A vacinação infantil é um caso de sucesso da saúde brasileira que contribuiu para erradicar muitas doenças infecciosas graves no país. O fato dos imunizantes estarem disponíveis na rede pública de saúde facilita o acesso da população, principalmente a mais carente.
Porém, nos últimos anos, a taxa de vacinação infantil no Brasil diminuiu de 93,1% para 71,49%, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Além de entrar na lista dos 10 países com menor cobertura vacinal, algumas doenças já erradicadas entre as crianças registraram aumento de casos nos últimos anos, como o sarampo, a meningite, a difteria, a poliomielite e a rubéola.
Essas estatísticas alertam para a importância da vacinação infantil e da educação dos pais no cumprimento do calendário.
A parceria entre familiares e médicos é essencial para que esse conhecimento chegue a todos. Neste artigo, explicaremos a relevância do Calendário Nacional de Vacinação Infantil, como ele funciona e quais são as vacinas básicas que devem estar em dia.
Boa leitura!
Qual a importância da vacinação infantil?
A vacinação infantil é uma iniciativa de proteção à saúde das crianças e de contenção de doenças, pois com um alto índice de imunização contra doenças infecciosas graves, a população se mantém protegida de vírus e bactérias perigosos, cuja infecção causa casos graves e sequelas permanentes.
O sarampo é um exemplo de como doenças infecciosas voltam a crescer rápido se a vacinação não é seguida à risca. Em 2016, a patologia foi considerada erradicada no país, mas, em 2018, com a baixa cobertura vacinal, voltou a aparecer na lista de doenças em alta.
As fake news sobre efeitos colaterais das vacinas, que reforçam a falta de conhecimento da população sobre a gravidade das doenças, influenciaram muitos pais e responsáveis por crianças, afetando o trabalho educacional feito pelos órgãos de saúde.
A pandemia da COVID-19 também afetou a taxa de cobertura vacinal devido ao isolamento social e outras medidas preventivas que impediram a ida aos postos de saúde.
Porém, com o fim da pandemia, o governo federal investe em campanhas para recuperar os índices anteriores de vacinação infantil do Programa Nacional de Imunização (PNI).
Uma dessas iniciativas é o Projeto Reconquista das Altas Coberturas Vacinais, uma parceria entre Fiocruz, Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
O objetivo é criar uma rede de colaboração nacional de apoio ao PNI para reverter a queda nas taxas de imunização de doenças imunopreveníveis tanto em crianças quanto adolescentes, adultos, idosos, gestantes e povos indígenas.
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O que é o Calendário Nacional de Vacinação Infantil e como ele funciona?
O Calendário Nacional de Vacinação Infantil é um planejamento das vacinas básicas que toda criança de 0 a 10 anos precisa tomar para estimular o sistema imunológico na criação de anticorpos que vão preveni-las das principais doenças infecciosas.
Todas as vacinas do cronograma estão disponíveis gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). A BCG ID é a primeira vacina, aplicada logo após o nascimento, em dose única, para proteger os bebês das formas graves de tuberculose.
A partir dela, a vacinação infantil continua entre as primeiras doses e doses de reforço. Para que o planejamento seja cumprido, os pais precisam ser orientados corretamente pelos profissionais de saúde. As visitas ao pediatra ajudam a monitorar o cartão de vacinas e a aplicação das doses no momento correto.
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Quais são as vacinas do calendário infantil no Brasil?
De acordo com as recomendações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o calendário infantil no Brasil possui 17 vacinas. Desse total, apenas três não estão disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Saiba quais são e quando cada uma é aplicada:
Vacinas disponíveis na rede pública
- BCG – ID: ao nascer, em dose única, previne contra os tipos graves de tuberculose.
- Hepatite B: ao nascer, em três ou quatro doses dependendo do tipo de vacina utilizada.
- Rotavírus: aos dois meses, duas ou três doses, conforme o tipo de vacina.
- Tríplice bacteriana (DTPw ou DTPa): três doses (2, 4 e 6 meses) com reforço aos 15 e 18 meses e depois aos 4, 5 e 6 anos de idade, protege contra difteria, tétano e coqueluche.
- Haemophilus influenzae b: três doses (2, 4 e 6 meses) com reforço aos 15 e 18 meses, previne de um tipo de meningite.
- Poliomielite (vírus inativados): três doses (2, 4 e 6 meses) com reforço aos 15 e 18 meses e depois aos 4, 5 e 6 anos de idade.
- Pneumocócicas conjugadas: 2 ou 3 doses, dependendo da vacina utilizada e reforço aos 12 e aos 15 meses, imunizando contra doenças que atacam o sistema respiratório e o cérebro.
- Meningocócicas conjugadas ACWY ou C: previne contra meningite e infecções generalizadas causadas pelos tipos A, C, W e Y. Nas clínicas de imunização privada, são 2 doses (3 e 5 meses), reforço aos 12 e 15 meses e, depois, aos 5 e 6 anos. No SUS, a vacina é disponibilizada para adolescentes de 11 e 12 anos.
- Influenza (gripe): dose anual a partir dos 6 meses de idade.
- Febre amarela: 2 doses (9 meses e 4 anos).
- Hepatite A: dose única aos 15 meses (até menores de 5 anos).
- Tríplice viral: dose única aos 12 meses, protege do sarampo, caxumba e rubéola.
- Varicela: 2 doses, aos 15 meses e entre 4 e 6 anos, previne contra a catapora.
- HPV: 2 doses para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Para adultos de até 45 anos, é possível encontrá-la em clínicas privadas de vacinação.
Vacinas disponíveis nas clínicas privadas de vacinação
- Tríplice bacteriana acelular do tipo adulto (dTpa): vacina de reforço aos 9 anos e também para gestantes.
- Dengue: vacina aplicada em 3 doses entre os 6 e 9 anos.
- Meningocócica B: 2 doses de reforço aos 12 e aos 15 meses.
Incentive a proteção de doenças preveníveis por vacinação
A vacinação é um compromisso coletivo que todo médico deve abraçar e orientar pais e responsáveis a seguir para aumentar a cobertura vacinal, garantindo a segurança da população desde os primeiros meses de vida.
Em paralelo, toda orientação médica, incluindo o receituário, deve ser descrita de forma clara e acessível.
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