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            • Vacina contra o câncer: quais os avanços mais recentes nas pesquisas?
            Publicado por Memed em 18 de outubro de 2023
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            • Doenças e Sintomas
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            vacina contra o câncer

            Vacina contra o câncer: quais os avanços mais recentes nas pesquisas?


            O desenvolvimento da
            vacina contra o câncer é o foco de diversas pesquisas que estão em andamento em instituições de estudo e laboratórios pelo mundo. Contudo, o desafio de desenvolvê-la está na multifatorialidade da doença, um detalhe que muda bastante o perfil do imunizante e sua forma de ação.

            Tradicionalmente, as vacinas são aplicadas pré-infecção para evitar que a doença se desenvolva. O HPV e a hepatite B, por exemplo, são enfermidades causadas por vírus que podem levar ao desenvolvimento de câncer de colo de útero e fígado, respectivamente. Ao receber a vacina, o organismo fica protegido.

            Porém, o mecanismo de ação da imunoterapia anticâncer comumente não é na prevenção e sim no tratamento, funcionando como complemento, cujo objetivo é impedir o progresso da doença.

            Para você entender melhor o cenário atual, explicamos ao longo do artigo os avanços conquistados até o momento e quais são as expectativas em relação à chegada das vacinas oncológicas no mercado.

            Continue a leitura e confira!

            Tem vacina contra o câncer?

            Não existe uma vacina única contra o câncer, como acontece com doenças causadas por vírus ou bactérias, que são mais fáceis de ser desenvolvidas, pois o agente causador é bem definido. Por outro lado, o câncer é uma doença multifatorial. Isso significa que fatores como hábitos de vida e herança genética influenciam seu surgimento.

            Além disso, as células cancerígenas sofrem mutações no organismo, o que impossibilita a criação de uma vacina que imunize as pessoas por toda a vida.

            Diante desse cenário, os cientistas trabalham na criação de vacinas oncológicas, cujo objetivo é estimular o sistema imunológico a reagir e atacar as células cancerosas. Em vez de ser um tratamento preventivo, a vacina contra o câncer combate a doença já existente.

            Um ponto importante sobre o desenvolvimento de vacinas é que existem possibilidades diferentes de ação, conforme o tipo de patologia que se deseja prevenir ou tratar.

            Por exemplo, a vacina contra o HPV e a hepatite B são muito eficazes, pois os vírus causadores são conhecidos e os imunizantes são capazes de barrar o desenvolvimento da infecção.

            Já no caso da COVID-19, a vacina procura impedir a infecção grave quando o organismo entra em contato com o vírus, evitando que os danos causados pela infecção sejam graves e levem o paciente a óbito.

            As vacinas que estão sendo desenvolvidas para apoiar o tratamento inovador do câncer não têm como propósito evitar que as pessoas adoeçam, mas sim auxiliar o sistema imunológico a identificar e combater as células cancerígenas.

            Leia também >>> Luta contra o câncer: tipos, tratamento e como se prevenir.

            Tratamento do câncer: avanços das vacinas oncológicas

            Recentemente, foram divulgados vários dados sobre vacinas contra o câncer, desenvolvidas por diferentes grupos de pesquisa e laboratórios que estudam tipos de câncer no cérebro, melanoma e câncer de mama, entre outros. 

            No caso, as pesquisas abrem portas para ser possível tratar qualquer tipo de tumor. Selecionamos alguns estudos e falamos sobre os avanços mais recentes a seguir. Confira!

            Pesquisa Moderna e MDS

            A empresa Moderna, em parceria com a farmacêutica MDS, ambas dos Estados Unidos, trabalham atualmente no desenvolvimento de uma vacina contra o câncer de pele, especificamente o melanoma, o tipo mais agressivo da categoria.

            A vacina usa a tecnologia RNA mensageiro (mRNA), já aplicada no desenvolvimento do imunizante contra COVID-19, usada para fabricar vacinas personalizadas, cujo objetivo é treinar o sistema imunológico para combater células cancerígenas específicas nos tumores.

            De acordo com os dados de um teste intermediário, divulgados em junho de 2023, a vacina diminuiu o risco de que o melanoma se espalhasse em 65% se comparado ao tratamento exclusivo com imunoterapia. 

            Resultados anteriores já mostravam que a vacina foi capaz de reduzir o risco de óbito ou recorrência da doença em 44%. A equipe de pesquisa acredita que a vacina contra o câncer vai ampliar a possibilidade de tratamento, tornando-o mais tolerável e direcionado para os tipos de tumor apresentados.

            Pesquisa sobre glioblastoma

            Outra pesquisa publicada na edição de janeiro de 2023 na revista Science Translational Medicine trouxe dados promissores para o tratamento e prevenção de glioblastoma, um dos tipos de câncer no cérebro mais agressivos e letais. 

            A vacina contra o câncer trabalhada e, até o momento, testada apenas em camundongos, é fabricada com fragmentos de células tumorais vivas, que estimulam o sistema imune a desenvolver uma resposta de defesa e guardá-la na memória das células. 

            Os resultados da pesquisa apontam que o Toosendanin (TSN) pode servir como um composto terapêutico que bloqueia a imunossupressão do tumor e contorna a resistência à imunoterapia baseada em células T no tratamento de glioblastomas e outros tumores sólidos.

            Pesquisa USP e HCor

            Uma pesquisa experimental conduzida pelo Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) e pelo Hospital do Coração (HCor), publicada no periódico Cancers, trabalha na vacina contra o câncer no cérebro.

            A partir de células dendríticas, que identificam os tumores, o objetivo é “orientar” o sistema de defesa do corpo a responder e combater o tumor.

            Essa pesquisa está na fase 2 e conta com 37 pacientes no grupo de teste. Nesse caso, os resultados preliminares apontam uma taxa de sobrevida global de 75%.

            Dados sobre vacinas contra o câncer: futuro do mercado

            As pesquisas de vacinas contra o câncer são um marco da medicina e podem mudar o protocolo de tratamento de tumores, em definitivo, devolvendo não só a saúde, mas também mantendo a qualidade de vida durante o processo.

            Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor médico da farmacêutica Moderna, Paul Burton, afirma que “as vacinas serão altamente eficazes e salvarão muitas centenas de milhares, senão milhões de vidas. Acredito que seremos capazes de oferecer vacinas personalizadas contra o câncer, contra vários tipos de tumores diferentes, para pessoas em todo o mundo”.

            Segundo Burton, os imunizantes estarão disponíveis até 2030. Em contrapartida, ele projeta que as primeiras doses podem ser liberadas pelos órgãos de saúde em cinco anos.

            Tratamento orientado e seguro

            Os avanços no tratamento contra o câncer reforçam a importância da ciência para as inovações na área da saúde. Por isso, todo protocolo indicado pelo médico deve ser seguido corretamente, afinal, as terapias são indicadas com base em evidências concretas.

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