A prescrição eletrônica nos EUA:

No post anterior falamos sobre como a prescrição eletrônica tem colaborado para o desenvolvimento da assistência à saúde em vários países da Europa.

Agora veja que interessante esses dados em relação aos EUA:

Nos EUA, erros de medicação matam 7.000 pacientes por ano e são responsáveis ​​por quase 1 em cada 20 internações hospitalares.

Um estudo realizado pela Kaiser Permanente no Colorado, com 12.061 homens e mulheres que receberam novas prescrições de medicamentos para diabetes, hipertensão arterial ou colesterol ao longo de um período de 18 meses, mostrou que o uso da prescrição eletrônica melhora o número de pacientes que seguem as orientações do médico sobre uso dos medicamentos para doenças crônicas.

A não-adesão entre os pacientes foi reduzida de aproximadamente 22% para apenas 7–13% quando o sistema eletrônico de prescrição foi utilizado.

Esse estudo descobriu que apenas 7% desses pacientes negligenciaram a renovação das suas prescrições de medicamentos para hipertensão, enquanto 11% desistiram de retirar suas prescrições de medicamentos para diabetes e 13% não retiraram suas prescrições de medicamentos para colesterol.

Nesse estudo da Kaiser Permanente a farmácia e os consultórios médicos faziam parte do mesmo sistema e estavam conectados através da utilização de prontuários médicos eletrônicos.

As prescrições de medicamentos foram enviadas eletronicamente, ao invés de se utilizar as prescrições tradicionais realizadas em papel.

A transmissão eletrônica de uma prescrição para uma farmácia aumenta a probabilidade de que ela seja retirada pelo paciente.

Ela elimina a responsabilidade do paciente de levar a prescrição até a farmácia, um problema citado por mais de um 1/3 dos pacientes que esqueceu de levar ou teve dificuldades em fazê-lo [1].

Estudos anteriores descobriram que 28% das prescrições feitas em papel nunca chegam a uma farmácia [2].

Pesquisas anteriores descobriram que até 22% dos pacientes de sistemas de saúde não integrados a farmácias acabam não renovando suas prescrições.

Um mês após a alta hospitalar muitos pacientes não fazem uso dos medicamentos certos da maneira correta, diminuindo assim a eficiência do tratamento e resultando em custos repetidos.

De acordo com um estudo norte-americano, a prescrição eletrônica pode impedir quase 2 milhões de erros de medicação, poupando inúmeras vidas.

Muito disso é atribuído à tecnologia das ferramentas de suporte à decisão clínica, como o acesso imediato ao histórico de medicações do paciente e alertas de segurança.

O governo federal norte-americano conseguiu economizar aproximadamente US$ 26 bilhões na última década somente no programa Medicare (mesmo após fornecer fundos para equipamentos, treinamento e suporte) apenas através do incentivo dos médicos para, em seguida, tornar o uso da tecnologia uma condição compulsória para a participação no programa Medicare.

O estudo concluiu que esta abordagem (combinar uma obrigatoriedade com incentivos financeiros), resultaria em aproximadamente 80% dos médicos adotando a tecnologia de prescrição eletrônica [3].

O “Relatório Nacional de Progresso sobre a Prescrição Eletrônica e Assistência Médica Interoperável” do ano de 2011 da Surescripts, relatou um aumento consistente de 10% na adesão inicial ao tratamento (primeira compra de medicamentos) pelos pacientes atendidos por médicos que utilizaram a tecnologia da prescrição eletrônica.

A prescrição eletrônica reduz os erros de prescrição, aumenta a eficiência e ajuda a economizar nos custos com a saúde. Estima-se que erros de medicação são reduzidos a apenas 1/7 do nível anterior, e a economia de custos devido à melhoria dos resultados dos pacientes e à diminuição das visitas aos pacientes está estimada entre US$ 140 bilhões e US$ 240 bilhões em 10 anos para organizações de saúde que implementam a prescrição eletrônica.

Abaixo podemos ter uma ideia da evolução da prescrição eletrônica nos EUA durante as 2 últimas décadas (as datas e textos correspondem ao conteúdo apresentado no infográfico ao final desse post):

2001: SureScripts e Rx Hub foram criados para substituir as prescrições de papel por prescrições eletrônicas.

2004: apenas 4% dos médicos adotam a prescrição eletrônica.

2007: a prescrição eletrônica é legalizada em todos os 50 estados.

2008:

  • O Congresso aprovou o “Medicare Improvements for Patients & Providers Act (MIPPA)”. O ato visava induzir os médicos a prescrever eletronicamente com um misto de incentivos financeiros e penalidades.
  • SureScripts e Rx Hub são fundidos e relançados como Surescripts. Com a fusão das duas empresas, agora é mais fácil para a indústria adotar o Histórico de Medicamentos e Programa de Benefícios de Medicamentos, além do roteamento de prescrição eletrônica.
  • O DEA (Drug Enforcement Administration) propõe regras para permitir a prescrição eletrônica de substâncias controladas. Eliminando prescrições de papel para substâncias controladas e conectando médicos e farmacêuticos eletronicamente, há uma oportunidade de melhorar o atendimento, reduzir fraudes e identificar possíveis casos de abuso.

2009:

  • A Surescripts adota o “National Council for Prescription Drug Programs (NCPDP) SCRIPT 10.6”, padrão para prescrição eletrônica.
  • A “American Recovery and Reinvestment Act (ARRA)” especifica a prescrição eletrônica por médicos de consultório como um dos requisitos para “uso significativo”.

2010:

  • 326 milhões de prescrições eletrônicas.
  • A regulação do DEA permite o controle eletrônico de substâncias controladas.

2011:

  • Iniciado o estágio 1 do “uso significativo”.
  • A CVS Health e Surescripts lançam um piloto de 2 anos para autorizações eletrônicas prévias.

2012:

  • 788 milhões de prescrições eletrônicas.
  • Iniciado o estágio 2 do “uso significativo”.

2013:

  • NCPDP cria um fluxo de trabalho padronizado e formato para autorizações eletrônicas prévias.

2014:

  • 1.2 bilhão de prescrições eletrônicas.
  • Instalações de “Long Term Care” necessárias para aderir ao padrão SCRIPT do NCPDP para prescrição eletrônica. A prescrição eletrônica permite a flexibilidade destas instalações na escolha de farmácias e reduz a necessidade de conexões diretas.
  • Provedores começam a atestar para o estágio 2 do “uso-significativo”.

2015:

  • O serviço eletrônico de autorização prévia da Surescripts chega a 340.000 médicos em todo o país.
  • Surescripts processa 4 milhões de transações de substâncias controladas prescritas eletronicamente entre Janeiro e Junho de 2015.
  • A prescrição eletrônica de substâncias controladas se torna legal em todos os 50 estados e Washington D.C.

Referências:

1. The hidden epidemic: finding a cure for unfilled prescriptions and missed doses. Boston Consulting Group; 2003 December.

2. Fischer M, Stedman M, Lii J, Vogeli C, ShrankW, Brookhart M, et al. Primary medication non-adherence: analysis of 195,930 electronic prescriptions. Journal of General Internal Medicine. 2010;25 (4):284–90. doi:10.1007/s11606-010-1253-9.

3. Options to increase e-Prescribing in medicare: reducing medication errors and generating up to $29 billion in savings for the federal government. Gorman Health Group.

 

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