O canabidiol (CBD) é um ingrediente importante em plantas de cannabis (conhecidas também por cânhamo ou maconha). Ele vem em diferentes formas, como óleo CBD e pílulas. Pode ser absorvido pela pele, ingerido ou inalado. Ao contrário da maconha,  que é inalada, esses medicamentos  não fazem você se sentir ‘chapado’. Uma dúvida bastante comum sobre esse tema é: quais doenças podem ser tratadas com o canabidiol?

Neste artigo, explicaremos como funciona o tratamento com canabidiol, se ele é seguro e quais são os tipos de doenças em que ele pode ser utilizado como um ótimo recurso. Conheça agora os efeitos do canabidiol para o seu corpo. 

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O que é canabidiol ou CBD

Antes de mostrar quais doenças podem ser tratadas com o canabidiol, vamos entender melhor o que é CBD? 

CBD é a segunda substância ativa com mais predominância em plantas do gênero Cannabis. 

De acordo com um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), ” o CBD não apresenta efeitos indicativos de qualquer abuso ou potencial de dependência”. Até o momento, não há evidências de problemas relacionados à saúde pública associados ao uso de CBD puro”, informa a instituição. 

Quais são os benefícios do canabidiol? 

O CBD é recomendado para vários tipos de tratamento. No entanto, a evidência científica mais confiável é por sua eficiência em enfermidades mais graves  como síndromes de epilepsia infantil, como a síndrome de Dravet e a síndrome de Lennox-Gastaut (LGS). Isso ocorre porque, normalmente, elas não respondem aos medicamentos anticonvulsivantes convecionais. 

Em vários estudos, o CBD foi capaz de reduzir o número de convulsões e, em alguns casos, interrompê-las completamente. Epidiolex, que contém CBD, é a primeira solução derivada de cannabis autorizada pelo Food and Drug Administration dos EUA (FDA) para esses casos. 

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Tratamento com canabidiol é seguro? 

Os principais efeitos colaterais da substância são: náusea, fadiga e irritabilidade. O CBD pode ainda potencializar alguns distúrbios do sangue, relacionados à coagulação.

Pessoas que tomam altas doses de CBD podem apresentar anormalidades nos exames de sangue relacionados ao fígado. Muitos medicamentos sem receita, como o paracetamol (Tylenol), também têm o mesmo efeito. 

Uma das questões que mais afligem especialistas é que a imagem do CBD é transmitida especialmente como suplemento, não como medicamento. 

Atualmente, o FDA não regulamenta a segurança e a pureza dos suplementos alimentares. Portanto, você não pode ter certeza de que o produto que você compra possui ingredientes ativos na dose listada no rótulo

Além disso, o produto pode conter outras substâncias desconhecidas. Também não sabemos a dose terapêutica mais eficaz de CBD para qualquer condição médica específica.

Como o CBD pode ser tomado?

O CBD pode ser comercializado de várias formas, como óleos, extratos, cápsulas, adesivos e preparações tópicas para uso na pele. 

Fora dos EUA, o medicamento prescrito Sativex, que usa o CBD como princípio ativo, é aprovado para espasticidade muscular associada à esclerose múltipla e para dor no câncer. Em terras americanas, o Epidiolex é autorizado para certos tipos de epilepsia e esclerose tuberosa.

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Quais doenças podem ser tratadas com o canabidiol? 

Pronto! Agora que você já sabe a parte teórica do CDB, vamos descobrir quais doenças podem ser tratadas com o canabidiol? 

1- Ansiedade 

A primeira enfermidade da nossa lista de quais doenças podem ser tratadas com o canabidiol é um vilão da sociedade moderna. 

O ponto positivo é que o canabidiol pode acalmar o sistema nervoso central. Com isso, diminui não só a ansiedade, mas também melhora a qualidade do sono. Outra vantagem é que, como ele não tem efeito narcótico, é possível que a solução substitua os ansiolíticos, que podem levar à dependência química.

O primeiro ano da pandemia causada pelo novo coronavírus não foi fácil. De acordo com um estudo científico divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a ansiedade e a depressão tiveram um crescimento de 25% no mundo. 

A preocupação com o aumento desses problemas já levaram mais de 90% dos países analisados a adicionar a saúde mental e apoio psicossocial como planejamento de resposta ao coronavírus. No entanto, há ainda grandes gargalos a serem preenchidos. 

“As informações que temos agora sobre o impacto da COVID-19 na saúde mental do mundo são apenas a ponta do iceberg”, explica Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. “Este é um alerta para que todos os países prestem mais atenção à saúde mental e façam um trabalho melhor no apoio à saúde mental de suas populações”.

