O que é lesão cerebral? Quais as causas e os principais tratamentos?
O cérebro é responsável por executar diversas funções, desde a fala até a digestão. Quando algum dano afeta o órgão mais importante do sistema nervoso, nossa capacidade de realizar tarefas pode ser prejudicada.
Neste artigo, explicamos o que é uma lesão cerebral, as causas, os tratamentos, as técnicas de reabilitação e a importância do acesso aos cuidados médicos para recuperar as habilidades afetadas.
Continue a leitura e confira!
O que é uma lesão cerebral?
A lesão cerebral é um dano causado ao tecido do cérebro que impede as funções neurológicas de responder normalmente aos estímulos. Esse efeito pode ser temporário ou causar sequelas permanentes, dependendo da gravidade e dos sintomas apresentados após o incidente.
Tal lesão pode ser causada por um trauma, chamado de traumatismo cranioencefálico (TCE), como uma pancada na cabeça, além de situações não traumáticas, como um AVC (acidente vascular cerebral) ou isquemias.
As lesões cerebrais são classificadas como:
- abertas, quando o trauma perfura o couro cabeludo e o crânio;
- fechadas, quando a cabeça é ferida/empurrada contra um objeto ou sacudida violentamente, o tecido pode ser lesionado no ponto de colisão, no oposto ou difusamente.
Um estudo que analisou as ocorrências de lesão cerebral nos hospitais do Brasil constatou que, de 2008 a 2019, aconteceram mais de 131 mil internações por ano — uma média de 65,54 a cada 100 mil habitantes — devido aos traumatismos cranioencefálicos.
O principal grupo de risco são os idosos acima dos 70 anos, cujos casos têm alto índice de mortalidade e, também, os adultos jovens, na faixa etária entre 20 e 39 anos.
Quais as causas de lesão cerebral?
As principais causas de lesão cerebral, segundo o estudo acima, são: colisões automobilísticas no trânsito, quedas, esportes de contato, acidentes de moto ou bicicleta, episódios de violência, atropelamento, suicídio, acidentes com objetos caindo na cabeça e lesões por arma de fogo.
Mesmo com as campanhas educativas nacionais alertando sobre os riscos da associação entre consumo de álcool, direção e excesso de velocidade, uma em cada seis internações nas unidades de emergência é de pessoas com lesão cerebral causada por colisões no tráfego.
Outra pesquisa, que analisou casos de acidentes ligados aos níveis de álcool, constatou que homens (entre 20 e 29 e, também, 40 e 49 anos) são mais suscetíveis a ter um TCE pela postura arriscada que assumem no trânsito.
Diagnosticada a lesão cerebral, as condições físicas do paciente são analisadas e os tratamentos iniciais começam para evitar danos mais extensos ou agravamento do quadro.
3 tipos de tratamentos de lesão cerebral
Os tipos de tratamento de lesão cerebral consideram tanto o estado de saúde atual quanto o anterior, como presença de comorbidades e lesões extracranianas.
O objetivo é recuperar as funções afetadas, estimulando o corpo a se movimentar e responder positivamente aos estímulos.
A gravidade da lesão influencia o tipo de tratamento. Nas ocorrências classificadas como leves, o paciente recebe alta e fica em observação em casa. Já lesões moderadas e graves envolvem procedimentos imediatos para melhorar a ventilação e oxigenação, além da avaliação da microcirculação encefálica via ressonância magnética (RM).
Nesses dois casos, por se tratar de danos mais sérios, podem surgir complicações da lesão cerebral, como convulsões, aumento da pressão intracraniana e hematomas.
A recuperação envolve terapias focadas na reabilitação total para que as funções afetadas sejam recuperadas total ou parcialmente. Os três principais tipos de tratamento de lesão cerebral são:
1. Fisioterapia
A fisioterapia contribui para o tratamento da lesão cerebral quando os danos afetam os movimentos dos membros superiores e inferiores.
Nas sessões, os profissionais usam equipamentos e exercícios para fortalecer a musculatura, melhorar o movimento de preensão (segurar objetos com a mão) e o de amplitude das articulações, como erguer os braços e caminhar, entre outros.
A necessidade de fisioterapia e o tempo de tratamento são definidos depois que o médico tem um panorama da extensão do dano causado pela lesão.
2. Terapia ocupacional
A terapia ocupacional é importante no tratamento de lesão cerebral, pois ajuda os pacientes a superar limitações momentâneas ou se adaptar a um novo momento de vida, caso fiquem com sequelas permanentes.
Um exemplo de solução terapêutica é a adaptação do cabo de utensílios domésticos engrossados para facilitar a pega, ou seja, o movimento de preensão. Isso permite que o paciente se alimente sozinho.
O uso de órteses, cadeiras de rodas e modificações no ambiente também fazem parte desse trabalho.
3. Fonoaudiologia
A lesão cerebral pode afetar as funções referentes à fala e à linguagem. O fonoaudiólogo atua no tratamento para que o paciente recupere a habilidade de produzir sons e aprenda novamente a ativar os órgãos responsáveis pela expressão vocal.
Alguns exemplos de estímulos são: repetir ou falar palavras e mostrar objetos estimulando a recuperação dos recursos da linguagem.
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Como funciona o processo de reabilitação cerebral após uma lesão?
O processo de reabilitação cerebral após uma lesão integra terapias que estimulam o corpo a recuperar a capacidade de realizar as funções afetadas novamente. Algumas das técnicas usadas são: estimulação cognitiva (treino da memória, atenção e raciocínio) e treinamento de equilíbrio (ex: como ficar em pé, andar), entre outras.
Outros procedimentos importantes na reabilitação são o aconselhamento psicológico para o paciente e os familiares, visando fortalecer a saúde mental e melhorar as chances de recuperação.
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Qual a importância da reabilitação e dos tratamentos de lesão cerebral?
A assistência correta nos primeiros socorros após uma lesão cerebral e a investigação detalhada da extensão dos danos causados são pontos-chave para definir o tipo de tratamento e as técnicas de reabilitação mais úteis para recuperar a saúde do paciente.
Essa assistência personalizada e ágil é um desafio para os sistemas de saúde públicos que lidam com um grande volume de atendimentos e limitações em relação ao acesso às tecnologias mais avançadas de diagnósticos.
O acompanhamento bem feito é determinante para que mesmo os casos leves sejam bem avaliados a fim de prevenir complicações, o que é crucial para a sobrevivência dos pacientes.
Além disso, as medidas educativas no trânsito são cruciais para evitar acidentes graves e diminuir as ocorrências de lesão cerebral.
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Siga os cuidados médicos com atenção
Tanto em casos graves, como os de lesão cerebral, quanto de casos mais simples, o uso de medicamentos deve ser orientado pelo receituário prescrito por um médico de confiança.




