A vacina é a principal e mais eficaz maneira de se proteger contra várias doenças. Foi graças à vacinação em massa que muitas patologias imunopreveníveis foram erradicadas do Brasil ou diminuíram significativamente o número de novos casos e complicações, como a poliomielite, a rubéola, a febre amarela, o sarampo e, mais recentemente, a covid-19.
No entanto, apesar de terem a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e serem reconhecidas e recomendadas, inclusive, por órgãos de regulação internacionais e pela própria Organização Mundial da Saúde, muitas pessoas têm dúvidas sobre a importância e eficácia dos imunizantes.
Especificamente nos últimos anos, um outro “vírus” bastante perigoso começou a circular de forma agressiva: a desinformação. Uma verdadeira campanha de desinformação sobre as vacinas ganhou força, espalhando incerteza e insegurança a respeito da vacinação.
Para você ter uma ideia, a cobertura vacinal contra a poliomielite no Brasil está abaixo dos 95% – mínimo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) – desde 2015. Em 2022, essa cobertura ficou em 44,59%.
Tendo isso em vista, os médicos e os demais profissionais de saúde desempenham um papel fundamental para esclarecer os questionamentos da população e orientá-los a colocar o cartão de vacina em dia.
Neste artigo, vamos explicar tudo o que você precisa saber sobre imunização coletiva para, assim, incentivar a adesão dos seus pacientes aos imunizantes.
Continue a leitura deste guia completo para conferir os principais pontos!
- O que é vacinação em massa?
- O que é o Programa Nacional de Vacinação?
- ACS e vacinação: entenda o trabalho do Agente Comunitário de Saúde
- Qual a importância da vacinação em massa?
- Imunização de rebanho: 5 benefícios da vacinação em massa
- Quais são as vacinas disponíveis hoje para tomar?
- Vacinação e saúde pública: esclarecendo mitos e verdades
O que é vacinação em massa?
A vacinação em massa consiste em imunizar o maior número possível de pessoas contra determinada doença. O objetivo é reduzir ao máximo a proliferação de agentes infecciosos e os quadros graves de certas patologias no menor tempo possível. Quando bem sucedida, atinge-se a chamada imunização de rebanho – ou imunização coletiva.
Basicamente, a imunidade de rebanho se refere a uma situação em que a maioria da população está imunizada contra determinado agente infeccioso a ponto de esses indivíduos serem capazes de proteger (indiretamente) aqueles que não se vacinaram.
A vacinação em massa visa eliminar ou reduzir ao máximo a circulação de vírus e bactérias e promover a proteção coletiva contra diversas patologias.
Para isso, as vacinas contêm em sua fórmula uma versão enfraquecida ou inativa de determinado agente infeccioso. Uma vez no organismo, elas induzem a produção de anticorpos contra esse vírus ou bactéria. Assim, caso sejamos infectados pelo agente “de verdade”, o corpo já estará preparado para combater tal microorganismo e impedir as formas graves da doença.
O vídeo abaixo ilustra muito bem como as vacinas agem no organismo:
O que é o Programa Nacional de Vacinação?
O Programa Nacional de Imunizações (PNI) foi criado em 1973 pelo Ministério da Saúde com o intuito de ampliar a cobertura vacinal em todo o território brasileiro, conscientizar a população sobre doenças imunopreveníveis e melhorar a qualidade de vida das pessoas.
Nas últimas cinco décadas, o PNI tem evoluído ano após ano e hoje é um dos maiores Programas do mundo. Atualmente, oferece 47 imunobiológicos para toda a população, de todas as faixas etárias.
Além disso, o Programa Nacional de Imunização realiza campanhas periódicas para orientar as pessoas sobre a importância de se vacinar e conscientizá-las a procurar uma Unidade Básica de Saúde mais próxima para atualizar o cartão de vacinas.
O PNI promove a integração de todas as ações de imunização coletiva no Brasil e estabelece diretrizes que são seguidas de norte a sul do país.
As atividades do programa têm respaldo na legislação. A Lei 6.259/1975 e o Decreto 78.231/1976 tratam especificamente sobre vacinação e vigilância epidemiológica.
