Brintellix: para que serve e como usar o medicamento?
O tratamento da depressão não segue um padrão, ou seja, cada pessoa, conforme o seu diagnóstico, terá uma indicação de medicamento. Neste artigo, explicamos sobre um deles, o Brintellix, e para que serve.
Antes, vale destacar que a depressão se manifesta de formas diferentes. Por isso, o protocolo de tratamento varia. Alguns possíveis diagnósticos são: depressão major (ou maior), depressão crônica, depressão sazonal, depressão pós-parto, depressão menor, entre outros.
Ao observar os sintomas, ou identificar os sinais em alguém próximo, o primeiro passo é buscar orientação médica para uma avaliação completa.
Dessa forma, ao identificar o tipo de depressão que o paciente tem, o médico prescreve a medicação mais adequada.
O Brintellix é um medicamento recomendado nos casos de depressão major em adultos, ou maior. Continue a leitura e entenda como o remédio deve ser utilizado e os cuidados durante o uso.
Para que serve o Brintellix?
O Brintellix é um medicamento antidepressivo multimodal, que serve para o tratamento do transtorno depressivo maior (ou major), cuja principal substância é a vortioxetina. O ativo age em diferentes receptores de serotonina no cérebro, fazendo o bloqueio de uns e o estímulo de outros.
A vortioxetina ainda inibe a ação do transportador da serotonina, o responsável por eliminá-la de seus locais de ação no cérebro, aumentando seus níveis e atividade.
Como um neurotransmissor, a serotonina transmite sinais químicos entre as células nervosas, controlando o humor e a ação de outros neurotransmissores, que podem ter ligação com a depressão e ansiedade. Daí sua eficácia no tratamento da doença.
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Como a vortioxetina deve ser utilizada?
Agora que você sabe o que é Brintellix e para que serve, é importante conhecer as apresentações do remédio e as recomendações de uso.
Primeiro, o Brintellix é vendido na forma de comprimidos de 5, 10, 15 e 20 mg ou em gotas (20 mg/ml). A prescrição mais comum é de uma dose de 10 mg, uma vez ao dia. Para pacientes maiores de 65 anos, a recomendação é começar com 5 mg/dia.
Caso o paciente já tome outro remédio, a dosagem pode variar para mais ou para menos, dependendo da interação medicamentosa e como ela interfere na decomposição da vortioxetina.
Alguns medicamentos que não devem ser administrados em conjunto com Brintellix conforme orienta a bula são:
- Fenelzina, iproniazida, isocarboxazida e outros inibidores não-seletivos da monoaminoxidase;
- Linezolida (remédio para infecção bacteriana);
- Lítio ou triptofano;
- Carbamazepina ou fenitoína (usados no tratamento de epilepsia).
Geralmente, o uso de Brintellix é mantido durante seis meses após a melhoria dos sintomas de depressão que o paciente apresentava.
Qual o genérico do Brintellix?
Ainda não existe a versão genérica do Brintellix no mercado, pois a patente do medicamento continua com o laboratório original, o Lundbeck, que a detém por 10 anos — o medicamento foi lançado em 2016 no Brasil.
Porém, o Vurtuoso®, também fabricado pela Lundbeck, é um medicamento similar; e o Voextor®, do laboratório Libbs, é um intercambiável.
Quais os benefícios do Brintellix conforme a bula?
Em estudos de curta duração sobre o medicamento divulgados no Relatório Público Europeu de Avaliação (EPAR), o Brintellix obteve resultados positivos tanto na comparação com placebo quanto em relação a outros medicamentos.
Nas análises, os pacientes medicados com a vortioxetina reduziram a pontuação padrão para os sintomas de depressão. Além disso, as pesquisas comprovaram que o efeito do Brintellix preveniu recaídas da depressão.
Um dos estudos constatou que a taxa de recaída no grupo tratado com o antidepressivo foi de 13% contra 26% no grupo que recebeu placebo.
O que é e qual o tratamento para depressão major?
O transtorno depressivo maior (ou major), também chamado de depressão unipolar, é um tipo da doença na qual se manifesta apenas um polo de humor extremo.
Isso significa que o paciente sente-se depressivo ou maníaco (euforia e agitação intensa), sem alternância entre os estados, sendo mais comum na depressão bipolar.
O diagnóstico é um dos mais comuns, diferenciando-se de um quadro passageiro de tristeza e solidão pela persistência dos sintomas e pela incapacitação gerada pelo quadro.
Assim, o paciente não dorme, trabalha, estuda, come ou tem vontade de aproveitar atividades que antes tinha prazer em realizar.
Uma pessoa com depressão major tem sintomas diários por mais de duas semanas seguidas consistentemente, principalmente tristeza e ausência de interesse pelas tarefas diárias.
Diagnóstico
Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (5ª edição), da Sociedade Americana de Psiquiatria, o paciente deve apresentar, no mínimo, cinco, ou mais dos sintomas da lista abaixo:
- Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, conforme indicado por relatos subjetivos ou por observações feitas por terceiros.
- Interesse ou prazer acentuadamente diminuídos em todas, ou quase todas as atividades;
- Perda ou ganho de peso significativo.
- Insônia ou hipersonia quase todos os dias.
- Agitação ou indiferença (observáveis por outras pessoas, e não apenas sentimentos subjetivos).
- Fadiga ou falta de energia constante.
- Sensação de inutilidade ou culpa excessiva.
- Diminuição da capacidade de concentração ou indecisão.
- Pensamentos frequentes de morte ou suicídio.
Tratamento
O tratamento inclui medicamentos antidepressivos, que agem modificando a química cerebral. Eles são utilizados por um período determinado, inclusive, continuando mesmo após melhorias nos sintomas.
Na fase de adaptação, é fundamental informar o médico se o medicamento não trouxe melhoras ou se provocou efeitos colaterais.
Outra via de tratamento, recomendada com a medicação, é a psicoterapia. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma das abordagens efetivas no tratamento da depressão.
A TCC foca na resolução de problemas, auxiliando o paciente a identificar pensamentos distorcidos/negativos. Assim, é possível mudar pensamentos e comportamentos para responder aos desafios de uma maneira mais positiva.
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Oriente-se com seu médico
O uso de medicamentos antidepressivos deve ser orientado por um médico. Portanto, saber para que ser o Brintellix é apenas o primeiro passo. O profissional de saúde é quem vai avaliar e diagnosticar a doenças e, assim, prescrever o medicamento adequado.
*As informações neste site não têm a intenção de substituir uma consulta pessoal com um médico, farmacêutico, enfermeiro ou outro profissional de saúde qualificados.
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Procure sempre um médico para que ele possa lhe auxiliar no seu caso específico.




