Desde 2014, a vacina HPV quadrivalente é oferecida gratuitamente pelo SUS para meninas de 9 a 13 anos de idade. Atualmente, outros grupos também podem se beneficiar dessa política, incluindo meninos, sem nenhum custo. 

Além disso, clínicas particulares oferecem a aplicação da vacina preventiva para mulheres e homens de todas as idades. 

Entretanto, ainda existem muitas dúvidas sobre como ela atua no organismo, do que ela protege e quem realmente pode tomar. 

Pensando em solucionar essas questões para a população geral e profissionais da área da saúde, criamos este guia completo, com tudo o que você precisa saber sobre a vacina HPV. Entre as perguntas que vamos responder estão:

  • O que é HPV?
  • Como é transmitido?
  • O que o HPV pode causar?
  • Para que serve a vacina?
  • Como a vacina age no organismo?
  • Quem tem que tomar a vacina HPV?
  • Quantas doses devem ser tomadas da vacina?
  • Quem teve exame positivo para HPV pode tomar a vacina?
  • Para que serve a vacina no homem?
  • Qual é a relação entre HPV e câncer?

Continue lendo e tire as suas dúvidas. 

O que é HPV?

HPV é a sigla usada para designar o papilomavírus humano, que tem como sua principal forma de transmissão a via sexual sem proteção, com ou sem penetração. São mais de 200 tipos de HPV, sendo que cerca de 40 tipos podem infectar o trato ano-genital. 

O vírus é capaz de infectar a pele ou as mucosas de homens e mulheres e segundo o site do Instituto Fiocruz, estudos apontam que quase 80% das mulheres sexualmente ativas terão contato com o vírus em algum momento de suas vidas. 

Considerando que não há cura para o vírus, apenas tratamento para seus sintomas, como as verrugas que podem aparecer em diferentes partes do corpo, em especial nos órgãos genitais, a vacina se torna um meio eficiente de prevenção à contaminação

O que o HPV pode causar?

Como dissemos acima, existem diferentes tipos de HPV. Em sua maioria eles causam verrugas e lesões que tendem à regressão, ou seja, tendem a sumir com o tratamento certo. Entretanto, 13 tipos podem produzir lesões com potencial de progressão para o câncer. 

Ainda segundo o Instituto Fiocruz, 90% dos casos de HPV com aparecimento de verrugas são causados pelos tipos 6 e 1 ou lesões que tendem à regressão. 

Essas verrugas genitais e papilomas laríngeos, geralmente, não oferecem risco de progressão para tumores malignos, mesmo sendo encontrados em pequena proporção em casos de confirmação de câncer.  

Quando o assunto é a relação entre HPV e câncer, existem pelo menos 13 tipos que podem produzir lesões com potencial de progressão para o câncer, tendo os tipos 16 e 18 os mais comuns, estando presentes em cerca de 70% dos casos de câncer de colo de útero no mundo. 

É importante destacar que muitas pessoas com HPV não desenvolvem nenhum sintoma nem mesmo verrugas ou outros tipos de lesões mais leves. Entretanto, mesmo assim podem infectar outros indivíduos pelo contato sexual. 

Uma vez que não há cura para o HPV a vacina é a forma mais eficaz de evitar os problemas e desdobramentos que o contágio pode trazer. 

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer do colo do útero é o terceiro mais incidente entre mulheres no Brasil, com um risco estimado de 15,38 casos a cada 100 mil mulheres. Isso significa 16.710 casos novos em um ano.

Como é transmitido o HPV?

A forma mais comum de infecção por HPV é a transmissão sexual. Na prática, entretanto, qualquer contato entre a pele e a mucosa infectada pode acarretar o contágio. 

É importante destacar que não apenas a relação sexual com penetração sem proteção ocasiona a transmissão. O contágio também pode ocorrer em contatos oral-genital, genital-genital ou mesmo manual-genital. 

Há também a chance de transmitir o HPV para o bebê durante a gravidez ou parto, mas é muito improvável. 

O INCA afirma que o parto normal não é contra-indicado, mesmo em casos de mãe infectada, pois, segundo o site do instituto, “apesar de ser possível a contaminação do bebê, o desenvolvimento de lesões é muito raro”. 

Além disso, é possível que ocorra a contaminação antes do parto, logo não há ligação entre a cesária e a prevenção de contágio. 

