Um paciente sofreu um aneurisma cerebral e foi internado às pressas no hospital. Lá ficou por uma semana e, nesse período, adquiriu uma infecção hospitalar e veio a óbito. Esse é exemplo de caso em que aconteceu um evento adverso no hospital que poderia ter sido evitado. 

O ambiente hospitalar é um local de alto risco e erros podem acontecer a qualquer momento. Afinal, estamos falando de pessoas e todos podemos errar. Contudo, entender quais são as metas de segurança do paciente e colocá-las em prática a todo momento durante o cuidado com o paciente ajuda a minimizar as chances de acontecer eventos como o citado anteriormente.

Estima-se que um a cada dez pacientes sofre algum incidente dentro de um hospital, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde). Além da infecção hospitalar, mencionada anteriormente, a aplicação errada da dose de medicamento também é um exemplo clássico. 

O vídeo abaixo com dados do IBSP (Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente) mostra ainda que por ano no Brasil 1,7 milhão de pessoas sofrem algum tipo de evento adverso nos hospitais

No entanto, foi visando minimizar a ocorrência desses tipos de eventos que a Organização Mundial de Saúde (OMS) junto com a Joint Commission International (JCI) elaboraram as metas de segurança do paciente. 

Antes de saber quais são e qual o objetivo da segurança do paciente, vamos à definição. Afinal… 

O que é segurança do paciente?

Segurança do paciente engloba todas as ações tomadas para evitar que erros aconteçam durante o tratamento de um paciente. Dessa forma, a segurança do paciente é um dos principais atributos na qualidade em saúde. 

Qual o objetivo da segurança do paciente?

O principal objetivo da segurança do paciente é promover e contribuir com a qualidade dos serviços de saúde prestados em todos os estabelecimentos do nosso país e na assistência em saúde.

Com as metas de segurança do paciente é possível ter um direcionamento mais claro e objetivo do mínimo que uma organização de saúde precisa cumprir para proporcionar maior segurança às pessoas assistidas. Dessa maneira, são os passos essenciais para proporcionar uma maior segurança no cuidado. 

Depois de entender qual o objetivo da segurança do paciente, você deve estar se perguntando: Mas, afinal de contas, quais são essas metas de segurança do paciente? Quantas são no total?

Quais as metas de segurança do paciente?

Existem hoje 6 metas internacionais de segurança do paciente que foram instituídas pelo Ministério da Saúde, no Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), por meio da Portaria 529, de 1 de abril de 2013. São elas:

1. Identificar o paciente corretamente

Sempre que um paciente fica internado no hospital ele recebe uma etiqueta com seu nome e a data de seu nascimento. Esse é o primeiro protocolo a ser cumprido de acordo com as metas de segurança do paciente. 

Afinal, sem a devida identificação do paciente é bem fácil de errar uma prescrição de medicação, não é mesmo? Portanto, estar sempre atento ao nome correto do paciente é uma das principais ações. 

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2. Melhorar a eficácia da comunicação

A troca de informações entre setores e profissionais devem ser completas e claras para que não haja nenhum ruído ou má interpretação daquilo que deve ser feito. É preciso ouvir atentamente, anotar tudo e repetir, sempre que necessário. 

A eficácia da comunicação também deve acontecer na forma escrita. Afinal de contas, se alguém não entende aquilo que está escrito as chances de acontecer um erro aumentam, não é mesmo? 

Para as prescrições médicas, em clínica, por exemplo, você pode contar com a Memed, que é uma plataforma de prescrição médica digital gratuita e oferece mais 85 mil itens cadastrados para auxiliar a vida do médico ao fazer suas receitas médicas digitais.

A Memed oferece receita digital e traz recursos extras para apoio, como uma base de dados de medicamentos, produtos para a saúde e exames, que aliada às ferramentas de apoio à decisão clínica, auxilia os médicos a tomarem suas decisões. 

É possível saber quando um medicamento interage com outro, por exemplo, ou até quando o paciente tem alergia a algum princípio ativo do medicamento receitado – tudo em tempo real. 

3. Melhorar a segurança dos medicamentos de alta-vigilância

Alguns medicamentos são perigosos se administrados de maneira inadequada, são os medicamentos de alta-vigilância, como os psicotrópicos, quimioterápicos e anticoagulantes, por exemplo. Esses medicamentos devem ser armazenados, monitorados, prescritos e dispensados de maneira diferenciada

4. Assegurar cirurgias com local de intervenção correto, procedimento correto e paciente correto

Já imaginou a complicação que pode acontecer se o paciente está com um osso do braço direito quebrado e ele vai para a sala de cirurgia com a marcação no braço esquerdo? Erros como esse exemplo são perfeitamente evitáveis e seguir protocolos rígidos visando a segurança do paciente servem para que isso não aconteça. 

Verificar as etapas do processo cirúrgico como a indicação do procedimento adequado e aplicação dos termos do consentimento cirúrgico são medidas de boas práticas que podem ser aplicadas. 

Além disso, antes de iniciar uma cirurgia é fundamental que haja a certificação de que está sendo feito o procedimento correto, no paciente certo e no local exato. Ao final da cirurgia também deve ser feita a contagem de compressas, gazes e instrumentos utilizados no procedimento. O fato de conferir os materiais usados durante a cirurgia garante que nenhum material ou instrumento fique no corpo do paciente. 

5. Reduzir o risco de infecções associadas a cuidados de saúde

Pode parecer simples, mas realizar a higienização correta das mãos é também uma das principais metas de segurança do paciente. Isso ajuda diretamente na redução de riscos de infecções. 

A OMS indica a higienização correta das mãos principalmente em cinco momentos:

  • Antes de tocar no paciente; 
  • Após o contato no paciente;
  • Antes de realizar procedimentos;
  •  Após o risco de exposição a fluídos corporais;
  • Após o contato em áreas próximas ao paciente.

6. Reduzir o risco de danos ao paciente, decorrente de quedas

As quedas podem gerar lesões e danos aos pacientes dentro do ambiente hospitalar. Alguns pacientes estão mais propensos a sofrer uma queda, como idosos, pessoas com problemas de equilíbrio ou em tratamento para dor. 

Nesse caso, uma das medidas que podem ser adotadas é a identificação específica para esses pacientes, seja no leito ou em pulseiras de identificação; bem como a utilização de grade protetora no leito. 

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