A impressão de órgãos 3D chega com uma luz no fim do túnel para a escassez global de doação de órgãos.
Um estudo científico revelou que 48.000 anos de vida de pacientes foram perdidos, entre 1ª de janeiro a 31 de dezembro de 2020 devido à falta de transplante de órgãos.
Neste artigo, você entenderá melhor como funciona a doação de órgãos no Brasil e como a tecnologia pode ajudar a salvar muitas vidas.
Leia até o final e tire todas as suas dúvidas.
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Como é a doação de órgãos tradicional?
O primeiro passo é avisar aos seus familiares sobre o desejo de se tornar um doador de órgãos e tecidos, conforme explica o Ministério da Saúde.
“É importante falar para a sua família que deseja ser um doador de órgãos, para que após a sua morte, os familiares possam autorizar, por escrito, a doação dos órgãos e tecidos.”, destaca.
Os órgãos doados são encaminhados para pacientes que necessitam de um transplante e estão em lista de espera, que é única, organizada por estado ou região e fiscalizada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT).
Autorização familiar
Após a confirmação da morte encefálica, a doação de órgãos e tecidos é autorizada somente pela família, mesmo se o doador demonstrou interesse pelo procedimento, antes de falecer.
“Na maioria das vezes os familiares atendem a esse desejo, por isso a informação e o diálogo são absolutamente fundamentais, essenciais e necessários.”, explica o Ministério da Saúde.
Entrevista familiar
O próximo passo é a entrevista familiar. A equipe de saúde conversa com os parentes do possível doador para conhecer melhor seu histórico clínico.
A proposta deste questionário é investigar como eram os hábitos de vida do doador, ou seja: se ele foi diagnosticado com possíveis doenças ou infecções que possam ser transmitidas ao receptor.
Doenças crônicas como diabetes, infecções ou mesmo uso de drogas injetáveis podem lesionar o órgão que seria doado, inviabilizando o transplante.
Após a autorização da família, é feita a remoção do órgão e/ou tecido. O corpo do doador é encaminhado ao Instituto Médico Legal para avaliação. Lá, é verificado a confirmação do que foi retirado e emissão do atestado de óbito.
O processo, desde a autorização da doação até a liberação do corpo do IMC, pode ocorrer entre 4 até 24 horas. Isso porque, cada órgão é removido por uma equipe cirúrgica especializada e em períodos sequenciais.
Além disso, quando o corpo chega ao IML, a equipe precisa de tempo para avaliar e verificar a situação.
Nas vítimas de morte violenta (homicídios, acidentes de trânsito e suicídios), o IML faz a necropsia entre duas a quatro horas.
Já em casos mais complexos, a avaliação médico-legal pode ser concluída em até 24 horas.
A paciência e o entendimento da família do doador é recompensado pela possibilidade de dar a chance de viver para outras pessoas. São córneas, rins, fígado, coração, pulmão, ossos e pele que trazem esperança para quem tanto precisa naquele momento.
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Como funciona a impressão de órgãos 3D?
A bioimpressão de órgãos é o uso de tecnologias de impressão 3D para montar vários tipos de células, fatores de crescimento e biomateriais camada por camada para produzir órgãos bioartificiais que imitam idealmente suas contrapartes naturais, de acordo com um estudo de 2019.
Nova técnica acelera órgãos feitos em impressora 3d
Pesquisadores da Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos, desenvolveram uma nova técnica que permite acelerar o processo de produção de tecidos vivos e até de órgãos completos. Isso é possível graças à impressão 3D.
Em um vídeo compartilhado pelos pesquisadores, uma máquina mergulha uma base em um recipiente com um gel amarelado. Após 19 minutos, ela produz uma mão em tamanho real.
Com procedimentos tradicionais, o mesmo procedimento seria completado, no mínimo, em seis horas.
“A tecnologia que desenvolvemos é 10-50 vezes mais rápida do que o padrão da indústria e funciona com grandes tamanhos de amostra que eram muito difíceis de alcançar anteriormente”, explica o co-autor do estudo, Ruogang Zhao, PhD, professor associado de Engenharia Biomédica.
De acordo com o pesquisador, a inovação pode eventualmente salvar vidas que são perdidas em razão da escassez de órgãos e doadores.
Para imprimir os objetos, a técnica utiliza estereolitografia, a mesma aplicada em impressoras 3D à base de resina. Elas estão presentes em diversos materiais, como hidrogéis, que já são usados na produção de lentes de contato ou como “suportes” na engenharia de tecidos.