Entretanto, é sempre indicado que médico e paciente façam uma análise individual de cada caso e decidam sobre o que fazer.

É muito comum que se fale sobre a contaminação por contato com peças íntimas de outras pessoas e ou mesmo pelo uso de vaso sanitário compartilhado, entretanto, não há confirmação científica sobre esse tipo de transmissão. 

A presença de lesões aumenta o risco

O organismo contaminado com o HPV que apresenta lesões causadas pelo vírus (como as verrugas) oferece um maior risco de transmissão por contato. 

Entretanto, mesmo após o tratamento dessas lesões, o portador do vírus continua com ele em seu organismo.

Logo, mesmo com após o tratamento, e com a consequente redução da quantidade de vírus presente no corpo, há ainda o risco de transmissão, mesmo que seja menor.

Para que serve a vacina HPV?

O papel da vacina HPV é a prevenção da infecção por variados tipos de HPV que oferecem maior probabilidade de causar verrugas genitais e câncer cervical (de colo de útero). 

O site o INCA esclarece que a vacina quadrivalente, oferecida gratuitamente pelo SUS, “trabalha na prevenção de lesões genitais pré-cancerosas de colo do útero, vulva e vagina e câncer do colo do útero em mulheres e verrugas genitais em mulheres e homens, relacionados ao HPV 6, 11, 16 e 18”.

O instituto ainda destaca o papel da vacina bivalente, “aprovada para prevenção de lesões genitais pré-cancerosas do colo do útero e câncer do colo do útero em mulheres, relacionados ao HPV 16 e 18”.

Observe que a vacina não protege contra todos os tipos, mesmo assim defende contra os principais causadores dos problemas mais graves relacionados ao vírus. 

A vacina também não é indicada para tratar o HPV ou mesmo as verrugas e lesões que podem surgir. Cabem aos médicos definirem o melhor tipo de tratamento para seus pacientes em casos em que o contágio não foi evitado e os sintomas apareceram. 

Em conjunto com a vacina, é fundamental para o controle do contágio o uso de preservativo em todos os tipos de relações sexuais. 

Devido a possibilidade de evolução da doença para um câncer de colo de útero, é recomendado que a mulher consulte o ginecologista pelo menos 1 vez por ano e realize exames ginecológicos como o Papanicolau. 

Como a vacina HPV age no organismo?

A vacina de prevenção ao HPV estimula o organismo a produzir anticorpos que vão agir contra o vírus. Logo, quando e se ocorrer o contato do corpo com o vírus, o organismo vai reconhecê-lo e entrar em combate.

Exatamente por esse tipo de ação no organismo que o Sistema Único de Saúde (SUS) prioriza a aplicação das vacinas em meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, idade em que se acredita que a maioria ainda não tenha iniciado sua atividade sexual e, portanto, não tiveram qualquer contato com o HPV.

Isso indica que teremos uma geração protegida, com um risco de lesões precursoras do câncer do colo do útero que será muito reduzido.

Mulheres com uma vida sexual ativa têm maiores chances de já terem tido contato com o HPV e a vacina não é capaz de impedir que infecções pré-existentes aconteçam.

Entretanto, é permitido e indicado que mulheres de outras idades tomem a vacina, para evitar contágios futuros. Como veremos a seguir, essas doses podem ser aplicadas na rede particular. 

Vale lembrar que, seguindo recomendação do Ministério da Saúde, a vacinação não substitui a necessidade de realização do exame Papanicolau, em mulheres a partir dos 25 anos e a cada três anos, depois de dois exames normais com intervalo de um ano. 

Quem tem que tomar a vacina HPV?

Segundo o site do INCA, a vacina contra o HPV está disponível no SUS para:

  • meninas de 9 a 14 anos,
  • meninos de 11 a 14 anos, 
  • homens e mulheres que vivem com HIV, na faixa etária de 9 a 26 anos.

São três doses com intervalos de 0, 2 e 6 meses.

Para portadores de HIV, é necessário apresentar prescrição médica para a aplicação da vacina.

A vacina oferecida pelo SUS é a quadrivalente, protegendo contra os 4 tipos de vírus HPV.

Outros grupos etários podem se vacinar na rede particular de saúde em clínicas e hospitais que oferecem a vacina.

De acordo com o registro na Anvisa, a vacina quadrivalente é aprovada para mulheres entre 9 a 45 anos e homens entre 9 e 26 anos, e a vacina bivalente para mulheres entre 10 e 25 anos.

