Certamente você já foi em uma consulta e o médico perguntou se você usa algum medicamento controlado ou se está tomando algum no momento. O objetivo disso é para ele saber o que pode receitar para que não haja interação medicamentosa. Mas você sabe o que é interação medicamentosa?

Entender a importância desse tipo de questionamento que um médico faz é fundamental para a sua segurança enquanto paciente. Só para você ter uma noção dos riscos da interação medicamentosa, cerca de 30 mil casos de intoxicação medicamentosa foram registrados pelo Sistema Nacional de Informações Tóxico Farmacológicas (Sinitox/Fiocruz) em 2011. Desse número, grande parte dos casos pode ter sido oriunda da interação medicamentosa. 

Dessa forma, entender o que é interação medicamentosa e quais os riscos ela traz vão te ajudar a tomar um pouco mais de cuidado quando for a uma consulta ou até mesmo quando pensar em se automedicar. Para isso, vamos te explicar tudo neste artigo. Vamos começar pela definição. 

O que é interação medicamentosa?

A interação medicamentosa acontece quando uma pessoa faz o uso de mais de um medicamento — que é a interação medicamento-medicamento, ou quando existe uma interação com algum alimento (medicamento-alimento) ou pode acontecer ainda a interação de álcool e medicamentos (medicamento-drogas). 

Além disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também define o que é interação medicamentosa como sendo a modificação de efeitos farmacológicos entre mais de um medicamento utilizado ao mesmo tempo. 

Para definir de uma forma geral o que é interação medicamentosa, podemos dizer que é a combinação do uso de medicamento com outra substância que pode interferir em sua eficácia.

Ou seja, quando nos expomos a uma dessas combinações, pode acontecer a diminuição ou aumento da eficácia do medicamento ou sua ineficácia, e até mesmo um quadro pior, já que algumas interações medicamentosas podem ser fatais. 

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Mas afinal quais são os riscos da interação medicamentosa?

Quais os riscos da interação medicamentosa?

Entre os riscos da interação medicamentosa estão alguns efeitos negativos, tais como o medicamento pode ter seu efeito reduzido ou aumentado ou até mesmo perder o efeito dependendo de como aconteceu essa interação medicamentosa.  

 

Indo um pouco além, algumas interações medicamentosas podem ser fatais. No entanto, vale salientar que nem sempre a interação medicamentosa é negativa. Algumas vezes o médico pode receitar mais de um medicamento para ser usado ao mesmo tempo. Isso porque ele tem conhecimento e prescreve sabendo dos efeitos. 

 

Inclusive ele possui ferramentas que o ajudam na hora da prescrição, como a Memed, por exemplo, que oferece uma plataforma com mais de 60 mil medicamentos cadastrados para o médico consultar a hora que quiser, com as informações de interações medicamentosas.   

 

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Agora, se você fez uso de algum medicamento com outra substância e não sabe se pode correr o risco de uma interação medicamentosa, listamos a seguir alguns exemplos de interação medicamentosa e também citar quais interações medicamentosas são fatais, para você consultar.  

8 Exemplos de interação medicamentosa

1. Antiácidos

Os antiácidos são medicamentos amplamente utilizados pelos brasileiros, principalmente quando se automedicam. Eles são responsáveis por diminuir a acidez do estômago. Eles são um dos exemplos de interação medicamentosa, pois podem modificar taxas de absorção e dissolução de vários outros medicamentos, como: 

  • Hormônios tireoidianos;
  • Antibióticos como a tetraciclina;
  • Anti-inflamatórios como a aspirina, diclofenaco e ibuprofeno;
  • Antifúngicos imidazóis.

 

2. Anticoagulantes

Um exemplo de anticoagulante é a varfarina. Esse tipo de medicamento ao ser utilizado junto com determinados anti-inflamatórios podem oferecer um risco maior de causar hemorragia

 

Além disso, o uso de anticoagulantes com anticoncepcionais orais pode ter seu efeito reduzido.

