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            • Vacinação em massa: como orientar pacientes sobre imunização coletiva?
            Publicado por Memed em 7 de agosto de 2023
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            Vacinação em massa

            A vacina é a principal e mais eficaz maneira de se proteger contra várias doenças. Foi graças à vacinação em massa que muitas patologias imunopreveníveis foram erradicadas do Brasil ou diminuíram significativamente o número de novos casos e complicações, como a poliomielite, a rubéola, a febre amarela, o sarampo e, mais recentemente, a covid-19.

            No entanto, apesar de terem a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e serem reconhecidas e recomendadas, inclusive, por órgãos de regulação internacionais e pela própria Organização Mundial da Saúde, muitas pessoas têm dúvidas sobre a importância e eficácia dos imunizantes.

            Especificamente nos últimos anos, um outro “vírus” bastante perigoso começou a circular de forma agressiva: a desinformação. Uma verdadeira campanha de desinformação sobre as vacinas ganhou força, espalhando incerteza e insegurança a respeito da vacinação.

            Para você ter uma ideia, a cobertura vacinal contra a poliomielite no Brasil está abaixo dos 95% – mínimo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) – desde 2015. Em 2022, essa cobertura ficou em 44,59%.

            Tendo isso em vista, os médicos e os demais profissionais de saúde desempenham um papel fundamental para esclarecer os questionamentos da população e orientá-los a colocar o cartão de vacina em dia.

            Neste artigo, vamos explicar tudo o que você precisa saber sobre imunização coletiva para, assim, incentivar a adesão dos seus pacientes aos imunizantes.

            Continue a leitura deste guia completo para conferir os principais pontos!

            • O que é vacinação em massa?
            • O que é o Programa Nacional de Vacinação?
            • ACS e vacinação: entenda o trabalho do Agente Comunitário de Saúde 
            • Qual a importância da vacinação em massa?
            • Imunização de rebanho: 5 benefícios da vacinação em massa
            • Quais são as vacinas disponíveis hoje para tomar?
            • Vacinação e saúde pública: esclarecendo mitos e verdades

            O que é vacinação em massa?

            A vacinação em massa consiste em imunizar o maior número possível de pessoas contra determinada doença. O objetivo é reduzir ao máximo a proliferação de agentes infecciosos e os quadros graves de certas patologias no menor tempo possível. Quando bem sucedida, atinge-se a chamada imunização de rebanho – ou imunização coletiva.

            Basicamente, a imunidade de rebanho se refere a uma situação em que a maioria da população está imunizada contra determinado agente infeccioso a ponto de esses indivíduos serem capazes de proteger (indiretamente) aqueles que não se vacinaram.

            A vacinação em massa visa eliminar ou reduzir ao máximo a circulação de vírus e bactérias e promover a proteção coletiva contra diversas patologias.

            Para isso, as vacinas contêm em sua fórmula uma versão enfraquecida ou inativa de determinado agente infeccioso. Uma vez no organismo, elas induzem a produção de anticorpos contra esse vírus ou bactéria. Assim, caso sejamos infectados pelo agente “de verdade”, o corpo já estará preparado para combater tal microorganismo e impedir as formas graves da doença.

            O vídeo abaixo ilustra muito bem como as vacinas agem no organismo:

            O que é o Programa Nacional de Vacinação?

            O Programa Nacional de Imunizações (PNI) foi criado em 1973 pelo Ministério da Saúde com o intuito de ampliar a cobertura vacinal em todo o território brasileiro, conscientizar a população sobre doenças imunopreveníveis e melhorar a qualidade de vida das pessoas.

            Nas últimas cinco décadas, o PNI tem evoluído ano após ano e hoje é um dos maiores Programas do mundo. Atualmente, oferece 47 imunobiológicos para toda a população, de todas as faixas etárias.

            Além disso, o Programa Nacional de Imunização realiza campanhas periódicas para orientar as pessoas sobre a importância de se vacinar e conscientizá-las a procurar uma Unidade Básica de Saúde mais próxima para atualizar o cartão de vacinas.

            O PNI promove a integração de todas as ações de imunização coletiva no Brasil e estabelece diretrizes que são seguidas de norte a sul do país.

            As atividades do programa têm respaldo na legislação. A Lei 6.259/1975 e o Decreto 78.231/1976 tratam especificamente sobre vacinação e vigilância epidemiológica.

