Câncer de próstata: sintomas, como diagnosticar e opções de tratamento
O câncer de próstata é a segunda doença que mais acomete homens no Brasil (atrás do câncer de pele não melanoma) e é também a segunda que mais mata (depois do câncer de pulmão).
De acordo com os dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, mais de 47 mil homens morreram em decorrência de complicações desse tipo de câncer entre 2019 e 2021.
Somente em 2022, quase 66 mil novos casos foram diagnosticados, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). A entidade estima ainda que, entre 2023 e 2025, surjam uma média de 72 mil casos novos a cada ano.
Em parte, o crescimento na incidência de neoplasia na próstata se deve aos avanços tecnológicos na medicina, que permitem realizar exames mais precisos para detectar a doença.
Neste artigo, vamos explicar como é o diagnóstico de câncer de próstata, os sintomas e as opções de tratamento.
Continue a leitura e descubra também como prevenir o câncer de próstata.
O que é câncer de próstata?
O câncer de próstata nada mais é do que uma anomalia no processo de divisão celular na glândula prostática. Nesse tipo de neoplasia, as células crescem de maneira desordenada e, juntas, formam um tumor tanto dentro como fora da próstata.
Essa glândula, que tem, aproximadamente, o tamanho de uma noz e o formato de uma maçã, fica localizada na altura da região inferior do abdômen. Internamente, ela está abaixo da bexiga e à frente do reto.
A função desse órgão consiste em produzir e secretar um líquido chamado de secreção prostática. Trata-se de um componente fundamental do sêmen, pois protege e nutre os espermatozóides para que cheguem mais saudáveis em uma eventual fecundação do óvulo.
O câncer de próstata é considerado um “câncer da terceira idade”. Isso porque, na grande maioria dos casos, as pessoas acometidas por essa doença têm mais de 65 anos.
Em algumas formas da doença, o tumor pode crescer rapidamente e até mesmo se espalhar para outras partes do corpo. No entanto, na maioria dos casos, o desenvolvimento da doença ocorre paulatinamente. Estima-se que o tumor na próstata leve cerca de 15 anos para medir 1 cm³.
Durante esse tempo, a doença pode ser assintomática e sequer representa uma ameaça significativa à saúde da pessoa.
Além da idade, outros fatores de risco desse tipo de câncer são:
- histórico familiar;
- estilo de vida;
- obesidade;
- tabagismo.
Quais são os sintomas de câncer de próstata?
Os sintomas do câncer de próstata podem variar conforme o estágio da doença. Em alguns casos, os sintomas podem ser inexistentes.
Os sinais são mais comuns quando a neoplasia encontra-se em estágio mais avançado. Dessa maneira, as manifestações mais comuns do câncer são:
- dificuldade para urinar;
- micção frequente;
- disfunção erétil;
- pouco volume no jato de urina;
- presença de sangue na urina ou no sêmen;
- dores na pelve ou ósseas;
- dormência nas pernas e pés;
- insuficiência renal.
Vale a pena alertar que a presença desses sintomas não necessariamente significa que a pessoa está com um tumor na próstata.
Por sinal, esses sinais também são manifestações comuns de outras doenças relativas ao trato urinário, como infecções, inflamações, inchaço natural da próstata (hiperplasia benigna) e prostatite (inflamação da glândula prostática).
Qual o primeiro sinal do câncer de próstata?
Os primeiros sinais do câncer de próstata costumam ser a dificuldade de urinar e a vontade de fazer xixi várias vezes ao dia. A urina não sai em um jato forte, mas sim fica “pingando” ou é eliminada de forma “picada”. Há também a sensação de que a bexiga não foi completamente esvaziada depois de urinar.
Como é o diagnóstico de câncer de próstata?
O diagnóstico de câncer de próstata costuma ser feito a partir de dois exames fundamentais: o de toque e o Antígeno Prostático Específico (PSA). Mesmo que não apresentem nenhum sintoma, a recomendação é que, a partir dos 50 anos de idade, as pessoas com próstata façam esses exames periodicamente.
