Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC): diagnóstico, tratamento e mais
Quem tem TOC, o Transtorno Obsessivo-Compulsivo, vive uma intensa angústia e ansiedade quando o gatilho para a obsessão ou compulsão que sentem é atingido.
O problema vai além de uma simples mania que toda pessoa pode ter. Porém, é importante reparar se deixar de fazer uma determinada ação afeta o equilíbrio das emoções ou impede de continuar o dia normalmente.
Para ajudar a atender esse quadro, explicamos os sintomas do TOC, como é feito o diagnóstico do transtorno e os tratamentos utilizados que dão resultado.
Boa leitura!
O que é TOC?
TOC, ou Transtorno Obsessivo-Compulsivo, é um distúrbio psiquiátrico marcado pela presença de obsessões, compulsões ou ambas. As ideias obsessivas e os rituais compulsivos são impulsos que as pessoas não conseguem conter e não realizá-los pode afetar profundamente o equilíbrio emocional e limitar suas capacidades no dia a dia.
As obsessões são ideias, imagens ou impulsos regulares, frequentes e indesejados, que, quando se impõe, deixam a pessoa bastante ansiosa.
Já as compulsões, ou rituais, são ações ou condutas mentais específicas que a pessoa se sente obrigada a realizar para tentar reduzir ou evitar a ansiedade provocada pelas obsessões.
Aproximadamente 2% a 3% da população geral tem Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Os sintomas têm início na infância ou na adolescência de um terço até a metade dos casos. A distribuição entre os sexos é semelhante, sendo ligeiramente maior entre as mulheres, de acordo com um estudo sobre o transtorno.
Vale destacar que o TOC é diferente de outros transtornos psicóticos, como a esquizofrenia, pois a pessoa não perde a conexão com a realidade quanto do transtorno de personalidade obsessiva-compulsiva, mesmo tendo características em comum, incluindo ser sistemático ou perfeccionista.
Quais são os sintomas do TOC?
Os principais sintomas do TOC são a presença de obsessões (imagens, pensamentos e desejos) e compulsões relacionadas a dano, risco ou perigo, que acontecem constantemente, contra a vontade da pessoa, mesmo que ela esteja fazendo outras funções ou com o pensamento focado em outra coisa.
Uma característica da obsessão é que não realizá-la causa ansiedade e angústia. Esses sentimentos cessam, uma vez que as regras e/ou etapas da ação foco da obsessão são realizadas.
Alguns exemplos de obsessão comuns em casos de Transtorno Obsessivo-Compulsivo são:
- evitar contaminação (evitar tocar em maçanetas);
- ter dúvidas sobre a realização de tarefas (deixar o ferro na tomada ou não trancar a porta);
- ser extremamente organizado (manter objetos alinhados e não usar roupas amassadas).
Outro sintoma são as compulsões, ou seja, a criação de rituais repetitivos, propositais e intencionais, que precisam ser cumpridos para aliviar a ansiedade do TOC, como:
- lavar as mãos ou os alimentos sempre para evitar contaminação;
- checar várias vezes se as luzes estão apagadas ou se o gás foi desligado;
- repetir uma contagem para si um número específico de vezes;
- criar uma ordem padrão para guardar talheres, copos e outros objetos da casa.
Como é feito o diagnóstico do TOC?
O diagnóstico do TOC é feito por meio da avaliação de padrões específicos que se manifestam na forma dos sintomas descritos acima, ou seja, a existência de obsessões, compulsões ou ambas, que devem atender aos seguintes critérios: tomar muito tempo ou provocar angústia e interferir na capacidade funcional da pessoa.
O Transtorno Obsessivo-Compulsivo pode ser identificado por diferentes profissionais de saúde, como psiquiatra, psicólogo, neurologista, pediatra ou clínico geral.
Alguns tipos de compulsão são mais fáceis dos familiares ou pessoas próximas perceberem, como os que têm regras muito rígidas. Porém, outros são mais sutis, como contar em voz baixa repetidas vezes.
O padrão de obsessão e compulsão fica claro, seja por iniciativa da pessoa ou pelos efeitos causados no cotidiano.
É importante destacar que as pessoas com o transtorno não estão alheias à existência dessa condição. A maior parte sabe que sua preocupação é infundada e que não está em risco. Por outro lado, algumas delas acreditam que sua obsessão é plausível.
Uma característica de uma pessoa que tem TOC é tentar esconder os hábitos compulsivos, pois compreende que os mesmos excedem o normal.
Ligação com outros transtornos
Ao diagnosticar o Transtorno Obsessivo-Compulsivo, outros quadros de saúde mental podem ser identificados.
A ansiedade está presente em 75% dos casos de TOC, em 40% das pessoas há depressão maior permanente e, ainda, de 23% a 32% apresentam transtorno de personalidade obsessivo-compulsivo.
A tendência a ter pensamentos suicidas atinge de 25% a 75% das pessoas com TOC. Desse grupo, de 10% a 13%, atenta contra a própria vida. Quando o diagnóstico identifica depressão, o cuidado deve ser ainda maior para evitar esse resultado.
Leia também >>> Diagnóstico de transtornos psiquiátricos: como é feito?
Quais são os tratamentos para o TOC?
O tratamento para o TOC é realizado com o apoio de técnicas da terapia cognitivo-comportamental, especificamente a terapia de exposição e prevenção de rituais, que têm resultados bastante positivos.
Neste protocolo, o paciente é exposto aos gatilhos que desencadeiam as obsessões e as compulsões do seu Transtorno Obsessivo-Compulsivo, de forma gradual e repetida.
Porém, o terapeuta orienta que ele não realize a ação do ritual compulsivo, o que é chamado de terapia de prevenção. Durante as sessões, o paciente se conscientiza que não precisa dos rituais e se desvincula das ideias obsessivas, diminuindo a ansiedade e o desconforto do TOC.
Essa mudança no comportamento garante o resultado de longo prazo da terapia de exposição e prevenção.
Junto com as técnicas acima, os medicamentos para o TOC da categoria de inibidores seletivos de recaptação da serotonina, um tipo de antidepressivo (ex: fluoxetina e clomipramina), também são incluídos no protocolo.
Para a maioria dos médicos, a abordagem complementar é o mais eficaz para o sucesso do tratamento do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).
Siga corretamente a prescrição médica
Tanto nos cuidados com o TOC quanto em outras condições de saúde, seguir a orientação do receituário criado pelo médico é fundamental. Por isso, respeite a dosagem e o intervalo estabelecido com exatidão e reponha o medicamento antes que ele acabe.
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