A tecnologia vem causando impactos fundamentais no desenvolvimento e evolução da saúde. Um desses avanços é a pílula digital.

A pílula digital é uma tecnologia ingerível, composta de um sensor, que se comunica com um adesivo usado pelo paciente. Ele recebe e registra em um software as informações relacionadas à  ingestão de medicamentos e essas informações posteriormente podem ser compartilhadas com o médico, familiares ou pessoas autorizadas pelo paciente. 

A pílula se trata de uma combinação de medicamento-dispositivo, e a primeira droga a apresentar a tecnologia foi o medicamento aripiprazol, um antipsicótico frequentemente indicado para o tratamento de mania e transtornos bipolares. 

Nos EUA, a tecnologia foi aprovada pelo Food And Drug Administration (FDA) em 2017 e de acordo com os laboratórios envolvidos, os dados coletados pela pílula são armazenados de forma segura e compartilhados somente com o consentimento do paciente, como estipula a HIPAA e a LGPD, leis que regulamentam a segurança de dados. 

Por se tratar de dados sensíveis e sigilosos, é um grande desafio para as empresas garantir a proteção dessas informações. É essencial contar com plataformas seguras de armazenamento e que cumpram as normas da lei geral de proteção de dados. 

Outra questão a ser considerada é a monitorização, manutenção e desativação do sensor, que ainda não possui uma definição adequada. 

Apesar de controvérsias, a tecnologia propõe alguns benefícios, como medir e gerar relatórios da adesão ao tratamento pelo paciente, permitindo que o médico possa realizar mais intervenções terapêuticas baseado em evidências. 

Contudo, ainda não há indicadores seguros de que a tecnologia apresentou maior adesão do tratamento pelos pacientes, pois não foram realizados estudos comparativos com a droga sem a tecnologia. 

Foram realizados testes com outros fármacos, para tratamento de hipertensão não controlada e diabetes tipo 2, expondo resultados promissores, afirmando que os feedbacks sobre a ingestão e adesão ao medicamento promoveram maior envolvimento do paciente com o tratamento, o que levou o Food And Drug Administration (FDA) a propor a aprovação de outras pílulas digitais. 

No Brasil ainda não possuímos projetos de lei visando testes ou aprovação das pílulas, porém essa tecnologia pode ser promissora para a saúde e, possivelmente, derivar outras tecnologias como alertas sobre administrações de medicamentos perdidas e auxiliar em  ensaios clínicos.  

Você já conhecia essa tecnologia? Recomendaria o uso para os seus pacientes?