O que é a obesidade?
A obesidade, além de ser considerada uma doença pela OMS (Organização Mundial da Saúde), já é considerado um problema de saúde pública devido aos números crescentes e preocupantes de indivíduos considerados obesos. Dados obtidos pela Vigilância Sanitária mostram que aproximadamente 1 em cada 4 pessoas com mais de 18 anos no país é obesa, esse número equivale a cerca de 41 milhões de pessoas. Além disso, o número de crianças com excesso de peso vem aumentando conforme os anos.
Para entendermos melhor, a obesidade é considerada uma doença crônica (uma doença que se perdura por um tempo maior) e sua principal característica é o excesso de gordura corporal. A principal causa é o excesso de alimentação, sendo maior do que realmente nosso corpo precisa para ter energia.
Além da alimentação desequilibrada, o sedentarismo pode estar relacionado, principalmente, por não gastarmos a quantidade de energia necessária. Além desses fatores, a genética pode influenciar negativamente, já que ela pode afetar nosso apetite, o acúmulo de gordura em determinadas áreas do corpo e até mesmo em fatores que podem estar envolvidos como o sono, transtornos alimentares, psicológicos etc.
Quais complicações a obesidade pode causar?
A obesidade afeta não somente a imagem corporal e a autoestima, mas pode trazer sintomas físicos e afetar a qualidade de vida. As pessoas com excesso de peso podem sentir dores nas costas ou articulações, compulsão alimentar (que tende a aumentar conforme o tempo passa e a condição não é tratada), fadiga, dificuldade em respirar e mal-estar de uma maneira geral.
Além disso, a obesidade pode desencadear outros distúrbios graves, podendo colocar até mesmo em risco a vida dos indivíduos portadores. Vamos falar um pouco sobre as principais doenças que a obesidade pode causar:
Diabetes tipo 2
A diabetes tipo 2 é causada pelo excesso de açúcar no sangue. A obesidade é apontada como um dos fatores que mais desencadeiam a diabetes pois, com o acúmulo de gordura, o organismo necessita de mais insulina (hormônio que leva glicose do sangue para as células), causando sua deficiência.
Hipertensão
A obesidade pode levar a danos no sistema cardiovascular (coração e vasos sanguíneos). A hipertensão é uma das principais doenças causadas pela obesidade, pois o excesso de peso pode acarretar em alterações hormonais e, por conta desse aumento, a pressão arterial vê necessidade em aumentar para conseguir suprir as necessidades do nosso organismo, principalmente por haver excesso de gordura nos vasos sanguíneos, causando seu estreitamento. Além disso, a pressão alta pode trazer outros riscos como o AVC (ou Acidentes Vasculares Cerebrais, causados por um entupimento de artéria ou vaso sanguíneo do cérebro), infarto (entupimento de um vaso do coração) e insuficiência cardíaca (que é quando o coração não tem força o suficiente para bombear sangue para o resto do corpo).
Arterosclerose
A Aterosclerose é o acúmulo de gordura nas paredes das artérias, podendo causar seu entupimento. É uma condição muito perigosa pois é silenciosa, não apresentando sintomas até seu agravamento (a ruptura do vaso, por exemplo).
Complicações na vesícula biliar
A vesícula biliar é um órgão que ajuda nossa digestão, isso porque ela armazena a bile, que é um líquido produzido pelo fígado que ajuda na digestão de alimentos, e a obesidade pode afetá-lo diretamente. São várias complicações que podem afetar esse pequeno órgão, como colecistite (que é sua inflamação), cálculos (que são “pedras”, uma espécie de calcificação) biliares, tumores etc.
Câncer
O excesso de gordura corporal causa um estado de inflamação em nosso organismo. Quando há uma inflamação, pode haver um desequilíbrio hormonal e, este desequilíbrio, pode predispor o surgimento de células cancerígenas. Esse processo aumenta as chances do indivíduo desenvolver a doença.
Problemas nos ossos e nas articulações
O peso excessivo faz com que as articulações se desgastam, pois não estão preparadas para as atividades diárias sendo sobrecarregadas, sendo a doença conhecida como Osteoartrite. Além disso, a obesidade aumenta as chances de lesões musculares e ortopédicas.
Apneia do sono
Por ter um excesso de acúmulo de gordura na cervical (na região do pescoço, mais especificamente), indivíduos obesos podem desenvolver a apneia do sono, que é a diminuição da oxigenação durante o sono pela dificuldade em respirar. Essa condição pode causar a privação de sono, que por sua vez pode acarretar na piora do quadro de obesidade.
São muitas outras complicações que a obesidade pode causar, sendo essas as mais comuns. Vale lembrar que a obesidade pode afetar também a saúde mental dos indivíduos.Estudos mostram que cerca de 60% dos pacientes obesos sofrem algum distúrbio psiquiátrico, grande deles desenvolvidos após o início da condição.
Como prevenir a obesidade?
Prevenir a obesidade é principalmente ter hábitos saudáveis, como uma alimentação balanceada e a prática de exercícios físicos. Além disso, diminuir o uso de celular e televisão pode ser um grande aliado, principalmente se substituirmos essas atividades por outras que movimentam nosso corpo.
Que o sono influencia diretamente a nossa saúde não é novidade. No caso da prevenção ao excesso de peso ele é um grande aliado pois, quando há sua privação, as células relacionadas ao apetite são desreguladas, o que leva à sensação de não saciedade, fazendo com que pareça que está sentindo fome.
Quais são os tratamentos recomendados à pessoas com obesidade?
Assim como na prevenção, o tratamento referente à obesidade é adotar mudanças no estilo de vida. Em alguns casos, pode ser recomendado o uso de medicamentos como controladores de apetite ou que reduzem a absorção de gordura pelo nosso organismo.
Em casos específicos e mais graves pode haver a necessidade de cirurgia bariátrica. Nesse caso a recomendação é para pacientes com condições muito graves de saúde, devido ao sobrepeso ou que não conseguem emagrecer com métodos menos invasivos.
É sempre bom lembrarmos que em todos os casos o acompanhamento de um profissional é essencial, seja por consultas médicas, consultas com nutricionistas e pelo acompanhamento de atividades físicas com um educador físico de sua confiança.
Artigo redigido pela enfermeira Maria Carolyna Henriques.