3. Inibidores da bomba de prótons

O Omeprazol é um dos inibidores de bomba de prótons e é outro medicamento muito utilizado na automedicação, para tratar refluxo gástrico e úlcera. Ao ser usado junto com antitrombóticos pode reduzir ou aumentar a ação desses. Por exemplo, o Omeprazol pode reduzir a ação do clopidogrel e aumentar a ação da varfarina.

 

No caso de os inibidores da bomba de prótons serem usados com benzodiazepínicos, como o diazepam, podem:

  • Elevar os níveis plasmáticos;
  • Alterar coordenação de movimentos;
  • Levar à fraqueza muscular, já que eles agem em diferentes regiões do Sistema Nervoso Central. 

 

Outra interação do Omeprazol é com o anticonvulsivante fenobarbital, que ao ser administrado junto com o omeprazol pode ter seu efeito potencializado.

 

O Omeprazol também prejudica a absorção de vitamina B12 , confira no vídeo abaixo o motivo disso acontecer: 

4. Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) 

 

Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) são prescritos em casos de depressão, transtorno de personalidade e ansiedade. A interação entre dois medicamentos dessa mesma classe, chamados serotoninérgicos, mas com mecanismos de ação diferentes, podem causar:

  • Alteração do estado mental;
  • Hiperatividade neuromuscular;
  • Hiperatividade autonômica.

 

Um exemplo de interação seria o uso de um inibidor da recaptação da serotonina/norepinefrina (IRSN) junto com tramadol ou trazodona. 

5. Interações com cetoconazol

O exemplo de interação medicamentosa com cetoconazol requer bastante atenção. Por isso, é importante que, ao fazer uso de um dos antifúngicos azóis, não se automedique e siga as orientações do seu médico. 

 

Isso porque eles interagem com várias substâncias. Como ele é melhor absorvido pelo estômago em meio ácido, seu uso deve ser evitado com:

  • Antiácidos;
  • Anticolinérgicos;
  • Bloqueadores dos receptores H2.

 

Além disso, também não é indicado seu uso com rifampicina, pois ela reduz os níveis sanguíneos. Por outro lado, o cetoconazol usado junto com a ciclosporina A, eleva os níveis sanguíneos.

 

Esse medicamento também pode aumentar a ação de anticoagulantes do tipo cumarina, se administrados ao mesmo tempo.

6.Penicilinas 

Os antibacterianos são exemplos de interação medicamentosa benéficas, pois eles ajudam a impedir ou adiar o surgimento da resistência bacteriana. Um exemplo é a Amoxicilina que é uma penicilina da classe dos antibacterianos betalactâmicos e seu uso com a probenecida ajuda no aumento da concentração plasmática e eleva o efeito antibacteriano das penicilinas.

 

No entanto, deve-se ter atenção ao ingerir alimentos antes de administrar penicilina e eritromicina. Isso porque o pH do nosso estômago fica muito elevado após comermos ou tomarmos algum líquido e isso interfere na absorção do princípio ativo do medicamento. 

7. Inibidores da monoamina oxidase (MAO)

O Inibidores da monoamina oxidase (MAO) são psicofármacos muito utilizados para casos de depressão, como tranilcipromina e moclobemida. Eles não devem ser administrados com substâncias ricas em tiramina, como alimentos envelhecidos ou secos, queijos, salames, pepperoni e mortadela; bem como com outros medicamentos, como antigripais com efedrina, outros antidepressivos e anfetaminas. 

 

O uso dessas combinações pode gerar crises de hipertensão e hemorragia intracraniana.

8. Ácido acetilsalicílico (AAS) 

Outro exemplo de interação medicamentosa é com o ácido acetilsalicílico. Quando ele é administrado juntamente com o captopril, ele pode reduzir a ação anti-hipertensiva do captopril.

 

Por outro lado, se utilizado junto com a insulina, ele pode elevar a ação hipoglicemiante da insulina.

 

Além desses exemplos, veja outras interações medicamentosas os quadros abaixo feitas pela Fiocruz:

interação medicamentosa fiocruz

Fonte: Fiocruz

 

Essas foram as principais interações medicamentosas, no entanto, podemos destacar também a interação com os fitoterápicos e até mesmo chás.

