Quando o assunto é imunização passiva, ou seja, a transferência de anticorpos por meio da vacina, muito se argumenta sobre os efeitos colaterais da vacina e como elas funcionam. Por isso, o tema é cercado de mitos e verdades.
É comum que os imunizantes provoquem reações adversas e cada pessoa, dependendo da resposta do próprio organismo, manifesta alguns desses sinais.
Porém, os efeitos não são um motivo para deixar de se vacinar. Para te ajudar a entender o que as vacinas provocam, explicamos como os imunizantes funcionam e esclarecemos os mitos. Continue a leitura e fique por dentro!
Como funcionam as vacinas?
As vacinas induzem o sistema imunológico a responder, ou seja, produzir anticorpos para combater um determinado corpo estranho. Dessa forma, se após a imunização houver o contato com o agente causador, a memória imune se lembrará e começará a liberar as células de defesa.
Logo, a vacinação em massa é uma estratégia eficaz para proteger a população, evitando o desenvolvimento de doenças ou de sua forma mais grave.
Foi graças ao mecanismo das vacinas que doenças como a varíola foram erradicadas no mundo inteiro. Quando a cobertura vacinal cai, novos casos voltam a acontecer.
O sarampo é um exemplo recente de doença erradicada que teve aumento de casos em 2019 por causa da queda na imunização das crianças.
As vacinas são fabricadas a partir de fragmentos de células, vírus ou bactérias para o qual se deseja obter uma resposta imunológica. Esse ingrediente, chamado de antígeno, é o componente ativo da vacina.
Como esse fragmento é inativado ou enfraquecido, ele não é capaz de provocar a doença. Porém, o organismo o identifica como um agente estranho e ativa as células defensoras, gerando uma memória imunológica.
Além do antígeno, outros ingredientes da vacina são:
- conservantes: impedem que o líquido estrague depois do frasco ser aberto;
- estabilizadores: impossibilita que reações químicas ocorram na vacina;
- surfactantes: mantêm todos os ingredientes misturados;
- resíduos: são quantidades muito pequenas de várias substâncias não ativas, como proteínas de ovos, levedura ou antibióticos;
- diluente: líquido usado para diluir uma vacina até à concentração correta;
- adjuvante: substância que melhora a resposta imunitária à vacina (ex: sais de alumínio).
Todos os ingredientes são testados durante o processo de fabricação para garantir a segurança do uso em todas as fórmulas.
Leia também: O que as vacinas fazem com a sua imunidade?
Efeitos colaterais da vacina: mitos e verdades
O acesso à informação é a principal forma de combater os mitos e reforçar as verdades sobre as vacinas. Explicamos cinco mitos e três verdades sobre os efeitos colaterais da vacina, de acordo com os dados do Instituto Butantan. Confira!
Mitos da vacinação
Vacina da gripe deixa as pessoas gripadas
A vacina da gripe é fabricada a partir do vírus inativado, portanto, não é possível que ela provoque a doença. Os efeitos colaterais mais comuns são: dor, vermelhidão e endurecimento do local da aplicação, que desaparecem em até 48 horas.
Vacina tríplice viral tem ligação com o Transtorno do Espectro Autista (TEA)
Essa fake news surgiu em 1998 quando um artigo publicado na revista The Lancet associou a vacina contra sarampo, caxumba e rubéola ao autismo. Porém, estudos posteriores provaram que a tese estava errada. A propósito, o autor do artigo assumiu que seu estudo tinha erros.
O contato com uma pessoa infectada auxilia a cura da catapora
Esse mito era muito divulgado entre os mais velhos décadas atrás, porém, não existe até hoje comprovação científica que valide esse fato. A recomendação do Ministério da Saúde é que crianças com o vírus da varicela fiquem afastadas da escola ou creche depois do aparecimento das manchas por até sete dias.
A vacina contra COVID-19 não é segura
Esse é um mito recente, que prejudicou e ainda impede que muitos países alcancem a imunização coletiva com 70% da população vacinada contra a COVID-19, como recomenda a Organização Mundial de Saúde (OMS).
As vacinas contra o SARS-CoV-2 passaram por todas as fases de ensaios clínicos necessárias para aprovação e todas as que foram liberadas são seguras e eficazes.
Crianças só podem receber uma vacina por vez
A OMS garante que não há problema de crianças receberem mais vacinas no mesmo dia. Inclusive, quando necessário, a vacinação combinada economiza tempo e dinheiro dos pais, uma vez que é preciso se deslocar até o posto. Os adultos também podem seguir o mesmo protocolo.
Verdades da vacinação
Vacinas foram essenciais no controle de epidemias antigas
A vacinação erradicou várias doenças graves, como a varíola. Outras, como poliomielite (paralisia infantil), sarampo, difteria e rubéola, já tiveram esse status, porém, a queda na vacinação nos últimos anos fez com que novos casos surgissem. Esse cenário reforça a importância das vacinas.
Leia também: ALERTA! 6 doenças que estão voltando por falta de vacinação!
A vacina contra a COVID-19 pode dar febre
A febre é um dos efeitos colaterais da vacina que podem ocorrer em algumas pessoas, além de cansaço, dor de cabeça, dores musculares, calafrios e diarreia. Esses desconfortos passam em até dois dias e não há necessidade de medicação, segundo orientações da OMS.
Imunizantes controlaram grandes surtos de febre amarela
O último surto da doença no país aconteceu entre 2017 e 2019 e a vacinação nas regiões afetadas foi crucial para que os estados reforçassem a imunização da população, controlando o número de casos com sucesso. Um estudo do Instituto Oswaldo Cruz comprovou a eficácia da medida.
Por que algumas pessoas sentem mais efeitos colaterais da vacina?
Os efeitos colaterais da vacina variam porque as condições do sistema imunológico e do organismo como um todo são diferentes de pessoa para pessoa. Sendo assim, não é possível prever com exatidão qual será a reação ao receber um imunizante. A melhor conduta é seguir as orientações do profissional de saúde pós-vacinação.
O que evitar nos dias que circundam a vacinação?
Antes da vacinação é indicado não fazer uso de medicamentos, como corticoides e anti-inflamatórios para não afetar a capacidade de resposta do sistema imunológico e evitar o consumo de bebida alcoólica de 24 a 48 horas antes. É possível se exercitar, caso não haja efeitos colaterais da vacina, lembrando de reforçar a hidratação.
Mantenha seu calendário vacinal em dia
Agora que você está por dentro dos efeitos colaterais da vacina, que tal conferir sua caderneta de vacinação e verificar se está tudo em dia? Você também pode ir até um posto de saúde e pedir essa orientação.