Nesse sentido, o estudo concluiu que os jovens e as mulheres têm mais probabilidade de serem impactados com as transformações causadas no mundo nos últimos meses. 

A ansiedade é uma doença que pode trazer vários sintomas para um paciente, como: taquicardia (aumento dos batimentos cardíacos), hipertensão (tensão alta), contração gástrica (sensação de nó no estômago), dificuldades respiratórias (falta de ar), boca seca, sudorese (transpiração excessiva), náuseas ou vómitos, diarreia, dor de cabeça, acufenos (zumbidos nos ouvidos) vertigens ou tonturas, dores nas costas, entre outros. 

Já na lista das reações comportamentais, a condição aumenta as chances de tremores, bloqueio ou paralisação, estado de alerta, irritabilidade, tensão nos maxilares, alterações do tom de voz, hiperatividade motora (ex: caminhar de um lado para o outro) e hábitos repetitivos, como o de roer as unhas.

Diante desse cenário, é fundamental buscar auxílio para resolver o problema. Caso contrário, os efeitos podem aumentar no dia a dia. 

2- Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)

Trata-se de uma enfermidade que atinge o sistema nervoso central. Ela causa a degeneração do neurônio motor e paralisia total. Até o momento, a doença não tem cura, mas o CDB pode auxiliar na redução dos sintomas. 

O canabidiol faz com que o paciente tenha mais qualidade de vida, ajudando no equilíbrio do estado mental e na qualidade do sono. A substância também atua como relaxante muscular e antioxidante. Para se ter uma ideia, ele diminui a sensação de dor, retardando o desenvolvimento da enfermidade. 

De acordo com o Ministério da Saúde, a ELA não tem cura. Com o avanço da idade, o paciente perde a capacidade funcional e de cuidar de si mesmo. O óbito é comum entre três e cinco anos após a confirmação da doença. 

Quase 25% dos indivíduos conseguem viver por mais de cinco anos depois da descoberta da enfermidade, segundo o MS. Veja abaixo quais são os principais sintomas da doença. 

  • Perda gradual de força e coordenação muscular;
  • Incapacidade de realizar tarefas rotineiras, como subir escadas, andar e levantar;
  • Dificuldades para respirar e engolir;
  • Engasgar com facilidade;
  • Babar;
  • Gagueira (disfemia);
  • Cabeça caída;
  • Cãibras musculares;
  • Contrações musculares;
  • Problemas de dicção, como um padrão de fala lento ou anormal (arrastando as palavras);
  • Alterações da voz, rouquidão;
  • Perda de peso.

3- Transtorno do Espectro Autista (TEA)

O TEA pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo e motor dos pequenos. Para que as crianças tenham mais qualidade de vida, o canabidiol regula a ansiedade e a agitação. Dessa forma, os pacientes conseguem ter mais atenção, além de reduzir a hiperatividade. A substância também contribui para a melhora do sono. 

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) identificou em um estudo que o TEA é quase quatro vezes mais frequente entre meninos do que meninas. Foi possível concluir ainda que a doença é comum em todas as raças, etnias e grupos socioeconômicos.

Nos Estados Unidos, uma criança é identificada com TEA para 54 indivíduos com 8 anos de idade. No Brasil, até 2022, não há um estudo recente sobre o tema. Em 2011, um levantamento identificou 1 autista para cada 367 crianças. Portanto, o canabidiol pode auxiliar muitos pacientes com essa enfermidade. 

4- Dor crônica 

Um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) identificou que 30% da população mundial sofre com alguma dor crônica. Trata-se de um desconforto que incomoda por mais de 3 meses ou que continua depois de 1 mês, após o paciente supostamente ter resolvido o problema. 

É possível ter vários tipos de dores, como: nociceptiva ou somática; neuropática e mista ou inespecífica. 

  • Dor nociceptiva ou somática: o desconforto é causado por uma lesão ou inflamação dos tecidos da pele, o que é identificado pelos sensores do sistema nervoso como um ataque, e continua enquanto o problema não for solucionado. As possíveis causas são: corte, queimadura, pancada, fratura, entorse, tendinite, infecção e contraturas musculares;
  • Dor neuropática: desconforto aparece devido a disfunção do sistema nervoso no cérebro, medula e nervos periféricos. Ele pode ser formado por meio de queimação, agulhadas ou formigamento. As possíveis causas são: neuropatia diabética, síndrome do túnel do carpo, neuralgia do trigêmeo, estreitamento do canal medular,  depois do AVC, neuropatias de causas genéticas, infecciosas ou por substância tóxicas.
  • Dor mista ou inespecífica: problema identificado por itens da dor nociceptiva e neuropática ou por motivos desconhecidos. As possíveis causas desse desconforto são: dor de cabeça, hérnia de disco, câncer, vasculite, osteoartrose que pode afetar várias regiões – joelhos, coluna ou quadril. 