Não há autorização da Anvisa para aplicação em faixas etárias diferentes às estabelecidas acima.

A vacina quadrivalente que é oferecida pelo SUS pode ser tomada, também, por meninos e meninas que já iniciaram atividades sexuais. Entretanto, caso já tenha havido algum contato do organismo com o vírus, a eficácia da vacina pode ser menor, porque não evita o contágio prévio. 

Quem não pode tomar a vacina?

Em algumas situações a vacina é contraindicada e não deve ser aplicada em: 

  • mulheres grávidas, 
  • pessoas alérgicas a algum componente da vacina, 
  • pessoas com febre ou doença aguda, 
  • pacientes com redução do número de plaquetas e problemas de coagulação sanguínea.

Como a infecção pelo HPV é diagnosticada?

Uma vez em contato com o vírus, como saber que você é portador do HPV? 

Quando há infecção latente pelo HPV, ou seja, quando não há manifestações clínicas ou subclínicas, da doença, por exemplo, quando não há presença de verrugas ou outras lesões, a identificação da presença do vírus no organismo só pode ser realizada a partir da execução de exames de biologia molecular, que mostram a presença do DNA do vírus. 

Ainda de acordo com as informações disponibilizadas no site do INCA, não é indicado procurar diagnosticar a presença do HPV, mas sim suas manifestações.

Entre as possibilidades de diagnóstico estão: 

  • exames clínicos para identificação de verrugas ano-genitais, 
  • exames laboratoriais (citopatológico, histopatológico e de biologia molecular) para lesões subclínicas.

Além disso, também é possível a realização de exames que ampliam a capacidade de visão, por exemplo, pelo uso de lentes de aumento e aplicação de reagentes químicos para contraste (colposcopia, peniscopia, anuscopia).

Perguntas frequentes

A seguir, reunimos respostas rápidas e eficientes para as principais perguntas sobre o HPV e a vacina. Confira, a solucione suas dúvidas que ainda estão presentes. 

Existe cura para o HPV?

Não há cura para o HPV, entretanto, existem tratamentos para as lesões e verrugas que aparecem devido ao vírus. Com a medição correta, é possível haver uma diminuição do número e tamanho das verrugas, o que causa a redução do risco de transmissão do vírus. 

Mesmo com o tratamento adequado, é possível que essas lesões voltem a aparecer ou nunca mais se manifestem. 

É indispensável o acompanhamento médico para o controle dos sintomas e para a verificação do avanço das lesões causadas pelo vírus. 

Quais os tratamentos para HPV?

Mesmo que não seja possível eliminar o vírus, é possível realizar tratamentos para a redução ou extermínio das verrugas e outras lesões. 

O tratamento deve ser direcionado pelo médico responsável, que acompanha o caso, sendo possível adotar procedimentos como: 

  • laser, 
  • eletrocauterização, 
  • ácido tricloroacético (ATA),
  • medicamentos que melhoram o sistema de defesa do organismo.

A decisão será tomada de acordo com a quantidade, grau ou localização das lesões.

Tipos de vacinas para HPV

Existem três tipos principais de vacinas para o HPV: bivalente, quadrivalente e nonavalente

A vacina bivalente (Cervarix) protege apenas contra os vírus 16 e 18, que são os maiores causadores do câncer do colo do útero. Entretanto, ela não protege você dos tipos de vírus causadores das verrugas genitais.  

A vacina quadrivalente (aplicada pelo SUS) protege contra 4 tipos de vírus do HPV: 6, 11, 16 e 18. Logo, evita a contaminação pelos maiores causadores do câncer de colo de útero, pênis e de ânus, e também dos vírus que causam as verrugas genitais.

Por último, a vacina nonavalente (Gardasil 9) previne o contágio de nove tipos de vírus: 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58.

Onde tomar a vacina?

A vacina de HPV quadrivalente pode ser tomada no SUS, gratuitamente, por meninas de 9 a 14 anos,meninos de 11 a 14 anos e homens e mulheres que vivem com HIV, na faixa etária de 9 a 26 anos (com prescrição médica). Entretanto, na rede particular de saúde, pessoas com idades superiores, também podem ser imunizadas com as vacinas. A vacina quadrivalente pode ser aplicada em mulheres entre 9 a 45 anos e homens entre 9 e 26 anos, e a vacina bivalente para mulheres entre 10 e 25 anos.