Hoje, o PNI tem como algumas de suas principais metas a completa erradicação do sarampo e do tétano neonatal. A primeira, inclusive, havia sido eliminada do Brasil. Tanto é que o país recebeu, em 2016, o certificado oficial de erradicação do sarampo. Porém, em 2019, mais de 10 mil novos casos da doença e 2 óbitos foram confirmados, fazendo com que o Brasil perdesse a certificação.
Veja também: ALERTA! 6 doenças que estão voltando por falta de vacinação!
É também papel do PNI adquirir, distribuir e estabelecer normas sobre a utilização dos chamados imunobiológicos especiais – que são indicados para grupos muito específicos da população.
ACS e vacinação: entenda o trabalho do Agente Comunitário de Saúde
Na vacinação em massa, existe um ator que desempenha papel de extrema relevância para ampliar a cobertura vacinal. Estamos falando do Agente Comunitário de Saúde (ACS).
Esse profissional é indispensável para garantir a proteção da população contra as doenças imunopreveníveis. No que tange à imunidade coletiva, o trabalho do ACS consiste em dar a orientação de vacinação na comunidade, identificar situações de risco e fazer controles epidemiológicos.
O agente conhece as pessoas do bairro e pode adotar uma abordagem mais próxima para conscientizar a população a tomar as vacinas necessárias.
O ACS ajuda a estabelecer uma relação de confiança entre os cidadãos e o serviço de saúde. Esse contato direto que o agente faz ao ir de porta em porta é extremamente necessário para que mais pessoas possam ter acesso aos imunizantes e às políticas públicas do PNI.
Os agentes comunitários verificam a carteira de vacinação das famílias e dão os direcionamentos para que todos possam completar o esquema vacinal – se necessário.
O trabalho do ACS integra a Estratégia de Saúde da Família (ESF). Implementada em 1994, a iniciativa foi pensada para fortalecer o primeiro nível de atenção à saúde.
Resumindo, as atribuições dos agentes comunitários de saúde no que se refere à imunização coletiva são:
- verificar periodicamente a Caderneta de Saúde da Criança;
- divulgar campanhas de vacinação em massa;
- esclarecer dúvidas sobre os imunizantes;
- conscientizar a comunidade sobre os benefícios da vacinação a importância de completar o esquema vacinal;
- fornecer orientações sobre onde conseguir os imunizantes;
- combater mitos e preconceitos sobre as vacinas;
- fazer a busca ativa de quem não compareceu ao posto de saúde para tomar as doses de reforço.
Vacinação em massa: qual a importância?
A vacinação em massa é importante para que se consiga erradicar patologias imunopreveníveis ou, pelo menos, reduzir de maneira significativa novos casos, mortes e formas graves de certas doenças.
Um exemplo recente que ajuda a traduzir a importância da vacinação em massa é a diminuição expressiva de mortes e internações em decorrência da covid-19.
Um estudo feito com base em análises estatísticas revelou que houve uma redução de 96,44% no número de mortes causadas pela covid-19.
A pesquisa intitulada “Iluminando o impacto populacional das vacinas COVID-19 no Brasil” faz uma relação direta entre a ampliação da cobertura vacinal e o declínio dos óbitos. O estudo contemplou o período de 17 de março de 2020 a 19 de outubro de 2021.
Ou seja, estar devidamente vacinado é importante não só para a sua saúde individual, mas também para o bem-estar coletivo.
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Imunização de rebanho: 5 benefícios da vacinação em massa
Quando o assunto é prevenção de doenças, a vacina é uma das formas opções mais seguras e eficazes. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a vacinação em massa permite evitar uma média de 4 mortes por minuto e ainda economizar cerca de R$ 250 milhões por dia.
Outros benefícios da vacinação que valem a pena destacar são:
- evita a propagação de agentes infecciosos;
- promove a qualidade de vida da população;
- evita sobrecarregar o sistema de saúde;
- aumenta a expectativa de vida;
- reduz a taxa de mortalidade infantil.
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Imunização coletiva: quais são as vacinas disponíveis hoje para tomar?
Vários imunizantes estão disponíveis na rede pública e particular para que a população possa se proteger de diferentes agentes infecciosos. Confira abaixo os principais.
Tríplice bacteriana
Esta vacina protege contra três doenças ao mesmo tempo: difteria, coqueluche e tétano. A dTpa (dose única) e a dT (duas doses com intervalo de dois meses entre elas) estão disponíveis gratuitamente no Sistema Único de Saúde.