Os pesquisadores também imprimiram em 3D um modelo de fígado humano, que inclui uma rede vascular.

Fonte: Universidade de Buffalo
Órgãos de impressão 101*
Para iniciar o processo de bioimpressão de um órgão, os médicos, geralmente, começam com as próprias células do paciente.
Eles fazem uma pequena biópsia por agulha de um órgão ou aplicam um procedimento cirúrgico minimamente invasivo que remove um pequeno pedaço de tecido, “menos da metade do tamanho de um selo postal”, disse Dr. Anthony Atala, diretor do Wake Forest Institute for Regenerative Medicine.
“Ao pegar este pequeno pedaço de tecido, somos capazes de separar as células (e) crescemos e expandimos as células fora do corpo”, explica o médico.
Esse crescimento ocorre dentro de uma incubadora ou biorreator estéril, um recipiente de aço inoxidável pressurizado que ajuda as células a se manterem alimentadas com nutrientes – chamados “mídia” – os médicos as alimentam a cada 24 horas, já que as células têm seu próprio metabolismo, disse Lewis.
Cada tipo de célula tem uma mídia diferente, e a incubadora ou biorreator atua como um dispositivo semelhante a um forno que imita a temperatura interna e a oxigenação do corpo humano, explica Atala.
“Depois misturamos com esse gel, que é como uma cola”, disse Atala. “Cada órgão em seu corpo tem as células e a cola que os mantém juntos. Basicamente, isso também é chamado de ‘matriz extracelular’. “
Essa cola é o apelido de Atala para bioink, uma mistura imprimível de células vivas, moléculas ricas em água chamadas hidrogéis e os meios e fatores de crescimento que ajudam as células a continuar a proliferar e se diferenciar, disse Lewis.
Os hidrogéis imitam a matriz extracelular do corpo humano, que contém substâncias como proteínas, colágeno e ácido hialurônico.
A porção de amostra não celular da cola pode ser feita em laboratório e “terá as mesmas propriedades do tecido que você está tentando substituir”, explica Atala.
Os biomateriais usados normalmente têm que ser não tóxicos, biodegradáveis e biocompatíveis para evitar uma resposta imune negativa, disse Lewis. Colágeno e gelatina são dois dos biomateriais mais comuns usados para bioimpressão de tecidos ou órgãos.
Em que regiões essas partes do corpo estão sendo produzidas no Brasil?
Agora que você já sabe como funciona a impressão de órgãos 3D, vamos entender melhor quais são as partes do corpo que estão sendo produzidas no país?
O diretor vertical de saúde da Associação Catarinense de Tecnologia (Acate), Walmoli Gerber Junior, explica com mais detalhes os procedimentos.
“Temos empresas, startups que estão desenvolvendo tecnologia de bioimpressão hoje em dia para aplicação de testes em medicamentos, a simulação de tumor, e ao invés de aplicar uma droga direto no ser humano, produz esse tumor em uma impressora 3D, aplica a droga e vê o resultado. Isso ajuda muito o médico a simular a cirurgia e procedimentos e ter sucesso maior.
Santa Catarina tem um projeto ambicioso em bioimpressão que está as vias de acontecer, interessante também que esse tipo de técnica e aplicação, estingue a necessidade dos animais para testar medicamentos ou procedimentos médicos.
A gente vai e produz um órgão ou uma parte daquele tecido em uma impressora 3D, deixa de aplicar pesquisa para ver a validade ou o resultado de um medicamento em um animalzinho.”, destaca em entrevista ao portal G1.
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Por que é importante doar órgãos?
Apesar do avanço da tecnologia, doar órgãos ainda é um gesto fundamental em nosso país.
Um estudo da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) mostrou que o número de doadores de órgãos teve uma queda de 26% no Brasil em 2021 devido à pandemia causada pelo novo coronavírus. A carência atingiu os pacientes que aguardam por um transplante. Os procedimentos mais prejudicados foram:
- pulmão (62%),
- rim (34%),
- coração (34%)
- fígado (28%).
De acordo com a ABTO, o risco de contaminação e a lotação das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) foram os principais motivos pelos quais ocorreram a queda.
Antes da crise sanitária, a expectativa para 2020 era de 20 doadores por milhão de pessoas. No entanto, a taxa caiu para 15 doadores na mesma quantidade, repetindo o patamar de 2017.
Existem dois tipos de doadores de órgãos, o doador em vida e o doador após ser diagnosticado com morte encefálica, conforme orientações da ABTO.
