O vírus de Marburg pertence à família dos filovírus, que inclui o ebola, e causa um quadro de febre hemorrágica grave e extravasamento capilar (vazamento de fluidos dos pequenos vasos sanguíneos), podendo levar à falência múltipla dos órgãos. Por isso, sua letalidade é bastante alta.
A atenção para este agente infeccioso, conhecido desde 1967, quando cientistas alemães estudaram células do fígado de macacos originários de Uganda, aconteceu por causa de um surto de ‘febre de Marburg’ na Guiné Equatorial em fevereiro de 2023.
No total, segundo a OMS, o vírus levou a óbito nove pessoas, outros oito casos estão sendo investigados. E 34 pessoas que tiveram contato com os infectados foram isoladas em um acampamento.
Esse tipo de notícia deixa uma tensão no ar em relação a uma possível epidemia de Marburg, porém, como veremos ao longo do artigo, a infecção não tem o mesmo potencial do novo coronavírus para se espalhar rapidamente.
Porém, como qualquer contaminação viral, é fundamental que os órgãos de saúde e controle de fronteiras dos países com e sem casos fiquem atentos às notícias, assim como a população em geral que viaja para áreas de risco.
Continue a leitura e entenda os riscos da contaminação, como a transmissão acontece, os principais sintomas, o protocolo para o diagnóstico, tratamento e prevenção do vírus de Marburg.
Boa leitura!
Riscos da contaminação e transmissão do vírus de Marburg
O principal risco da contaminação pelo vírus Marburg é sua alta taxa de mortalidade que varia entre 24% e 88%, dependendo da cepa com a qual a pessoa é infectada, de acordo com a OMS.
Um ponto importante que evita a transmissão em escala global, observando-se apenas surtos regionais, é que os sintomas surgem rapidamente (no segundo dia de infecção a pessoa está limitada), o que ajuda a isolá-la e prevenir o contato com mais pessoas.
O hospedeiro do vírus de Marburg na natureza é o morcego da espécie Rousettus aegyptiacus. Os surtos locais da doença são mais frequentes em países da África Subsaariana Central e Ocidental, como Uganda, Congo, Quênia e África do Sul, entre outros.
Dessa forma, pessoas que viajam para regiões de risco podem ser contaminadas ou contaminar algum objeto, contribuindo para disseminação do vírus.
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Maiores surtos fora da África
Em 1967, um grupo de cientistas de Marburg, na Alemanha, estudava amostras de células hepáticas de macacos verdes da Uganda quando sete pessoas da equipe foram infectadas pelo vírus, até então desconhecido, e foram a óbito.
No mesmo ano, houve um surto na cidade de Frankfurt, também na Alemanha, onde 29 pessoas faleceram por causa da febre hemorrágica de Marburg.
Outro surto em 1967 aconteceu em Belgrado, na Sérvia, tornando a doença mais conhecida. O nome oficial é o da primeira cidade em que aconteceu infecção zero no continente europeu.
Depois desses casos, surtos esporádicos foram reportados no Congo, em Angola, no Quênia, na África do Sul e em Uganda.
Em Uganda, por causa da visitação de cavernas onde moravam morcegos Rousettus, houve a infecção de dois turistas em 2008.
Como o vírus de Marburg é transmitido?
A transmissão entre humanos do vírus Marburg acontece por contato direto da pele e mucosas com sangue, secreções e outros fluidos corporais de pessoas infectadas e que apresentem sintomas. Superfícies e materiais, como roupas de cama e roupas contaminadas, também são meios de adquirir a doença.
Os profissionais da saúde que têm contato direto com os pacientes são o principal grupo de risco, o que reforça a importância de protocolos de segurança avançados que sejam ativados rapidamente, quando necessário.
Outra forma de transmissão comum em regiões africanas acontece por causa das tradições nas quais familiares lavam o corpo de entes queridos falecidos. Como o sangue ainda contém o vírus, as pessoas ainda são vetores de transmissão da doença.
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Quais os principais sintomas do vírus de Marburg?
O período de incubação (da infecção até o início dos sintomas) varia de dois a 21 dias. Os sintomas do vírus Marburg no primeiro e segundo dias surgem de forma repentina. Os principais são:
- febre alta;
- dor de cabeça intensa;
- mal-estar grave;
- dores musculares.
No terceiro dia, os principais sinais são:
- diarreia aquosa intensa (pode durar até uma semana);
- dor abdominal e cãibras;
- náusea;
- vômito.
Conforme a infecção avança, a aparência dos pacientes muda, ficando com olhos profundos, rosto sem expressão e letargia extrema.
Entre o segundo e o sétimo dia, podem aparecer erupções cutâneas (caroços, como alergias) na pele. A partir do quinto dia, o paciente manifesta crises hemorrágicas. Em casos fatais, acontecem sangramentos severos pelo vômito e nas fezes, além de nariz, gengivas e vagina.
Outro sintoma da fase grave da doença do vírus Marburg é a febre alta. Como o sistema nervoso central fica sensibilizado, os pacientes experimentam confusão, irritabilidade e agressividade.
Os óbitos são registrados, em média, após oito e nove dias depois do início dos sintomas, antecedido por crises severas de perda de sangue.
Diagnóstico e tratamento para o vírus de Marburg
Como o vírus Marburg pode ser confundido por outras doenças, como malária, febre tifoide, meningite, entre outras, o diagnóstico é feito por meio da coleta de amostras para exames de sangue, teste de antígeno ou RT-PCR.
Uma vez confirmada a infecção pelo vírus Marburg, o tratamento segue um protocolo para tentar conter os sintomas e evitar hemorragias. A reidratação do organismo por via oral e intravenosa e transfusão de sangue são exemplos de métodos utilizados.
Atualmente, não existem vacinas ou tratamentos antivirais aprovados para tratar a doença.
Como se prevenir do vírus Marburg?
Para prevenir surtos do vírus Marburg, é necessário que existam protocolos nas regiões de risco em relação à vigilância e ao monitoramento de casos, assim como o rastreamento de pessoas que tiveram contato com algum vetor de contaminação.
Em paralelo, serviços laboratoriais com os protocolos de segurança adequados para análise e protocolos de enterro seguros e dignos para as pessoas são outras medidas importantes.
A conscientização e o envolvimento da comunidade sobre a existência do vírus e seus riscos à saúde contribui para que a população local e os visitantes das regiões mais afetadas sigam os protocolos de prevenção, reduzindo a transmissão humana.
No Brasil, não existem vetores da doença, por isso, a contaminação por essa via está eliminada. Porém, é importante que os viajantes se informem sobre a situação epidemiológica local, caso visitem países na África e outras regiões, onde já foram registradas a doença.
Cuide da sua saúde!
Além do vírus Marburg, existem outros vetores epidemiológicos dos quais é necessário cuidar para evitar contaminação, prejuízos à saúde e sequelas que podem afetar a qualidade de vida. Fique atento e previna-se sempre.
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