Em dezembro de 2022, a cantora Anitta ganhou os holofotes novamente ao comunicar que foi diagnosticada com o vírus Epstein-Barr (EBV) – o qual é responsável por causar a mononucleose, conhecida também como “doença do beijo”.
A superstar da música nacional passou a integrar o grupo composto por mais de 90% da população global. Acredita-se que 9 a cada 10 adultos no mundo convivem com o EBV em sua forma latente (assintomática).
Neste artigo, você vai entender o que o vírus Epstein-Barr pode causar, seus principais sintomas e sua relação com o câncer e a esclerose múltipla.
Continue a leitura e confira também como é feito o diagnóstico de infecção do EBV e quais são as opções de tratamento, caso você seja infectado.
Vírus Epstein-Barr: o que é?
Descoberto em 1964 pelos pesquisadores Michael Anthony Epstein e Yvonne Barr, o vírus Epstein-Barr pertence à família Herpesviridae. Também conhecido como herpes vírus 4 (HHV-4), o EBV apresenta material genético composto por uma molécula de DNA de dupla fita, com aproximadamente 184.000 pares de bases.
Esse vírus pode se manter latente no nosso corpo. Isso significa que o EBV pode ficar no organismo por anos sem manifestar nenhum sintoma – mas ainda podendo ser transmitido para outras pessoas.
O Epstein-Barr é um vírus que não causa epidemias e é classificado em dois tipos. O tipo 1 (EBV-1) é o que mais acomete pessoas no mundo inteiro, sendo responsável por afetar os linfócitos B com mais facilidade.
Já o EBV-2 demora mais para afetar os linfócitos B. Além disso, ele é menos comum, tendo sua distribuição concentrada em países da África Equatorial e em pessoas soropositivas (infectadas pelo vírus da imunodeficiência humana – HIV).
O que o vírus Epstein-Barr pode causar?
A principal doença atrelada ao vírus Epstein-Barr é a mononucleose. Geralmente, o grupo que costuma ser acometido por essa doença é composto por jovens de 15 e 25 anos.
A principal forma de transmitir a mononucleose infecciosa é por via oral-oral. Por isso, ela também é chamada de “doença do beijo” ou “febre do beijo” – tendo em vista que um dos sintomas é a febre alta.
O EVB e a mononucleose podem ser transmitidos também pelo compartilhamento de talheres. De baixa letalidade, a mononucleose não é considerada uma doença sexualmente transmissível.
Veja também: Qual a importância do uso de preservativo para prevenir ISTs?
O período de incubação do vírus – que compreende o prazo entre o momento da infecção e a manifestação dos sintomas – dura de 30 a 45 dias. É durante essa “janela” que a transmissão costuma ocorrer com mais frequência.
Depois de infectada, a pessoa pode viver com o EBV para sempre, podendo ou não transmiti-lo, mesmo não apresentando mais nenhum sintoma.
Existem estudos que apontam outras doenças que o vírus Epstein-Barr pode causar além da mononucleose, como:
- síndrome de Alice no País das Maravilhas;
- encefalite;
- síndrome de Guillain-Barré;
- esclerose múltipla;
- alguns tipos de câncer.
O vírus Epstein-Barr causa câncer?
Como bem acabamos de mencionar, a comunidade médica e científica já possui estudos que apontam a relação entre a infecção pelo vírus Epstein-Barr e o desenvolvimento de alguns tipos de câncer.
Apesar de ainda não haver nenhuma comprovação de uma relação causal direta entre EVB e neoplasia, esse vírus é associado em algumas pesquisas ao câncer no sistema linfático e, também, aos de cabeça e pescoço e ao linfoma de Burkitt.
Veja mais detalhes:
Vírus Epstein-Barr: sintomas da infecção
Ao ser infectada pelo vírus Epstein-Barr, a pessoa pode manifestar os seguintes sintomas da mononucleose:
- febre alta: seu organismo começará a trabalhar mais para combater esse corpo estranho que é o EBV, levando ao aumento da temperatura corporal;
- faringite: trata-se de um inflamação da faringe, que ocasiona na dor de garganta e dificuldade para engolir alimentos sólidos e líquidos;
- linfadenomegalia: consiste no aumento dos gânglios linfáticos na região do pescoço, que é um dos lugares em que são produzidas as células de defesa do organismo (as famosas ínguas);
- tosse constante;
- fadiga: seu corpo fica mais indisposto para realizar atividades cotidianas;
- perda de apetite: você não sente vontade de se alimentar, o que se deve em parte à dor de garganta;
- inflamação do fígado;
- baço hipertrofiado, justamente por ser um órgão reserva de células de defesa.
Como a mononucleose é diagnosticada?
Na maioria das vezes, o diagnóstico do EBV é feito de forma clínica, observando apenas os sintomas apresentados pelo paciente no consultório médico.
Porém, para diagnosticar a mononucleose com mais precisão, o médico pode solicitar um exame de sangue – chamado de monoteste – que vai apontar a presença ou não de linfócitos atípicos. Esse teste é feito em pessoas a partir de 4 anos de idade e que tenham se contaminado há, pelo menos, duas semanas.
Outro exame de sangue para confirmar o diagnóstico de mononucleose é o do tipo sorológico. Ele vai verificar a presença de anticorpos que o organismo criou para combater o vírus Epstein-Barr.
Diagnosticar corretamente essa doença é extremamente importante para evitar transmiti-la para outras pessoas e, também, não confundi-la com outras infecções que apresentam sintomas semelhantes.
Como tratar a mononucleose causada pelo vírus Epstein-Barr?
Ainda não existe um medicamento desenvolvido especificamente para combater o vírus Epstein-Barr. Nem mesmo uma vacina para imunizar a população mundial.
Quando a pessoa é infectada pelo EBV e recebe o diagnóstico de mononucleose, o que se faz é tratar os sintomas da doença.
Para isso, o médico pode fazer a prescrição de medicamentos, como:
- antitérmicos (dipirona);
- analgésicos (paracetamol e ibuprofeno);
- anti-inflamatórios (nimesulida);
- e afins.
Outras alternativas terapêuticas para combater a mononucleose incluem repouso e manter-se bem hidratado.
Leia também: Aplicativo de prescrição médica: como essa ferramenta pode ajudar no seu dia a dia?
Enfim, conseguimos esclarecer suas dúvidas sobre esse vírus? Escreva nos comentários se você tiver alguma dúvida específica sobre o Epstein-Barr que vamos responder.
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