- doador em vida: ter boas condições de saúde. O candidato deve fazer uma avaliação médica para verificar se existem doenças que possam prejudicar não só a sua saúde, mas também a do receptor. É importante ser um indivíduo juridicamente capaz, pois o processo é permitido somente com autorização judicial.
- doador pós morte encefálica: é classificado como “morte baseada na ausência de todas as funções neurológicas”, isto é, é permanente é irreversível.
Um doador vivo é permitido doar:
- Um rim;
- medula Óssea (se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue);
- parte do fígado (em torno de 70%).
- parte do pulmão (em situações excepcionais).
O doador falecido pode salvar mais de oito vidas. Isso porque, ele pode dor:
- coração,
- pulmão,
- fígado,
- os rins,
- pâncreas,
- córneas,
- intestino,
- pele,
- ossos
- válvulas cardíacas.
Onde doar órgãos no Brasil?
No Brasil, existem diversos lugares onde é possível doar órgãos. Confira, a seguir, algumas possibilidades.
Brasília (AC)
Hospital Brasília
Endereço: SHIS Sul – Trecho S – Lote O – Centro Médico
Cidade: Brasília
Telefone: 61 3342-2917
Orgão: Rim
Médico(s) responsável(is): Fransber Rondinelle Araujo Rodrigues.
Hospital Brasília
Endereço: SMHN Quadra 2 Bloco A
Cidade: Brasília
Telefone: 61 8167-7164
Orgão: Medula Óssea
Médico(s) responsável(is): Jorge Vaz Pinto Neto
Minas Gerais (MG)
Associação Evangélica Beneficente de Minas Gerais
Endereço: RUA DR ALIPIO GOULART Nº 25
Cidade: Belo Horizonte
Telefone: 31 2138-8716
Orgão: Rim
Médico(s) responsável(is): LILIAN PIRES FREITAS DO CARMO
Bio Visão – Centro Esp. Microcir. Ocular
Endereço: Av. Francisco Sales, 1.420 – S/203/204
Cidade: Belo Horizonte
Telefone: 31 32272221/ 3282
Orgão: Córnea
Médico(s) responsável(is): Renato Cruz Laender, Carlos Gustavo de Queiroz
Hospital Clínicas UFMG
Endereço: Av. Prof. Alfredo Balena, 110
Cidade: Belo Horizonte
Telefone: 31 3307-9490
Orgão: Medula Óssea
Médico(s) responsável(is): Gustavo Machado Teixeira
Rio de Janeiro
Hospital Geral de Bonsucesso
Endereço: Av. Londres, 616
Cidade: Rio de Janeiro
Telefone: 21 2539-1881
Orgão: Rim
Médico(s) responsável(is): Patricia Elizabeth de Sá Finni
Hospital Naval Marcílio Dias
Endereço: R. César Zama, 185
Cidade: Rio de Janeiro
Orgão: Medula Óssea
Médico(s) responsável(is): Marcos Oliveira da Cunha
Hospital Univ. Pedro Ernesto
Endereço: Av. 28 de Setembro, 77
Cidade: Rio de Janeiro
Telefone: 21 2234-0316
Orgão: Coração
Médico(s) responsável(is): Mário Ricardo Amar
Instituto Nacional de Cardiologia
Endereço: Rua das Laranjeiras
Cidade: Rio de Janeiro
Telefone: 21 2285-3344
Orgão: Pulmão
Médico(s) responsável(is): Anderson Fontes
São Paulo (SP)
Hospital Alemão Oswaldo Cruz
Endereço: Rua João Julião, 331
Cidade: Sao Paulo
Telefone: 11 35490000
Orgão: Rim
Médico(s) responsável(is): JOAO CARLOS CAMPAGNARI
Centro Avançado de Oftalmologia
Endereço: Al. Gabriel Monteiro da Silva, 1000
Cidade: São Paulo
Telefone: 11 30169900
Orgão: Córnea
Médico(s) responsável(is): Marcelo Cunha
Hospital Alemão Oswaldo Cruz
Endereço: Rua Maestro Cardim, 354
Cidade: São Paulo
Telefone: 11 3541-1269
Orgão: Pâncreas
Médico(s) responsável(is): Marcelo Perosa
A lista completa de todos os centros de transplantes, disponíveis em todas as regiões do Brasil, pode ser acessada aqui.
Após descobrir as principais informações sobre a impressão de órgãos 3D, nunca é demais lembrar a importância de cuidar da saúde com uma dieta balanceada e exercícios físicos.
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