Influenza
A vacina da Influenza protege, atualmente, contra até 4 tipos de gripes (tetravalente): A H1N1, H3N2 e duas cepas da Influenza B (Brisbane e Phuket).
Essa vacina deve ser tomada anualmente. A dose anual também encontra-se disponível na rede pública de saúde.
Observação: as vacinas da rede pública e particular podem ter diferenças de cobertura.
Febre amarela
Hoje em dia, a vacina da febre amarela já está disponível em dose única. Mesmo quem já se vacinou contra essa doença antes dos 5 anos de idade pode tomar essa nova dose.
Caso a pessoa for viajar para áreas de risco ou para países em que a febre amarela é endêmica, é necessário receber o imunizante com, pelo menos, 10 dias antes da viagem.
Na Unidade Básica de Saúde mais próxima, você encontra a vacina contra a febre amarela.
Tríplice viral
Outra vacina que não pode faltar no seu cartão é a tríplice viral. Ela protege contra o sarampo, a caxumba e a rubéola. Também disponível no SUS, uma única dose já é suficiente para garantir a proteção.
Meningite B e ACWY
A meningite tem como agente infeccioso a bactéria Neisseria meningitidis (meningococo). O imunizante disponível na rede pública e privada protege contra os sorogrupos A, B, C, W e Y.
A vacina para o grupo B é administrada em duas doses, respeitando o intervalo de dois meses. Já o imunizando ACWY é administrado em dose única.
HPV
A vacina contra o HPV (Vírus do Papiloma Humano) está disponível no SUS. Inclusive, anualmente, são feitas campanhas para que os pais levem seus filhos para tomar essa vacina. Ela é indicada para crianças de 9 a 14 anos.
Outras vacinas que você pode tomar são:
- BCG
- Hepatite A
- Hepatite B
- Pneumocócica 10 valente
- Vacina Inativada Poliomielite (VIP)
- Vacina Oral Poliomielite (VOP)
- Vacina Rotavírus Humano (VRH)
- Varicela (catapora)
- Dengue
- Herpes Zoster
Vacinação e saúde pública: esclarecendo mitos e verdades
Quando o paciente chega ao consultório médico ou passa pela triagem em serviços de saúde, é comum que eles apresentem dúvidas sobre a vacinação. Nos dias de hoje, não é difícil que cheguem munidos de “informações” que receberam no “zap” ou nas redes sociais e que, muitas vezes, estão equivocadas (para dizer o mínimo).
Nesse sentido, é trabalho dos profissionais de saúde esclarecer mitos e verdades sobre vacinação e saúde pública. Confira abaixo o que é fato e o que é fake a respeito das vacinas.
Mito: não preciso me vacinar por causa da imunização de rebanho
A imunização de rebanho, conforme já mencionamos, é adquirida quando a maioria da população já está devidamente imunizada a ponto de ser capaz de proteger até mesmo as pessoas que não se vacinaram.
Estima-se que a partir de 80% de cobertura vacinal é que se consegue atingir a imunidade de rebanho – mas esse percentual depende do agente infeccioso e de outros fatores.
Mito: vacina da tríplice viral causa autismo
Vários estudos já comprovaram que não há relação entre vacinas da tríplice viral e o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Verdade: a vacina estimula a produção de anticorpo
Esse é o mecanismo das vacinas. O vírus morto ou enfraquecido faz com que o organismo produza anticorpos para eliminar esse corpo estranho. Assim, quando somos infectados pelo vírus ativo, já teremos “soldados” suficientes para combater esse invasor.
Depende: grávidas não podem se vacinar
Quando a gestante se vacina, os anticorpos produzidos passam para o bebê, o que é muito bom. Porém, imunizantes que utilizam vírus ou bactérias ativos (tríplice viral, dengue, HPV e varicela) não são recomendados. De toda maneira, vale esclarecer isso durante as consultas pré-natal.
Verdade: não tem problema tomar vacina duas vezes
Se o paciente perdeu o cartão de vacina e não tem certeza se já tomou determinado imunizante, não tem problema se ele receber duas vezes a mesma vacina “só pra garantir”.
Mito: a vacina da Covid-19 tem um chip
Essa é uma informação falsa que se espalhou durante a pandemia. Não, nenhuma vacina tem chip para monitorar as pessoas.
Bom, o que achou desse nosso guia sobre vacinação em massa?
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