A poliomielite é uma doença que causou sequelas em milhares de pessoas em todo o mundo, especialmente em crianças.
O vírus causador da poliomielite foi identificado pela primeira vez em 1908, por Karl Landsteiner, o que, para a ciência, é considerado pouco tempo.
De lá para cá, a comunidade médica e científica mundial se dedicou a entender mais a fundo o que é poliomielite e desenvolver tratamentos e métodos de prevenção que fizeram os casos de poliomielite diminuírem de forma expressiva (ou até mesmo ser erradicada) em vários lugares do planeta.
Mas, recentemente, um caso de paralisia em uma criança no Pará levantou o alerta das autoridades de saúde sobre um possível retorno da doença ao país – erradicada desde 1994. Afinal, a poliomielite voltou ao Brasil?
Neste artigo, além de responder essa pergunta, vamos explicar os pontos-chave do assunto!
- O que é poliomielite?
- Como a poliomielite é transmitida?
- Quais são os sintomas da poliomielite?
- Como tratar poliomielite?
- Poliomielite tem vacina?

O que é poliomielite?
A poliomielite é uma doença causada pelo poliovírus. Também conhecida como paralisia infantil, ela recebe essa denominação devido às sequelas que pode causar nas pessoas infectadas – principalmente nas crianças.
Considerada uma doença contagiosa, a poliomielite pode ser transmitida por meio do contato direto com fezes ou secreções orais de pessoas contaminadas, por alimentos, água e objetos contaminados. Isso porque o poliovírus habita o intestino do paciente infectado.
A falta de saneamento e as más condições de higiene habitacional e/ou pessoal contribuem para a proliferação do vírus.
Porém, a paralisia decorrente do poliovírus não é uma regra. Ou seja, nem todas as pessoas que se infectarem com poliomielite vão desenvolver um quadro de paralisia muscular.
Quando isso ocorre, é porque o poliovírus causa uma infecção na medula e no cérebro do paciente. Como consequência, algumas capacidades motoras podem ser afetadas.
Segundo o estudo The Late Effects of Polio, os casos graves de poliomielite, em que o sistema nervoso central é afetado, correspondem a, aproximadamente, 3% dos pacientes infectados. A meningite causada pelo poliovírus é, na maioria dos casos, do tipo não paralítica.
Principais sequelas da poliomielite
Quando a poliomielite evolui para um quadro de paralisia, os membros inferiores são os que costumam ser mais afetados.
Dentre as principais sequelas da poliomielite paralítica, destacam-se:
- “pé torto”, condição em que o paciente não consegue andar encostando o calcanhar no chão;
- fortes dores nas articulações;
- perna maior que a outra;
- paralisia de uma ou das duas pernas;
- atrofia muscular (perda de volume e enfraquecimento);
- osteoporose (perda da densidade óssea);
- dificuldade de falar devido à paralisação de músculos importantes para a fala;
- dificuldade para engolir;
- hipersensibilidade ao toque.
Como a poliomielite é transmitida?
Para entender melhor o que é poliomielite, vale a pena explicarmos como essa doença contagiosa é transmitida.
Como mencionamos no tópico anterior, a transmissão da poliomielite ocorre a partir do contato direto com fezes ou secreções orais de pacientes infectados pelo poliovírus.
Isto é, ingerir alimentos ou água contaminada com vestígios fecais, não higienizar as mãos e ter contato oral-oral com a saliva ou as gotículas de secreção via tosse e espirro são formas de contrair a poliomielite.
Devido a essas formas de contágio – em especial as do tipo fecal-oral – é que a poliomielite é mais comum nas regiões em que não há condições adequadas de saneamento e tratamento da água.
Quais são os sintomas da poliomielite?
Quando uma pessoa é contaminada pelo poliovírus, os sintomas mais comuns que ela pode apresentar são:
- febre;
- dor de cabeça;
- dores musculares;
- cansaço;
- vômito;
- diarreia;
- dificuldade para evacuar (constipação);
- rigidez na nuca;
- garganta inflamada;
- espasmos.
Como tratar poliomielite?
Infelizmente, não existe ainda um tratamento específico para a poliomielite, capaz de atacar diretamente o vírus causador da doença. O que se faz é o tratamento dos sintomas.
Para isso, o paciente com poliomielite deve procurar um hospital ou unidade de assistência à saúde e passar por uma avaliação médica. E, ao diagnosticar o quadro clínico do infectado, o médico define a estratégia terapêutica mais adequada.
No caso dos sintomas leves, como febre, dor de cabeça, dores musculares, vômito e diarreia, o médico pode receitar alguns medicamentos específicos.
Por outro lado, se o paciente desenvolver um quadro mais grave da doença, levando à paralisia, o tratamento dessas sequelas deve ser feito por um fisioterapeuta. Esse profissional vai ajudar o paciente a recuperar a mobilidade (parcial ou total) dos membros afetados e a força muscular.
A partir do tratamento com o fisioterapeuta, será possível minimizar as sequelas e devolver a qualidade de vida para o paciente.
Poliomielite tem vacina?
Sim! A primeira vacina contra a poliomielite foi desenvolvida em 1955 pelo cientista norte-americano Jonas Salk. Utilizada até hoje, essa vacina é injetável e contém o vírus inativado.
Mais tarde, em 1961, entrou em circulação a vacina em gotas. Desenvolvida pelo pelo pesquisador polonês Albert Sabin, a vacina oral contra a poliomielite contém o vírus atenuado.
Hoje, ambas as vacinas são distribuídas pela rede pública de saúde e são consideradas o método mais eficaz de prevenção da doença.
Idealmente, todas as crianças recém-nascidas devem ser vacinadas com 3 doses da vacina injetável: uma aos 2 meses de idade, outra aos 4 meses e a terceira aos 6 meses. Depois, a criança ainda precisa tomar duas doses de reforço. Desta vez, por via oral.
A primeira dose de reforço deve ser administrada quando a criança completar 15 meses de idade. Já a segunda, quando ela fizer 4 anos. É ideal procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para que a carteirinha de vacinação seja avaliada por um profissional de saúde.
Poliomielite voltou no Brasil? Entenda o caso!
O primeiro surto de poliomielite data de 1911, no Rio de Janeiro. Anos mais tarde, em 1930, um novo surto voltou a preocupar as autoridades sanitárias de diferentes capitais. Mas foi só em 1961 que a vacinação em massa da população brasileira teve início.
Graças à vacina, o Brasil não registra nenhum novo caso de poliomielite desde 1989. Mas foi só em 1994 que o país recebeu o certificado da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) de “área livre de circulação do poliovírus selvagem”.
Porém, no segundo semestre de 2022, a Secretaria Estadual da Saúde do Pará relatou ter identificado o poliovírus nas fezes de uma criança de 3 anos. Essa criança apresentava, semanas antes, um quadro de Paralisia Flácida Aguda (PFA).
Após investigações da Secretaria Estadual da Saúde paraense e do Ministério da Saúde, concluiu-se que não se tratava de um caso novo de poliomielite. O que aconteceu, na verdade, foi uma reação adversa rara à vacina contra poliomielite, depois de ter sido aplicada de maneira inadequada.
Portanto, a poliomielite não voltou ao Brasil. Em contrapartida, a comunidade científica faz um alerta para um possível retorno da doença. Isso porque a cobertura vacinal das crianças está abaixo do ideal, que é de 95%.
Tendo isso em vista, agora que você já sabe o que é poliomielite e como se proteger da doença, faça a sua parte e não deixe que ela volte a assombrar o país. Vacine-se e vacine seus filhos.