A periodicidade depende de fatores específicos, como a predisposição genética, além da avaliação do médico urologista. Quanto mais cedo for o diagnóstico, maiores são as chances para um tratamento bem-sucedido.
Exame Antígeno Prostático Específico (PSA)
Para fazer o exame de Antígeno Prostático Específico, é necessário coletar uma amostra de sangue do paciente. A intenção é, em laboratório, avaliar o nível de PSA, que é uma proteína que a próstata produz.
Quando o nível de PSA está muito alto, isso é um sinal de algum tipo de anomalia na próstata – podendo ou não se tratar de um tumor. Para confirmar o diagnóstico de câncer, o médico recorre ao exame de toque.
O exame PSA não costuma ser indicado para quem tem menos de 40 anos, a não ser que se trate de casos em que há registro de câncer de próstata no histórico familiar, presença de sintomas ou hiperplasia prostática benigna.
Para a realização desse exame, é necessário fazer uma preparação com 3 dias de antecedência, o que inclui:
- não ter relações sexuais;
- não ejacular;
- não praticar esportes intensos (como bicicleta, andar a cavalo etc.);
- não ter feito o exame de toque retal.
Exame de toque retal
Há muito estigma em torno do exame de toque retal. Por preconceito e por atrelar esse exame à homossexualidade, muitos homens preferem não ir ao médico e deixam de diagnosticar a doença em fase inicial.
Dessa forma, eles só descobrem que estão com câncer quando o tumor está avançado, o que dificulta o tratamento e reduz as chances de cura.
Ao contrário do que muitos pensam, o exame de toque não dói e é bastante rápido. A intenção é que o médico urologista possa verificar se a glândula está do tamanho adequado e se há nódulos formados em sua superfície.
Se o médico notar a presença de características incomuns, ele pode ainda solicitar uma biópsia para, enfim, confirmar se se trata ou não de um câncer.
Câncer de próstata tem tratamento?
Sim, existe tratamento para o câncer de próstata. Ele tende a ser mais eficaz quando o diagnóstico é feito precocemente. Dentre as opções terapêuticas utilizadas no combate contra esse tipo neoplasia, as mais comuns são:
- quimioterapia;
- radioterapia;
- hormonioterapia;
- intervenção cirúrgica (remoção completa da próstata).
A escolha do tratamento mais adequado depende da avaliação médica, do quão avançada a doença se encontra e do risco que o tumor representa.
Tratamento de tumor com risco baixo e intermediário
O tratamento para câncer de próstata de baixo risco costuma ser feito com base na chamada “observação vigilante”. O tumor e a glândula são monitorados periodicamente para detectar uma eventual evolução.
Esse acompanhamento é feito por meio de exames do tipo PSA e biópsias. Ainda em fase de risco baixo, as principais alternativas de enfrentamento do câncer são:
- a radioterapia (utiliza radiação ionizante para destruir células cancerígenas);
- a quimioterapia (administração de medicamentos projetados para destruir combater células cancerígenas);
- a hormonioterapia (falaremos mais sobre essa opção mais à frente).
Caso a doença avance para um risco intermediário, o profissional responsável pelo caso pode sugerir a prostatectomia radical. Esse procedimento consiste na remoção completa da próstata, das vesículas seminais e de outros tecidos próximos.
A intenção é eliminar completamente qualquer vestígio de neoplasia e, assim, evitar uma possível metástase.
Tratamento de tumor com risco alto e muito alto
No tratamento de neoplasia na próstata que oferece risco alto, o acompanhamento médico é feito mais de perto, com a realização de exames mais frequentes.
As alternativas para enfrentamento do câncer continuam sendo as mesmas, porém, mais agressivas. A radioterapia, a quimioterapia e a hormonioterapia ainda são consideradas opções viáveis para retardar o crescimento do tumor, mas as chances de combatê-lo completamente caem um pouco nesse estágio.
A abordagem que tende a ser mais eficaz quando o risco do tumor é alto ou muito alto é a remoção da próstata. Contudo, aumenta-se também o risco de o paciente ficar com algum tipo de sequela que comprometa sua qualidade de vida, como incontinência urinária e disfunção erétil.