            Hoje, o PNI tem como algumas de suas principais metas a completa erradicação do sarampo e do tétano neonatal. A primeira, inclusive, havia sido eliminada do Brasil. Tanto é que o país recebeu, em 2016, o certificado oficial de erradicação do sarampo. Porém, em 2019, mais de 10 mil novos casos da doença e 2 óbitos foram confirmados, fazendo com que o Brasil perdesse a certificação.

            Veja também: ALERTA! 6 doenças que estão voltando por falta de vacinação!

            É também papel do PNI adquirir, distribuir e estabelecer normas sobre a utilização dos chamados imunobiológicos especiais – que são indicados para grupos muito específicos da população.

            ACS e vacinação: entenda o trabalho do Agente Comunitário de Saúde 

            Na vacinação em massa, existe um ator que desempenha papel de extrema relevância para ampliar a cobertura vacinal. Estamos falando do Agente Comunitário de Saúde (ACS).

            Esse profissional é indispensável para garantir a proteção da população contra as doenças imunopreveníveis. No que tange à imunidade coletiva, o trabalho do ACS consiste em dar a orientação de vacinação na comunidade, identificar situações de risco e fazer controles epidemiológicos.

            O agente conhece as pessoas do bairro e pode adotar uma abordagem mais próxima para conscientizar a população a tomar as vacinas necessárias.

            O ACS ajuda a estabelecer uma relação de confiança entre os cidadãos e o serviço de saúde. Esse contato direto que o agente faz ao ir de porta em porta é extremamente necessário para que mais pessoas possam ter acesso aos imunizantes e às políticas públicas do PNI.

            Os agentes comunitários verificam a carteira de vacinação das famílias e dão os direcionamentos para que todos possam completar o esquema vacinal – se necessário.

            O trabalho do ACS integra a Estratégia de Saúde da Família (ESF). Implementada em 1994, a iniciativa foi pensada para fortalecer o primeiro nível de atenção à saúde.

            Resumindo, as atribuições dos agentes comunitários de saúde no que se refere à imunização coletiva são:

            • verificar periodicamente a Caderneta de Saúde da Criança;
            • divulgar campanhas de vacinação em massa;
            • esclarecer dúvidas sobre os imunizantes;
            • conscientizar a comunidade sobre os benefícios da vacinação a importância de completar o esquema vacinal;
            • fornecer orientações sobre onde conseguir os imunizantes;
            • combater mitos e preconceitos sobre as vacinas;
            • fazer a busca ativa de quem não compareceu ao posto de saúde para tomar as doses de reforço.

            Vacinação em massa: qual a importância?

            A vacinação em massa é importante para que se consiga erradicar patologias imunopreveníveis ou, pelo menos, reduzir de maneira significativa novos casos, mortes e formas graves de certas doenças.

            Um exemplo recente que ajuda a traduzir a importância da vacinação em massa é a diminuição expressiva de mortes e internações em decorrência da covid-19.

            Um estudo feito com base em análises estatísticas revelou que houve uma redução de 96,44% no número de mortes causadas pela covid-19.

            A pesquisa intitulada “Iluminando o impacto populacional das vacinas COVID-19 no Brasil” faz uma relação direta entre a ampliação da cobertura vacinal e o declínio dos óbitos. O estudo contemplou o período de 17 de março de 2020 a 19 de outubro de 2021.

            Ou seja, estar devidamente vacinado é importante não só para a sua saúde individual, mas também para o bem-estar coletivo.

            Leia também: Vacinas para viagem internacional: descubra quais você precisa tomar

            Imunização de rebanho: 5 benefícios da vacinação em massa

            Quando o assunto é prevenção de doenças, a vacina é uma das formas opções mais seguras e eficazes. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a vacinação em massa permite evitar uma média de 4 mortes por minuto e ainda economizar cerca de R$ 250 milhões por dia.

            Outros benefícios da vacinação que valem a pena destacar são:

            1. evita a propagação de agentes infecciosos;
            2. promove a qualidade de vida da população;
            3. evita sobrecarregar o sistema de saúde;
            4. aumenta a expectativa de vida;
            5. reduz a taxa de mortalidade infantil.

            Veja também:

            Imunização coletiva: quais são as vacinas disponíveis hoje para tomar?

            Vários imunizantes estão disponíveis na rede pública e particular para que a população possa se proteger de diferentes agentes infecciosos. Confira abaixo os principais.

            Tríplice bacteriana

            Esta vacina protege contra três doenças ao mesmo tempo: difteria, coqueluche e tétano. A dTpa (dose única) e a dT (duas doses com intervalo de dois meses entre elas) estão disponíveis gratuitamente no Sistema Único de Saúde.

