão dos profissionais que sempre cobrem os faltantes.
Sem contar a desmotivação que gera na equipe quando a causa da ausência não está relacionada a nenhum motivo justificável. As informações sempre correm, por isso, a gestão hospitalar precisa ficar atenta.
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Perda de eficiência na gestão
Manter uma instituição de saúde ativa e funcionando exige um equilíbrio financeiro preciso para que os gastos não sejam mais altos do que a receita disponível para mantê-los.
Como já mencionamos, o absenteísmo gera um prejuízo financeiro alto por causa do remanejamento da equipe e pagamento de hora extra e auxílio-doença, entre outros fatores.
Consequências do absenteísmo para os pacientes
O impacto do absenteísmo na saúde também chega aos pacientes. A falta de continuidade dos atendimentos, por exemplo, prejudica a criação de vínculos com os médicos.
Além disso, se não houver um bom sistema de prontuário médico, o compartilhamento de dados e as atualizações são comprometidos, atrasando o progresso do tratamento e causando erros que podem prejudicar a saúde do paciente.
E o absenteísmo no SUS?
Imagine os impactos descritos acima em escala nacional e terá uma noção das consequências que o absenteísmo causa no Sistema Único de Saúde (SUS), nossa rede pública.
Quando a estrutura envolve mais pessoas, diferentes regiões e perfis populacionais específicos, os cuidados com o absenteísmo são tanto em relação à falta dos profissionais quanto dos pacientes.
As consequências incluem: descontinuidade do tratamento, atraso nos diagnósticos, aumento do tempo de espera por atendimento nas unidades, insatisfação com a qualidade do serviço e aumento das demandas de urgência e emergência.
Gestão hospitalar: possíveis soluções para reduzir o absenteísmo
A gestão hospitalar precisa coletar dados para analisar as principais causas do absenteísmo na instituição e, assim, definir soluções para cada problema. Algumas dicas gerais que podem ser aplicadas são:
- melhorar as condições de trabalho, oferecendo escalas flexíveis;
- criar regras de rodízio na equipe para os profissionais não façam turnos seguidos com frequência;
- estabelecer uma política para atestados e medidas para evitar fraudes;
- promover debates educacionais sobre absenteísmo e seus prejuízos;
- implementar a telemedicina para atendimento remoto de apoio.
DICA: para criar cada plano de ação, use o método 5W2H para organizar cada meta de absenteísmo, respondendo às questões abaixo.
- O que é a meta?
- Por que ela é necessária?
- Quem será o responsável?
- Onde (o setor responsável)?
- Quando (prazo/cronograma do plano)?
- Como (as etapas que serão seguidas)?
- Quanto será investido no plano?
O papel dos médicos na redução do absenteísmo
O comprometimento dos médicos com o trabalho e a profissão são essenciais para garantir que o absenteísmo na saúde diminua. Claro que imprevistos acontecem, mas é essencial que sejam mais exceção do que regra.
O dinamismo e a modernização da estrutura de trabalho também contribuem para a atividade profissional. O atendimento remoto, por exemplo, é uma opção útil, além do apoio de ferramentas, como sistemas de emissão de receita digital, que facilitam a prescrição a distância.
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