Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), em 2021, cerca de 37,7 milhões de brasileiros (equivalente a 17,9% da população) têm 60 anos ou mais. 

Sendo assim, a prescrição médica é uma intervenção terapêutica muito comum nessa faixa etária, devido ao alto índice de desenvolvimento de doenças crônicas como hipertensão, diabetes, hipercolesterolemia e doenças cardiovasculares. 

É essencial orientar os pacientes sobre a importância de desenvolver hábitos saudáveis durante toda a vida. A prática frequente de exercícios físicos e uma alimentação balanceada podem garantir um futuro com mais qualidade de vida e sem a dependência regular de medicamentos. 

Como fazer uma prescrição segura?

A escolha do medicamento adequado para idosos é um passo fundamental no tratamento e reflete diretamente na prevenção de eventos adversos. A International Pharmaceutical Federation (IPF) afirma que cerca de 11% das internações hospitalares não planejadas são devido aos danos causados por medicamentos, sendo 70% destas relacionadas a idosos que fazem o uso de múltiplos medicamentos, a polifarmácia.  

De acordo com a OMS, polifarmácia é o uso rotineiro e concomitante de quatro ou mais medicamentos (com ou sem prescrição médica). Essa prática torna os idosos um grupo suscetível aos eventos adversos relacionados às interações medicamentosas, apresentando maior risco de eventos adversos ao medicamento (EAM), comprometimento cognitivo, não adesão ao tratamento e mau estado nutricional. 

 Aqui na Memed, disponibilizamos uma inteligência de interações medicamentosas, que permite que o médico verifique se há algum tipo de interação entre as substâncias que estão sendo prescritas. Nossa plataforma conta com um banco de dados atualizado, e tem auxiliado médicos de todo o Brasil a prescrever de forma segura, garantindo um tratamento mais efetivo e confiável para seus pacientes. 

Impactos de uma prescrição não segura

Como avanço da idade, nosso organismo desenvolve algumas limitações biológicas e fisiológicas que refletem diretamente na ação dos medicamentos. Algumas das principais mudanças que causam impacto são: 

  • Redução da motilidade gastrointestinal;
  • Redução da água corporal total;
  • Diminuição da massa muscular;
  • Aumento da gordura corporal;
  • Diminuição do fluxo sanguíneo hepático;
  • Diminuição do fluxo sanguíneo renal e taxa de filtração glomerular;

Além das mudanças citadas, o risco de quedas é potencialmente elevado, e aumenta com o avançar da idade, indo de 33% aos 65 anos a 50% aos 80 anos. 

Considerando a prioridade de segurança do paciente, devemos lembrar que esse cuidado não deve se restringir ao controle e prevenção do agravo de doenças. A saúde física, mental e a interação social do idoso, devem receber a mesma atenção. O apoio da família e de equipes multidisciplinares, onde o médico e outros profissionais trabalham em conjunto  para uma prescrição sem riscos, garantem maior bem estar e qualidade de vida. 

Para isso, foram desenvolvidos alguns materiais, com o intuito de fornecer suporte às decisões clínicas e orientar sobre o uso de medicamentos potencialmente inadequados para idosos: 

Cada lista apresenta classes terapêuticas e medicamentos que podem trazer algum risco e se existem possíveis exceções que sejam benéficas ao tratamento do paciente. 

Além disso, é importante o cuidado após a prescrição, acompanhando se o paciente está utilizando o(s) medicamento(s) de forma adequada e nos horários e quantidades indicadas. Orientar o idoso sobre os possíveis riscos da automedicação também é essencial, evidenciando que há possibilidade de eventos adversos e interações medicamentosas que poderão agravar o seu estado clínico.

É importante que os profissionais trabalhem juntos e tomem iniciativas com a finalidade de motivar o uso seguro de medicamentos, promovendo a saúde do paciente, diminuindo prováveis acidentes e melhorando sua qualidade de vida.