É muito comum pensarmos que chás ou remédios naturais podem ser administrados junto com os medicamentos que o médico receitou. No entanto, eles podem causar tanto mal quanto um medicamento tradicional. Por isso, é muito importante estar atento também aos riscos que essas interações medicamentosas também trazem.

Por exemplo, a utilização de medicamentos que contenham Hypericum perforatum, ou erva-de-são-joão, pode minimizar a ação de anticoncepcionais, o que pode ocasionar em uma gravidez indesejada. 

Quando se faz uso de medicamentos antidiabéticos é importante tomar cuidado com o uso de chá ou infusão de feijão tremoço. Essa combinação pode aumentar o efeito do medicamento e levar a uma queda repentina da glicemia, e pode levar ao coma ou ao óbito.

Outra substância bastante utilizada pelos brasileiros é o Ginkgo Biloba. Contudo, o resultado da sua interação com varfarina ou ácido acetilsalicílico é que pode favorecer o surgimento de hemorragias.

Confira também outros exemplos no quadro abaixo: 

interação medicamentosa fiocruz 1

Fonte: Fiocruz

 

Leia também: Como saber quais as interações medicamentosas

utra dúvida que é comum aparecer é sobre os riscos da interação entre álcool e medicamentos. Afinal… 

O que acontece na interação entre álcool e medicamentos?

A interação entre álcool e medicamentos pode produzir vários efeitos no organismo, como prejuízo da absorção do medicamento e consequentemente prejudicar seu tratamento. Outro dano que pode causar é o remédio intensificar a ação da bebida causando intoxicação, mesmo que a pessoa não beba muito. 

Um exemplo de interação medicamentosa com álcool muito comum é a dipirona, seu uso concomitantemente com o álcool potencializa o efeito do álcool. Outros exemplos de medicamentos muito utilizados, que estão entre os mais vendidos no Brasil, são os da categoria dos analgésicos e anti-inflamatórios, como Ibuprofeno e diclofenaco. A combinação desses tipos de medicamentos com álcool pode aumentar a dor de estômago, gastrite e desencadear problemas no fígado. 

E um dos mais clássicos é o antibiótico. Se alguma vez já precisou tomar esse medicamento para tratar uma dor de garganta, por exemplo, deve ter ouvido falar que não poderia ingerir com álcool. 

Popularmente pode até ser difundido que o álcool pode cortar seu efeito, mas o risco dessa interação é ainda maior. Isso porque essa é umas interações medicamentosas que podem ser fatais. Essa combinação pode causar taquicardia, vômito, queda de pressão, dores no estômago, intensa dor de cabeça, dificuldade respiratória, coma e até mesmo levar à morte. 

Dessa forma, já deu para perceber que ainda que pareça um medicamento para tratar uma pequena dorzinha de cabeça, pode trazer graves problemas para sua saúde, certo? Portanto, em via de regra, em nenhuma situação em que você esteja fazendo o uso de medicamento é aconselhável ingerir bebida alcoólica, mesmo que ela tenha um percentual baixo. 

Além disso, as mulheres também precisam ficar ainda mais atentas à interação entre álcool e medicamentos. Como elas possuem menos água em sua composição corporal, se comparado com os níveis dos homens, isso faz com que a concentração de álcool no sangue fique ainda mais elevada, fazendo com que essa combinação seja ainda mais prejudicial. 

Agora que você já entendeu o que significa interações medicamentosas e quais são os riscos, já percebeu a importância de sempre falar para seu médico tudo aquilo que está tomando e evitar ao máximo a automedicação. Muitas vezes quando tomamos um medicamento por conta própria e acontece uma interação que é prejudicial à nossa saúde, é preciso incluir um outro medicamento para atenuar danos graves.

Dessa maneira, ao invés de só tirar um medicamento, acabamos tomando mais do que realmente precisamos. Para entender melhor sobre isso, você pode ler mais sobre cascata de prescrição.

Quer saber mais ainda sobre interações medicamentosas e outros assuntos sobre saúde? Continue acompanhando o blog da Memed e fique por dentro de tudo.