            Influenza

            A vacina da Influenza protege, atualmente, contra até 4 tipos de gripes (tetravalente): A H1N1, H3N2  e duas cepas da Influenza B (Brisbane e Phuket).

            Essa vacina deve ser tomada anualmente. A dose anual também encontra-se disponível na rede pública de saúde.

            Observação: as vacinas da rede pública e particular podem ter diferenças de cobertura.

            Febre amarela

            Hoje em dia, a vacina da febre amarela já está disponível em dose única. Mesmo quem já se vacinou contra essa doença antes dos 5 anos de idade pode tomar essa nova dose.

            Caso a pessoa for viajar para áreas de risco ou para países em que a febre amarela é endêmica, é necessário receber o imunizante com, pelo menos, 10 dias antes da viagem.

            Na Unidade Básica de Saúde mais próxima, você encontra a vacina contra a febre amarela.

            Tríplice viral

            Outra vacina que não pode faltar no seu cartão é a tríplice viral. Ela protege contra o sarampo, a caxumba e a rubéola. Também disponível no SUS, uma única dose já é suficiente para garantir a proteção.

            Meningite B e ACWY

            A meningite tem como agente infeccioso a bactéria Neisseria meningitidis (meningococo). O imunizante disponível na rede pública e privada protege contra os sorogrupos A, B, C, W e Y. 

            A vacina para o grupo B é administrada em duas doses, respeitando o intervalo de dois meses. Já o imunizando ACWY é administrado em dose única.

            HPV

            A vacina contra o HPV (Vírus do Papiloma Humano) está disponível no SUS. Inclusive, anualmente, são feitas campanhas para que os pais levem seus filhos para tomar essa vacina. Ela é indicada para crianças de 9 a 14 anos.

            Outras vacinas que você pode tomar são:

            • BCG
            • Hepatite A
            • Hepatite B
            • Pneumocócica 10 valente
            • Vacina Inativada Poliomielite (VIP)
            • Vacina Oral Poliomielite (VOP)
            • Vacina Rotavírus Humano (VRH)
            • Varicela (catapora)
            • Dengue
            • Herpes Zoster

            Vacinação e saúde pública: esclarecendo mitos e verdades

            Quando o paciente chega ao consultório médico ou passa pela triagem em serviços de saúde, é comum que eles apresentem dúvidas sobre a vacinação. Nos dias de hoje, não é difícil que cheguem munidos de “informações” que receberam no “zap” ou nas redes sociais e que, muitas vezes, estão equivocadas (para dizer o mínimo).

            Nesse sentido, é trabalho dos profissionais de saúde esclarecer mitos e verdades sobre vacinação e saúde pública. Confira abaixo o que é fato e o que é fake a respeito das vacinas.

            Mito: não preciso me vacinar por causa da imunização de rebanho

            A imunização de rebanho, conforme já mencionamos, é adquirida quando a maioria da população já está devidamente imunizada a ponto de ser capaz de proteger até mesmo as pessoas que não se vacinaram. 

            Estima-se que a partir de 80% de cobertura vacinal é que se consegue atingir a imunidade de rebanho – mas esse percentual depende do agente infeccioso e de outros fatores.

            Mito: vacina da tríplice viral causa autismo

            Vários estudos já comprovaram que não há relação entre vacinas da tríplice viral e o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

            Verdade: a vacina estimula a produção de anticorpo

            Esse é o mecanismo das vacinas. O vírus morto ou enfraquecido faz com que o organismo produza anticorpos para eliminar esse corpo estranho. Assim, quando somos infectados pelo vírus ativo, já teremos “soldados” suficientes para combater esse invasor.

            Depende: grávidas não podem se vacinar

            Quando a gestante se vacina, os anticorpos produzidos passam para o bebê, o que é muito bom. Porém, imunizantes que utilizam vírus ou bactérias ativos (tríplice viral, dengue, HPV e varicela) não são recomendados. De toda maneira, vale esclarecer isso durante as consultas pré-natal.

            Verdade: não tem problema tomar vacina duas vezes

            Se o paciente perdeu o cartão de vacina e não tem certeza se já tomou determinado imunizante, não tem problema se ele receber duas vezes a mesma vacina “só pra garantir”.

            Mito: a vacina da Covid-19 tem um chip

            Essa é uma informação falsa que se espalhou durante a pandemia. Não, nenhuma vacina tem chip para monitorar as pessoas.

            Bom, o que achou desse nosso guia sobre vacinação em massa?

            Se gostou do conteúdo, passeie pelo nosso blog para encontrar vários outros sobre temas diversos relacionados à saúde e que podem te ajudar a orientar seus pacientes.

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