O que é o aborto espontâneo?
A gestação é um momento muito aguardado na vida das mulheres e a notícia da gravidez gera muita emoção para os pais e as famílias. Quando algo sai fora do planejado e faz com que a gestação seja interrompida antes do tempo, gera uma série de inseguranças e incertezas.
O aborto espontâneo é caracterização pela interrupção involuntária da gravidez, que ocorre antes das 20 semanas de gestação. Em 80% dos casos ocorre por volta das 12 semanas de gestação e estima-se que 20% das gestações terminem por aborto espontâneo. As causas não são bem definidas e podem ser inúmeras, como má formação fetal, histórico de doenças e infecções por vírus e bactérias.
Por que acontece?
As causas do aborto espontâneo são diversas e variam de mulher para mulher, pois cada uma possui uma história de vida e um histórico de saúde. Dentre as principais causas podemos citar os fatores genéticos, devido a anormalidades cromossômicas (a mais prevalente é a anomalia do cromossomo 16, que causa alteração no desenvolvimento, no qual os tecidos que deveriam formar um feto tornam-se um crescimento anormal no útero), sendo essa causa presente em 50% dos casos.
A idade materna também influencia para a ocorrência, mulheres de até 35 anos tem cerca de 15% de chance de sofrer um aborto espontâneo, enquanto as de 35 a 39 anos tem 25% e de 45 anos ou mais, 90% de probabilidade de ocorrer, segundo a SBRA (Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida).
Outra causa que impede a continuação da gestação é a ocorrência de uma gestação anembrionada. Mas o que isso quer dizer? Se caracteriza pela fertilização do óvulo, porém com um embrião que acaba não se formando e desenvolvendo-se. Os sintomas da gravidez acabam se ausentando e pode vir seguido de um sangramento vaginal.
O histórico de saúde da mulher, como os problemas hormonais e doenças autoimunes (como lúpus, esclerose múltipla, vitiligo, entre outras) também estão entre as causas associadas. Malformações uterinas, congênitas e adquiridas (miomas, infecções sexualmente transmissíveis – ISTst e infecções), e doenças que não são bem tratadas favorecem para que a gestação não chegue até o fim. Ocorrência de abortos antecedentes e a obesidade também contribuem.
Alguns hábitos não saudáveis adotados pelas gestantes aumentam a chance de ocorrência de um aborto espontâneo, como a ingestão de bebidas alcóolicas, uso de drogas, tabagismo e uso indiscriminado de medicamentos sem supervisão médica.
O que eu posso sentir?
Os sinais e sintomas de aborto espontâneo podem incluir:
- Sangramento vaginal;
- Forte dor abdominal, semelhante a cólica de menstruação;
- Febre e calafrios;
- Corrimento vaginal de cor amarronzada ou sangue vivo, presença de mau cheiro e com a presença de coágulos;
- Ausência de movimentos fetais;
- Diminuição dos sintomas de gravidez, como sensibilidade nos seios e enjoos.
Como confirmar que ocorreu?
Se você suspeitar que ocorreu um aborto espontâneo ou tiver mais de um dos sintomas citados acima, procure por um serviço de saúde o quanto antes. O médico avaliará os sinais clínicos e solicitará exames, como ultrassonografia (para verificar a saúde do bebê e as condições da placenta), exame pélvico ginecológico, exame de sangue para medir os níveis de Beta-HCG, hemoglobina e hematócritos. Somente assim o médico consegue confirmar o aborto.
O aborto espontâneo pode se diferenciar em alguns tipos, sendo eles:
- Ameaça de aborto: onde ocorre o sangramento vaginal, porém não há a dilatação e nem a expulsão do feto. A gestação pode ser seguida, com todos os cuidados a serem seguidos.
- Aborto incompleto: quando a expulsão do material fetal e da placenta não é completa e alguns restos são mantidos.
- Aborto completo: quando todo o conteúdo placentário e fetal é expelido e não há necessidade de intervenção cirúrgica.
- Aborto retido: quando é diagnosticado a morte fetal, porém não ocorre a dilatação uterina para que seja expelido.
- Aborto séptico: quando é de ocorrência de uma infecção uterina.
O que devo fazer após a confirmação?
O tratamento depende do tipo de aborto que a mulher teve e é orientado por um médico ginecologista. Se o aborto foi incompleto ele indica tratamento com medicamentos que visem a eliminação restante do conteúdo fetal, podendo também ser indicado uma curetagem, que nada mais é do que uma aspiração para retirar todo e qualquer material que possa ter ficado no interior uterino.
Se o aborto foi completo e a mulher não apresenta sinais de infecção, a eliminação natural é indicada, caso não aconteça dessa forma pode haver intervenção médica. Caso seja notada a presença de infecção, o médico entra com tratamento com antibióticos e indicação de raspagem uterina. Em casos muito graves pode ser apropriado a retirada do útero da mulher.
Quando posso engravidar novamente?
Após sofrer um aborto espontâneo a mulher deve adotar uma série de medidas que visem prevenir uma nova ocorrência, como buscar conversar com seu médico para entender a ocorrência de aborto, e se há a necessidade de algum tratamento. Buscar apoio psicológico, pois o lado emocional fica bastante abalado, visto que é um momento muito aguardado. Afinal após o trauma da perda do bebê, a mulher pode se sentir triste e desanimada.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) é recomendado um intervalo de 6 meses para que ocorra uma nova gestação, tempo suficiente para que o útero possa se recuperar e que a mulher também possa reabilitar-se emocionalmente, visto que a próxima gestação pode vir acompanhada de medos e inseguranças. Ainda, alguns especialistas recomendam um intervalo maior de 12 a 24 meses para essa recuperação.
O que eu posso fazer para prevenir?
Procurar sempre manter em dia as consultas de pré-natal para que qualquer intercorrência seja diagnosticada antes de levar a um aborto. Manter hábitos saudáveis durante a gestação também podem ajudar a prevenir a ocorrência, como praticar exercícios físicos, manter refeições saudáveis e equilibradas, controlar o estresse e a ansiedade, manter o peso dentro dos limites, não consumir álcool, cigarros e drogas ilícitas, além de controlar o consumo de cafeína.
Artigo redigido pela enfermeira Andrielle Oliveira