Quantas doses de HPV devem ser tomadas da vacina? 

A vacina quadrivalente contra HPV é proposta em três doses que devem ser tomadas:

  • segunda dose após 60 dias da aplicação da 1ª dose,
  • terceira dose, a partir de 180 dias.

A vacina bivalente também é indicada em três doses, com espaço de 30 dias e 180 dias em relação à primeira dose. 

Quem tem exame positivo para HPV pode tomar a vacina?

Sim. Segundo o instituto Fiocruz, quem já tem um exame com testagem positiva para HPV pode tomar a vacina. Essa é uma forma de se prevenir do contágio com os outros tipos do vírus, inclusive os tipos com propensão à evolução para câncer. 

Para que serve a vacina HPV no homem?

A vacina de HPV no homem evita o aparecimento de lesões e verrugas genitais, reduz as chances de câncer de pênis e reduz as chances de transmissão do vírus. 

De acordo com o Programa DST/AIDS da Prefeitura Municipal de São Paulo, o HPV, tipo 16, existente em grande parte dos casos de câncer de colo de útero, também está presente em quase metade dos casos de câncer de pênis. 

Qual é a relação entre o HPV e câncer do colo de útero?

Alguns tipos de HPV, como os 16 e 18, estão relacionados a mais de 70% das ocorrências de câncer de colo de útero. Entretanto, segundo o INCA pelo menos 13 tipos de HPV são considerados oncogênicos, apresentando maior risco ou probabilidade de provocar infecções persistentes e estar associados a lesões precursoras, que se não forem identificadas e tratadas podem progredir para o câncer. 

Na lista de patologias associadas a evolução desses tipos de HPV estão inclusos: 

  • câncer do colo do útero, 
  • câncer de vagina, 
  • câncer de vulva,
  • câncer de ânus, 
  • câncer de pênis, 
  • câncer de orofaringe,
  • câncer de boca.

De acordo com o Ministério da Saúde, são registrados a cada ano 137 mil novos casos de infecção por HPV no Brasil. 

Para acompanhar e impedir a evolução dessas lesões é indispensável a execução do exame Papanicolau, que também pode ser realizado na rede pública de saúde ou em clínicas particulares. 

O Papanicolau periódico permite a detecção precoce do câncer de colo de útero, acelerando o início do tratamento.

A visita regular ao ginecologista é indispensável para a manutenção da saúde das mulheres e sua qualidade de vida. 

Prevenção, agilidade de diagnóstico e adesão aos tratamentos

A vacina HPV é sem dúvidas o melhor caminho para quem deseja se manter saudável e sem contato com vírus que podem sim ser muito perigosos, como os precursores do câncer de colo de útero, que é responsável pela morte de 311 mil mulheres por ano no mundo.

Entretanto, mesmo pessoas já infectadas podem ter uma qualidade de vida excelente, se tomarem os devidos cuidados como a realização periódica do exame Papanicolaou. 

De acordo com as orientações do INCA é recomendado que mulheres ou qualquer pessoa com colo do útero, na faixa etária de 25 a 64 anos e que já tiveram atividade sexual, realizem dois exames citopatológicos consecutivos com um intervalo de um ano entre eles. 

Após esses dois primeiros anos, é indicado que o exame de rastreamento seja realizado a cada três anos.

Ao fazer o acompanhamento periódico é possível detectar os avanços e os impactos dos diferentes tipos de HPV no organismo e agir com velocidade na busca do tratamento adequado. 

Esse tratamento, deve ser direcionado pelo médico ginecologista, que irá acompanhar a evolução do paciente. 

Além da agilidade no diagnóstico e da aplicação de um tratamento, cabe ao paciente aderir ao tratamento e contribuir para a melhora do próprio quadro da saúde. 

Um estudo feito pela Universidade de Dallas, no Texas (EUA) aponta que a adesão dos pacientes ao tratamento é maior quando a prescrição é feita por recursos digitais. Prova de que a transformação digital na saúde já é uma realidade.

Leia também: Pesquisa com médicos da Memed revela preferência por plataformas de prescrição inteligente

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Fontes:

INCA – https://www.inca.gov.br/perguntas-frequentes/para-que-servem-vacinas-contra-o-hpv 

Fiocruz – http://www.iff.fiocruz.br/index.php/8-noticias/58-hpv