Como saber se uma pessoa tem problemas mentais? Qual exame detecta problemas mentais?
Com pessoas cada vez mais adoecidas mentalmente devido ao estresse do dia a dia e aos traumas pessoais, essas e outras dúvidas sobre saúde mental e diagnóstico de transtornos mentais têm se tornado comuns.
Em junho de 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um levantamento global sobre esse tema, o qual mostra que mais de 1 bilhão de pessoas possuem algum tipo de transtorno mental. Desse total, 14% são adolescentes.
Esse estudo considerou o recorte da pandemia de Covid-19 e concluiu que, somente no primeiro ano pandêmico, os diagnósticos de depressão e ansiedade cresceram mais de 25%.
Em relação ao suicídio, o mesmo relatório aponta esta como a causa de mais de 1% das mortes – sendo 58% eram pessoas com menos de 50 anos de idade.
Sobre a expectativa de vida dos indivíduos com diagnóstico de transtornos mentais, o estudo da OMS revelou que eles tendem a viver de 10 a 20 anos menos do que o restante da população.
Sem perder de vista esses dados preocupantes – para dizer o mínimo -, fica evidente a importância de fazer um correto e precoce diagnóstico de transtornos mentais.
Neste artigo, vamos explicar como isso é feito e como funciona a classificação de transtornos mentais e de comportamento.
Como é feito um diagnóstico de transtornos psiquiátricos?
Antes de mostrarmos como saber se uma pessoa tem problemas mentais, é importante voltarmos um pouco para explicar o que é um transtorno mental.
Pois bem. Transtorno mental é toda e qualquer condição psíquica em que o cérebro não desempenha suas funções idealmente, causando danos de caráter emocional e/ou físico no paciente.
As disfunções na atividade cerebral são inúmeras. Geralmente, elas afetam o comportamento, a capacidade de raciocinar e manter a concentração, o humor e a memória dos pacientes.
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Mas, afinal, como é feito um diagnóstico de transtornos mentais?
Diferentemente de outras doenças, como diabetes e hipertensão, não existe ainda uma forma completamente objetiva de fazer o diagnóstico de transtornos psiquiátricos.
Conforme veremos mais à frente, há sim alguns exames de imagem que ajudam a diagnosticar certas disfunções na região cerebral. Mas, no geral, essas doenças da mente são identificadas a partir de uma série de análises feitas por psiquiatras, psicólogos ou psicanalistas.
Esses profissionais especialistas dialogam com os pacientes de modo a entender o atual quadro clínico deles, avaliando os sintomas apresentados.
Além disso, os analistas consideram o histórico familiar do paciente, as doenças que ele já teve e se não há nenhuma condição física que possa ser a causa de um eventual transtorno mental.
Alguns critérios podem ser utilizados por psiquiatras e psicólogos durante o processo de diagnóstico de um transtorno mental, como:
- mudanças no comportamento;
- eventuais episódios de surto (comportamento semelhante à descontrole, euforia ou tristeza intensa);
- como o paciente reage ao receber certos estímulos;
- tendências suicidas (como falas, pensamentos ou até mesmo idealizações);
- atividades que eram prazerosas para o paciente, mas que agora ele não faz mais.
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A partir desses critérios, o profissional levantará algumas hipóteses e as testará adotando uma linha terapêutica que ele considerar mais adequada para o momento.
Porém, a depender da forma com que o paciente reage ao tratamento psi (sugerido pelo profissional), o especialista pode mudar o diagnóstico e definir outra linha terapêutica.
Em se tratando da mente humana, percebe que não tem como ser taxativo ao diagnosticar um transtorno mental?
Esse “feedback” do paciente em relação ao tratamento psi pode levar semanas, meses ou anos.
Qual exame detecta problemas mentais?
Durante muito tempo, o diagnóstico de transtornos mentais e o tratamento psi eram ignorados pela sociedade civil e negligenciados pela comunidade médica e científica.
No entanto, ao longo dos anos, as pesquisas na área psiquiátrica evoluíram bastante. Hoje, tem-se mais recursos para diagnosticar e tratar os transtornos da mente.
Um exemplo disso são os exames de imagem (tomografia e ressonância magnética) que apontam, por meio de contraste, as disfunções nas atividades cerebrais que podem indicar algum tipo de transtorno psiquiátrico.
Em entrevista para a revista Veja, o radiologista Roberto Levi Jales, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), explicou a origem e o funcionamento desse tipo de exame para detectar doenças mentais. Segundo ele:
“Nos anos 1990, dois médicos americanos da Universidade da Califórnia observaram que as imagens do cérebro de pessoas com determinadas patologias seguiam diferentes padrões de cor após a administração de uma substância radioativa na veia: vermelho para transtorno bipolar, azul para esquizofrenia, por exemplo”.
Alguns transtornos mentais que podem ser diagnosticadas pelos exames de tomografia e ressonância magnética com cintilografia são:
- depressão: tristeza aparentemente sem motivo, insônia e indisposição para realizar tarefas cotidianas;
- esquizofrenia: nas imagens, o cérebro da pessoa com esquizofrenia apresenta cor azul em algumas áreas que, quando não funcionam muito bem, podem causar alucinações e episódios delirantes;
- demências: os exames de imagem podem apresentar manchas que indicam que o paciente sofre com algum tipo de doença neurodegenerativos que causam demência, como o Alzheimer;
- bipolaridade: diferente coloração no lobo frontal pode indicar atividades oscilantes de euforia e depressão, características da bipolaridade.
Como funciona a classificação de transtornos mentais e de comportamento?
Para orientar o diagnóstico de transtornos psiquiátricos, a Associação Psiquiátrica Americana (American Psychiatric Association) lançou, em 1952, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, DSM-1).
Hoje, na sua quinta e mais atual versão (DSM-5), esse importante documento padroniza alguns critérios para fazer a classificação de transtornos mentais e de comportamento.
Nesse sistema, os transtornos são divididos em categorias de acordo com os sintomas do paciente e da maneira com que eles respondem ao tratamento adotado.
A orientação prática e objetiva proposta pelo DSM-5 – que cataloga mais de 300 doenças – tem ajudado muitos psiquiatras, psicólogos e psicanalistas a fazer diagnósticos mais precisos dos pacientes que passam por algum tipo de sofrimento mental.
Saiba mais:
Bom, o que você achou desse nosso conteúdo sobre o diagnóstico de transtornos psiquiátricos?
Lembre-se de que a identificação correta da doença mental que acomete o paciente é o primeiro passo para um tratamento eficaz.





1 Comment
gostei do artigo foi muito esclarecedor muito obrigado