Telemonitoramento de pacientes com doenças crônicas: como funciona?
Um dos gargalos em relação aos cuidados médicos é a continuidade do monitoramento após as consultas e a definição do tratamento, principalmente quando se trata de paciente com doenças crônicas não transmissíveis (DCNT).
Uma das soluções para tentar contornar esse cenário é o telemonitoramento de pacientes, ou seja, o acompanhamento a distância de pessoas que precisam de atenção contínua.
As doenças crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares, respiratórias, câncer são as que mais geram custos aos sistemas públicos de saúde e também as principais causas de óbitos no mundo.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as DCNTs matam 41 milhões de pessoas por ano no mundo. Entre as doenças, as que mais causam óbitos são:
- 28% doenças cardiovasculares;
- 18% câncer;
- 14% transmissão materna, perinatal e nutricional;
- 7% doenças respiratórias crônicas;
- 5% diabetes;
- 17% outras.
Diante das estatísticas, o trabalho de atenção primária à saúde é fundamental para combater algumas doenças, principalmente aquelas cujas causas são evitáveis, mantendo os cuidados básicos.
Em um país de proporções continentais como o Brasil, as tecnologias da telemedicina podem contribuir bastante com a ampliação do acesso à saúde em todas as etapas do atendimento.
Continue a leitura do artigo e entenda o que é e como funciona o telemonitoramento de pacientes, direcionado ao tratamento de doenças crônicas.
O que é telemedicina?
A telemedicina é o exercício da prática médica a distância mediada por tecnologias que facilitam o contato remoto, como computadores, smartphones e tablets. O método funciona com o apoio de softwares para registro de dados, como os do sistema público, ou plataformas de prontuário eletrônico, utilizados nas redes particulares.
O atendimento de saúde remoto ganhou destaque na pandemia, em 2020. Com a população em isolamento, as pessoas que precisavam de orientações, tanto sobre a COVID-19 quanto de doenças preexistentes, puderem ter atendimento de casa.
A telemedicina impactou positivamente o atendimento, principalmente, nos casos sem riscos de COVID-19 e outras doenças que, por meio dos sintomas, poderiam ser tratadas e monitoradas pelos médicos.
Assim, só eram encaminhados para o hospital, os casos e condições de saúde que não mostravam melhora.
Porém, a telemedicina vai além da interação médico-paciente e conecta toda a cadeia de atendimento, incluindo outras especialidades, exames, enfermagem, entre outros setores.
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O que é telemonitoramento de pacientes?
O telemonitoramento de pacientes é uma das aplicações da telemedicina, no qual o acompanhamento a distância é realizado por uma equipe multidisciplinar que monitora, orienta e avalia os avanços no tratamento, controlando os sintomas e evitando o agravamento do quadro.
As videochamadas são um dos recursos mais utilizados por permitir o contato visual, aproximando os profissionais de saúde dos pacientes.
Para os dados serem armazenados com segurança e facilitem o controle, são utilizadas plataformas de saúde como estratégia de centralização de dados.
No caso das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), essa estrutura remota é muito útil, pois os pacientes necessitam de monitoramento em relação ao efeito da medicação, relato de sintomas ou efeitos colaterais, se as recomendações foram benéficas e mais.
O telemonitoramento pode ser realizado após a consulta online ou presencial e contribui, principalmente, com os pacientes que estão longe dos centros de saúde da sua região.
Existem estados brasileiros onde o telemonitoramento é utilizado para realização de diversos serviços e exames, mas o processo ainda não se popularizou.
Como funciona o telemonitoramento dos pacientes?
O telemonitoramento de paciente exige uma infraestrutura e equipe responsável para realizar o atendimento a distância com o apoio de processos bem estruturados. Os principais passos para um bom funcionamento são:
1. Implementação de uma plataforma de saúde
Um ponto importante para o telemonitoramento de paciente com doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) é manter o prontuário médico atualizado com as informações e especificidade do quadro e as recomendações que o paciente deve seguir.
Para fazer isso, as instituições de saúde devem implementar uma plataforma para digitalização da saúde, ou seja, um software que faça a “a guarda, o armazenamento e o manuseio de prontuário do paciente”.
Essa é uma exigência do Conselho Federal de Medicina (CFM), definida na Resolução n.º 2.314/2022, que apresentou as novas regulamentações para o exercício da telemedicina no país.
Assim, a equipe que monitora um paciente tem acesso ao seu prontuário e pode registrar no sistema tudo que os outros profissionais precisam saber, melhorando a qualidade do monitoramento.
2. Inclusão de tecnologias vestíveis de monitoramento
O telemonitoramento de pacientes ainda pode incluir o uso de tecnologias vestíveis, ou wearables. Os principais exemplos são os relógios inteligentes que monitoram pressão arterial, batimentos cardíacos, glicose, níveis de oxigênio no sangue, entre outros.
Esses dados podem ser monitorados à distância pelo médico e servem de apoio, principalmente para pacientes com diabetes, doenças cardíacas, entre outras.
A precisão obtida pelas novas tecnologias permite avaliar com segurança o quadro dos pacientes, mesmo a distância, e acionar atendimento de urgência quando necessário.
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3. Treinamento da equipe para o atendimento remoto
O sucesso do telemonitoramento de pacientes depende de uma equipe bem integrada e treinada para utilizar todas as tecnologias envolvidas nos cuidados de saúde a distância.
Por isso, é necessário que os profissionais passem por capacitações teóricas e práticas para entenderem como o processo funciona e saberem como realizar sua avaliação eficientemente.
4. Organização do fluxo de atendimento
Em uma instituição de saúde podem existir grupos diferentes para o tratamento de cada doença crônica não transmissível (DCNT) atendida no local. Então, cada um deve ter:
- lista de pacientes atendidos;
- frequência com que cada um deve ser monitorado;
- quais são os exames periódicos necessários.
Assim, os pacientes podem receber lembretes das consultas e instruções para o atendimento com antecedência.
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5. Promoção de orientações educativas
Por fim, o telemonitoramento de pacientes não se resume ao controle para atualização das prescrições médicas. A melhora de muitas DCNTs depende de mudanças de hábitos e inclusão de cuidados na rotina para o tratamento medicamentoso ter efeito.
Por isso, é importante incluir consultas educativas, enviar lembretes por áudio, imagens instrutivas, entre outras ações para incentivar a adesão ao tratamento.