O CBD age como analgésico, aliviando a dor do paciente. Por isso, é muito indicado no tratamento dos sinais de doenças que causam dor crônica. Os efeitos do canabidiol também ajudam no alívio da dor associada a distúrbios nervosos. 

5- Epilepsia

A próxima enfermidade da nossa lista de quais doenças podem ser tratadas com o canabidiol é uma condição neurológica que atinge o sistema nervoso central e, especialmente, os neurônios. 

Esse problema se manifesta por meio de convulsões e até perda da consciência. Dessa forma, o canabidiol é eficiente para diminuir as convulsões e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Afinal, a solução protege os neurônios dos efeitos causados no ataque. Além disso, ela administra o excesso de atividade cerebral e diminui a inflamação do cérebro. 

6- Glaucoma 

O glaucoma é uma doença que atinge os olhos. Ele causa danos ao nervo ocular fazendo com o indivíduo tenha o seu campo visual diminuído com o avanço da idade. Se a enfermidade não for tratada, a pessoa pode ser levada à cegueira. 

A doença é mais comum em pessoas acima dos 40 anos de idade. Por isso, é indicado uma visita ao médico oftalmologista. Geralmente, uma consulta anual é o recomendado. 

O objetivo da consulta é descartar a doença e impedir que ela tenha um avanço irreparável. Para isso, é feito um exame de fundo de olho, que auxilia no diagnóstico.

Um dos principais benefícios do CBD no tratamento é que ele ajuda a diminuir a pressão intraocular, além de ter a presença de propriedades neuroprotetoras na retina.

7- Síndrome do intestino irritável (SII)

É uma alteração que causa um desconforto ou dor no estômago. O problema está associado a velocidade com que um alimento caminha pelo cólon (ou intestino grosso)

Quando as fases de contração dos músculos intestinais são mais ágeis ou mais fortes do que o comum, isso pode ocasionar diarreia. Se o processo ocorre com mais lentidão, ele pode causar constipação. 

Os principais sintomas dessa doença são: dor abdominal ou cólicas frequentes, sensação de barriga inchada, produção exagerada de gases intestinais, períodos de diarreia, intercalados com prisão de ventre; aumento do número de evacuações por dia e fezes com secreção gelatinosa. 

O canabidiol contém propriedades analgésicas, o que ajuda a diminuir cólicas abdominais e problemas com diarréias.

8- Acne

Uma doença de pele que ocorre pela alta produção de sebo e inflamação das glândulas sebáceas. 

O CBD possui efeitos anti acne complexos. Ele normaliza a produção em excesso de lipídeos sebáceos e aumenta a hidratação, tornando a aparência da pele mais saudável. Com isso, a proliferação do sebo é reduzida, causando o alívio da inflamação.

Covid, câncer e Alzheimer: o que diz a ciência?

Alguns fabricantes de CBD acreditam que a substância cura câncer ou COVID-19 , o que não é verdade. É necessário mais pesquisas para chegar a essas conclusões. 

Sem evidências suficientes de alta qualidade em estudos humanos, não é possível identificar doses eficazes e, como o CBD atualmente está disponível como um suplemento não regulamentado, é difícil saber exatamente o que você está recebendo.

A Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) também faz um alerta para o uso de canabidiol no tratamento da doença. 

“A ABRAz Nacional interpreta que há a possibilidade de que essa substância possa ocasionar benefícios em alguns indivíduos e para sintomas diversos, mais frequentemente os distúrbios de comportamento. Essa afirmação deriva da constatação de que alguns estudos sugerem que a cannabis contribui para o manejo da agitação e agressividade. 

E, em função dessa perspectiva positiva para utilização em certas circunstâncias específicas, a ABRAz Nacional compreende haver a sua prescrição médica. No entanto, reafirmamos que a nossa recomendação é de que precisaremos aguardar as pesquisas para compreendermos seus efeitos a longo prazo e se esta seria uma forma efetiva e segura de tratamento.”, explica. 

Agora que você já sabe quais doenças podem ser tratadas com o canabidiol, chegou a hora de descobrir como está a sua saúde. Agende uma consulta médica e faça um Check-up.

Uma dica interessante é dar preferências para clínicas que utilizam tecnologias, como a Memed. Seu médico envia a sua prescrição digital por SMS e, além de ser mais segura e precisa para a apresentação ao farmacêutico, você também economiza comprando os medicamentos diretamente em seu celular. 

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