Tratamento do tumor em fase metastática
Não há muito o que se fazer para tratar um tumor na próstata quando este se encontra em fase de metástase. A essa altura, ele já se espalhou para os demais órgãos e tecidos do corpo, comprometendo outras funções do organismo.
Nesse caso, tanto a prostatectomia radical como as outras terapias que já mencionamos aqui têm pouca eficácia, exceto a hormonioterapia.
Essa alternativa terapêutica consiste em diminuir o nível de hormônios masculinos. Isso acontece porque tais hormônios, como a testosterona, servem de “alimento” para as massas que se formaram na próstata e em outras partes do corpo.
Assim, consegue-se frear um pouco o desenvolvimento dos tumores e até mesmo promover a remissão do câncer.
Câncer de próstata tem cura?
Sim. Uma pessoa com câncer de próstata pode se ver completamente livre da doença. Isso vai depender do estágio em que o tumor foi diagnosticado e do tratamento adotado para enfrentar a doença.
Quanto antes o câncer for detectado e o tratamento iniciado, maiores são as chances de cura total.
Câncer de próstata maligno: tempo de vida
Quando o câncer é diagnosticado muito tarde, em estágio já avançado, fica mais difícil para a pessoa entrar em remissão. No caso de metástase, em que o tumor se espalha para outras partes do corpo, diferentes órgãos vitais podem ser afetados e levados à falha, o que causa o óbito do paciente.
Quando o paciente não reage bem ao tratamento e seu estado de saúde geral está muito comprometido, a expectativa de vida pode ser de meses a pouco mais de 1 ano (em se tratando de câncer em estágio terminal).
Nesse caso, o que resta fazer é adotar cuidados paliativos para gerenciar a dor e deixar o paciente o mais confortável possível.
Como prevenir o câncer de próstata?
Para se prevenir contra o câncer de próstata, existem algumas práticas que você pode adotar no seu estilo de vida. Separamos aqui as principais.
1 – Conheça seu histórico familiar
É muito importante que, para prevenir o câncer na próstata, você conheça o histórico familiar. Procure saber se o seu pai, irmão ou tio já tiveram a doença.
2 – Adote hábitos alimentares mais saudáveis
Uma alimentação saudável e equilibrada contribui para a prevenção do câncer. Ao adotar uma dieta rica em vitaminas e outros nutrientes essenciais, sua imunidade se fortalecerá, reduzindo as chances de desenvolver essa doença.
Adicionalmente, evite o consumo de bebidas alcoólicas, pois o álcool pode afetar as taxas hormonais.
3 – Pratique exercícios físicos regularmente
A prática regular de atividades físicas é muito importante para fortalecer o sistema imunológico e combater a obesidade e o sobrepeso, que são considerados fatores de risco para esse tipo de câncer.
4 – Evite o tabagismo
O tabagismo é um hábito bastante nocivo de diversas formas. Uma delas se refere à taxa de mortalidade em decorrência do câncer na próstata ser maior entre os fumantes.
5 – Consulte o urologista periodicamente
Não negligencie as consultas periódicas ao urologista. Elas são muito importantes para identificar a doença com antecedência e tratá-la com mais chances de cura total.
Veja também: Câncer de mama masculino é normal? Conheça os sintomas e tratamentos
Bom, o que achou desse guia completo sobre câncer de próstata?
Como você pôde conferir ao longo dos parágrafos anteriores, essa é uma doença que costuma se desenvolver lentamente. Logo, é comum que muitas pessoas tenham esse câncer e nem saibam, tendo em vista que os sintomas costumam se manifestar quando a doença encontra-se em estágios mais avançados.
Essa demora para diagnosticar a neoplasia na próstata pode comprometer seriamente as chances de sucesso do tratamento e cura da doença. Sendo assim, é vital manter-se em dia com os exames de rotina.
Se você tem uma próstata e já completou 50 anos de idade, não deixe de marcar a consulta com um urologista. E, caso tenha histórico desse tipo de câncer na família, a idade mínima é de 45 anos.




