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            • Quais os riscos da cascata de prescrição?
            Publicado por Memed em 16 de dezembro de 2020
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            • Médico

            A cascata de prescrição acontece quando um medicamento é utilizado para tratar os efeitos colaterais induzidos por outro, como se fosse uma nova doença. Dessa forma, essa prática pode causar, portanto, outros efeitos colaterais no paciente, trazendo, muitas vezes, danos graves.

            Apenas pela definição do que é cascata de prescrição, já dá para se ter uma noção dos riscos que ela pode causar, não é mesmo? Esse é um dos tipos de erros que são evitáveis e que requerem atenção e cuidado do médico. 

            Leia também: Como a Memed te ajuda a evitar erros de prescrição

            Uma das maneiras de evitar que esse tipo de erro aconteça é aprender com algo que já aconteceu. Para isso, traduzimos e adaptamos um caso prático publicado pelo The New York Times: “The Risks of the Prescribing Cascade“. Confira a seguir. 

            Idosa olhando para uma caixa de medicamentos

            Foto: The New York Times

            Cascata de prescrição: exemplo de caso prático 

            Os erros médicos e a cascata de prescrição que aconteceram à mãe de 87 anos de uma farmacêutica da Carolina do Norte não deveriam acontecer com ninguém. A farmacêutica Kim H. DeRhodes lembra que tudo começou quando sua mãe foi ao pronto-socorro, duas semanas depois de uma queda, porque sentia dores persistentes nas costas e nas nádegas.

            Disseram que era apenas uma dor ciática e foram prescritos prednisona e um relaxante muscular para a idosa. Três dias depois, ela começou a delirar. Por conta disso, voltou ao pronto-socorro e foi internada no hospital. Recebeu alta dois dias depois, quando o delírio induzido foi resolvido.

            Inesperadamente, algumas semanas depois, a dor de estômago levou a uma terceira ida ao pronto-socorro. Dessa vez, foram prescritos um antibiótico e um inibidor da bomba de prótons. Por consequência, em um mês, ela desenvolveu diarreia severa que durou vários dias.

            De volta ao pronto-socorro, desta vez ela recebeu uma receita de diciclomina para aliviar os espasmos intestinais. Depois dessa medicação, foi desencadeado outro surto de delírio, o que resultou em mais três dias de internação.

            Ela recebeu alta após exames de laboratório e estudos de imagem não revelarem nada de anormal. “A revisão do caso da minha mãe destaca problemas separados, mas associados: provável diagnóstico incorreto e prescrição inadequada de medicamentos”, escreveu DeRhodes no JAMA Internal Medicine que abordou a questão do risco da cascata de prescrição.

            O relaxante muscular e a prednisona levaram à primeira incidência de delírio. A prednisona provavelmente levou a problemas gastrointestinais, e o antibiótico provavelmente levou à diarreia, que levou à prescrição de diciclomina, levando à segunda incidência de delírio.

            A conclusão desse claro caso de cascata de prescrição é de que os médicos que prescreveram as receitas aparentemente nunca consultaram a lista criada pela Sociedade Americana de Geriatria de medicamentos que muitas vezes não são seguros para os idosos. 

            No Brasil, é possível encontrar gratuitamente, na plataforma Memed, uma lista com mais de 60 mil medicamentos cadastrados e verificar suas interações. 

            Em suma, a mãe da Sra. DeRhodes foi vítima de dois problemas médicos que muitas vezes são esquecidos pelos exames médicos e não são reconhecidos pelas famílias.

            O primeiro deles é dar a uma pessoa de 87 anos medicamentos que sabidamente não são seguros para os idosos. O segundo é uma condição clinicamente induzida, o que é cascata de prescrição.

            “Um tratamento popular para hipertensão arterial, que atinge uma grande proporção de pessoas mais velhas, é um grande exemplo de cascata de prescrição”, disse Dr. Anderson no JAMA Internal Medicine. Ele citou um estudo canadense com 41 mil idosos com hipertensão que receberam medicamentos chamados bloqueadores dos canais de cálcio.

            Um ano após o início do tratamento, quase uma pessoa em cada 10 recebeu um diurético para tratar o inchaço nas pernas causado pelo primeiro medicamento. Muitos receberam uma prescrição inadequada de um medicamento conhecido como “diurético de alça” que, segundo o Dr. Anderson, pode resultar em desidratação, problemas renais, tonturas e quedas. Podendo gerar assim, outro exemplo de risco de cascata de prescrição.

            “Os adultos mais velhos frequentemente tomam muitos medicamentos, com 40% tomando cinco ou mais”, escreveu o médico. Nos casos de polifarmácia, pode ser difícil determinar qual dos medicamentos é a causa do sintoma atual.

            Quando acontece um risco de cascata de prescrição? 

            Uma cascata de prescrição pode acontecer com qualquer pessoa, de acordo com a Dra. Rochon. “Todos precisam considerar a possibilidade sempre que um medicamento é prescrito”, enfatiza. Pacientes e médicos frequentemente negligenciam ou resistem às alternativas de medicação que podem ser mais desafiadoras do que engolir um comprimido. 

            Por exemplo, entre as medidas não medicamentosas bem estabelecidas para a hipertensão estão a perda de peso, o aumento da atividade física, a diminuição do consumo de sal e outras fontes de sódio e o aumento da ingestão de alimentos ricos em potássio, como banana e melão.

            Para alguns pacientes, o uso frequente de um anti-inflamatório não esteroidal vendido sem prescrição, como o ibuprofeno ou naproxeno, é responsável pela elevação da pressão arterial. 

            Além disso, o risco de cair em uma cascata de prescrição aumenta quando os pacientes recebem medicamentos prescritos por mais de um médico.

            Leia também: Pesquisa com médicos da Memed revela preferência por plataformas de prescrição inteligente

            Os pacientes devem garantir que cada médico consultado receba uma lista atualizada de todos os medicamentos em uso, sejam de prescrição médica ou não, bem como os suplementos dietéticos. 

            A Dra. Rochon recomenda ainda que os pacientes mantenham uma lista atualizada com a data de quando começaram com cada novo medicamento, o motivo pelo qual estão usando, juntamente com sua dose e frequência. Sempre que forem ao médico devem mostrar essa lista. 

            Por outro lado, o médico é o responsável pela análise dessa lista e a prescrição correta de novos medicamentos. Verificar, por exemplo, a interação medicamentosa entre eles. Procurando sempre evitar o que é a cascata de prescrição. 

            Esse é um passo simples que pode ser ainda mais facilitado por meio de plataformas digitais, como a Memed que oferece prescrição digital gratuita e conta com uma lista bem completa de medicamentos. Confira no vídeo abaixo como fazer essa consulta na prática pela plataforma:

            Dessa forma, evita-se ao máximo qualquer erro médico de prescrição. Cadastre-se agora e comece a usar. 

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