5 complicações da endometriose que afetam a qualidade de vida da mulher
As complicações da endometriose afetam a saúde física e emocional das mulheres. Por isso, os cuidados preventivos, principalmente os check-ups anuais com o ginecologista, são tão importantes.
Segundo a Secretaria da Saúde do estado de São Paulo, em 2022, 2,3 mil pacientes foram internadas devido a complicações relacionadas à doença. Ao todo, mais de 11,2 mil procedimentos ambulatoriais relacionados à endometriose foram realizados.
A doença pode aparecer em mulheres durante o período reprodutivo, fase que vai dos 15 aos 45 anos. Os principais sinais são: fortes dores durante o período menstrual, dor ao fazer xixi e evacuar e, ainda, sangramento durante a relação.
O crescimento do endométrio fora do útero pode afetar a cavidade abdominal, os ovários, as trompas, a bexiga, o intestino e, em casos mais graves, o pulmão.
Por ser uma doença inflamatória crônica, o diagnóstico precoce e o tratamento são as melhores formas de evitar os impactos da endometriose na qualidade de vida.
Continue a leitura e entenda quais são as principais complicações da doença e as razões pelas quais ter endometriose é perigoso quando faltam os cuidados essenciais.
Boa leitura!
Quais são as complicações da endometriose?
Uma das principais complicações da endometriose é a infertilidade, mas a doença afeta outras funções do corpo além da capacidade reprodutiva. Conheça algumas das áreas e, ainda, como a saúde das mulheres é afetada.
1. Infertilidade relacionada à endometriose
A infertilidade é uma das complicações da endometriose mais comentadas e que gera bastante ansiedade nas mulheres diagnosticadas com a doença.
O problema acontece porque o crescimento do endométrio fora do útero afeta os órgãos da região abdominal, alterando a anatomia ou obstruindo as tubas uterinas. Com isso, as funções dessas estruturas ficam prejudicadas.
No caso, a infertilidade, infelizmente, acontece quando as aderências comprometem órgãos vitais, como útero, bexiga e intestino, por exemplo.
A identificação da endometriose leva, em média, 7 anos. Por isso, ir além dos exames ginecológicos de rotina e investigar o quadro a fundo é essencial para que o diagnóstico seja rápido e preciso.
2. Dor crônica e endometriose
A dor crônica é outra das complicações da endometriose. O sintoma é intenso durante o período menstrual, muitas vezes incapacitando suas atividades diárias.
Porém, o sinal está presente em outras funções orgânicas comuns, como ao fazer xixi, evacuar e durante a relação sexual.
Muitas mulheres consideram normal a dor durante a menstruação ou mesmo na intimidade com o(a) parceiro(a). Porém, é importante destacar que as dificuldades dessas situações específicas são um sinal de alerta.
O obstetra Marco Aurélio Pinho de Oliveira, chefe do Ambulatório de Endometriose do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE-UERJ), destaca que entre 80 a 90% das mulheres que sentem dores intensas têm endometriose. Somente 10% não apresentam o sintoma e descobrem apenas quando querem engravidar.
Logo, o principal passo é procurar um ginecologista para investigar a possibilidade de endometriose. Um dos exames mais indicados é o ultrassom com preparo intestinal. Além disso, manter o diálogo aberto com o(a) parceiro(a) contribui para ter uma vida sexual saudável.
3. Endometriose e complicações na gravidez
A infertilidade é uma das complicações mais graves da endometriose. Em contrapartida, ter a doença não significa necessariamente que não há possibilidade de engravidar.
O que acontece é que as chances da mulher enfrentar complicações na gravidez são maiores. Alguns entraves no processo são:
- maior risco de sofrer aborto espontâneo;
- gravidez ectópica (embrião se desenvolve fora do útero);
- bebê com tamanho menor do que o esperado;
- necessidade de tratamento de reprodução assistida, devido à dificuldade para engravidar naturalmente.
Apesar da endometriose não ter cura, ela é tratável e as mulheres podem engravidar e realizar o sonho de ser mães, dependendo da gravidade do caso e da abordagem de tratamento necessária.
4. Formação de aderências
A formação de aderências prejudica o funcionamento dos órgãos da cavidade abdominal afetados pela proliferação dos tecidos endometriais. Mês após mês, o tecido cresce para fora do útero, o que gera um processo inflamatório, aderindo o tecido aos órgãos da pelve.
Como o diagnóstico demora, as aderências podem mudar a anatomia das estruturas da região, como as trompas, a bexiga, o intestino, o útero e outras.
A inflamação pode modificar os padrões de ovulação, prejudicar a qualidade dos óvulos e até mesmo impedir que eles avancem para o útero, quando há a obstrução das tubas uterinas.
Essas alterações são a principal causa da infertilidade e das dores intensas no período menstrual e fora dele.
5. Anemia
A anemia é uma das complicações da endometriose causada pela perda intensa de sangue no período menstrual.
Nesse caso, o corpo fica sem glóbulos vermelhos suficientes para transportar hemoglobina, uma proteína que contém ferro, pelo organismo.
Os principais sintomas da anemia são: cansaço excessivo, tontura, fraqueza, dor no corpo, mãos e pés gelados, falta de ar e dor no peito.
O médico vai orientar a forma correta de tratar a deficiência de ferro no sangue para melhorar a disposição, o que ajuda a ter mais ânimo para as tarefas do dia a dia.
Impacto da endometriose na qualidade de vida
A partir das complicações da endometriose, dá para entender como a doença afeta diretamente a qualidade de vida da mulher.
Além da saúde reprodutiva, outros impactos são problemas intestinais e complicações urinárias, que levam a dores e dificuldades para fazer as necessidades básicas.
Em entrevista ao portal CAPCS da UERJ, o ginecologista Marco Aurélio Pinho de Oliveira explica que o risco de câncer em mulheres com endometriose é pequeno, com uma taxa de 0,5% a 1% dos casos.
Portanto, a endometriose é uma doença benigna, que deve ser tratada para que o bem-estar das mulheres não seja prejudicado e, ainda, para que as complicações não afetem seus sonhos e sua saúde.
Mantenha o acompanhamento de rotina
Como destacamos ao longo do texto, os sintomas, como a cólica intensa e incapacitante durante o período menstrual e outras alterações orgânicas, não devem ser negligenciados.
Procure um médico e converse sobre os problemas para investigar as causas e, assim, fazer o tratamento adequado, tomando os remédios corretamente e fazendo as terapias necessárias.




