Já ouviu falar de superbactéria? O prefixo ‘super’ não foi adicionado por acaso à palavra ‘bactéria’. Ele caracteriza um tipo de microorganismo muito mais difícil de tratar e que possui resistência aos antibióticos.
As superbactérias são consideradas um problema de saúde mundial que os pesquisadores alertam os governos e órgãos de saúde em relação aos efeitos sociais, econômicos e ambientais há bastante tempo.
O estudo ‘The Review on Antimicrobial Resistance’ liderado pelo economista britânico Jim O’Neill, em 2016, apontava que 700 mil pessoas morriam por ano devido a infecções causadas por superbactérias.
Nesse ritmo, se não fossem realizadas mudanças globais, o estudo previa que, a partir de 2050, 10 milhões de pessoas iriam a óbito por ano por causa da resistência a antibióticos.
Os cuidados com a saúde para evitar a contaminação por superbactéria incluem desde medidas de saúde pública, acesso a serviços de saúde de qualidade, educação sobre o uso de medicamentos e os perigos da automedicação.
Neste artigo, você vai aprender o que é e como surgem as superbactérias, os principais tipos, como acontece a infecção, tratamento e medidas para evitar o contágio.
Continue lendo para tirar suas dúvidas sobre o tema!
O que são as superbactérias?
As superbactérias são bactérias resistentes aos antibióticos, o medicamento que trata infecções bacterianas. Essa resistência é desenvolvida por meio de mutações que tornam os microrganismos mais fortes que as medidas existentes para combatê-los.
Como destacamos na abertura do artigo, a superbactéria é um problema de saúde mundial.
Os antibióticos são remédios essenciais para o tratamento de diversas doenças. Mas a resistência das superbactérias ao medicamento deixa as pessoas vulneráveis, prolongando o tratamento e, consequentemente, os gastos com saúde nos países.
Por isso, os cientistas e pesquisadores são incisivos ao insistir que os governos, gestores de saúde pública e profissionais de saúde atuem em conjunto para controlar o avanço das superbactérias.
Com medidas mais severas, a população educa seus hábitos em relação ao uso de medicamentos, conscientizando-se da relevância de usar apenas o que foi prescrito pelo médico e da forma adequada.
O que causa a superbactéria?
O que causa a superbactéria é a mudança na resposta do microrganismo ao antibiótico usado para combater sua proliferação no organismo.
Isso significa que a bactéria tem uma resistência ao medicamento e, ao se multiplicar, leva essa característica para os novos microrganismos do seu tipo. Essa é a explicação para como surgem as superbactérias.
Um detalhe importante de ressaltar é que não é o organismo humano que se torna resistente ao antibiótico e sim a própria bactéria.
A função do antibiótico é eliminar a infecção, ou seja, impedir o crescimento de bactérias que fazem mal ao corpo. Para tratar uma doença provocada por uma bactéria como a tuberculose, por exemplo, o médico receita o antibiótico específico para esse quadro.
Portanto, o medicamento não deve ser usado para tratar outros problemas de saúde, principalmente por conta própria e sem orientação médica.
Além da educação dos pacientes, os médicos devem ser criteriosos ao receitar antibióticos, dentro e fora das instituições de saúde.
O objetivo é evitar o uso indiscriminado dos antibióticos para não favorecer a resistência das bactérias, seja pela forma errada de uso ou prescrição sem necessidade.
Leia também: Novas regras para a prescrição de antibióticos. Entenda!
Quais são os principais tipos de superbactérias?
Os principais tipos de superbactérias e os mais perigosos para a saúde humana foram divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2017.
As superbactérias foram separadas em três categorias, de acordo com a urgência na criação de novos antibióticos para o tratamento. Conheça quais são:
Superbactérias – nível crítico
1. Acinetobacter baumannii
A Acinetobacter baumannii é um tipo de superbactéria altamente presente em ambientes hospitalares e, consequentemente, onde há mais risco de contaminação.
Porém, a Acinetobacter baumannii também é encontrada em solos e o contágio se dá por meio de machucados abertos. As chances de contaminação aumentam se a pessoa estiver com o sistema imunológico fraco.
O motivo para a superbactéria estar em primeiro lugar na lista é porque ela consegue resistir a antibióticos com carbapenem, uma substância utilizada apenas quando todas as possibilidades de tratamento anteriores não funcionaram.
2. Pseudomonas aeruginosa
A Pseudomonas aeruginosa é outro tipo de superbactéria comumente adquirida em infecções hospitalares, conhecida por sua capacidade de mutação rápida quando em contato com antibióticos, tornando-se resistente a eles.
A infecção por essa superbactéria é um fator de risco para pacientes que precisam de ventilação mecânica (respiradores), fazem tratamento de queimaduras ou têm doença da debilidade crônica, fibrose cística ou neutropenia.
Além da infecção hospitalar, a exposição a água contaminada pela superbactéria, feridas e o uso de drogas injetáveis também são fontes para a contaminação.
3. Enterobacteriaceae
Outro tipo de superbactéria hospitalar é a Enterobacteriaceae. Alguns membros da família conhecidos são Klebsiella pneumoniae, Escherichia coli e Enterobacter spp.
O microrganismo é encontrado na água, no solo e nas plantas, além do sistema gastrointestinal de animais e humanos.
Como as bactérias da família Enterobacteriaceae se proliferam na água, existe uma grande preocupação com o sistema de água dos hospitais que podem ser infectados, espalhando a superbactéria para pacientes e profissionais.
A Enterobacteriaceae também desenvolveu resistência aos antibióticos, inclusive o carbapenem, um antibiótico de última linha.
Superbactérias – nível alto
4. Enterococcus faecium
A Enterococcus faecium está entre as superbactérias com nível alto de urgência para novos tratamentos. Assim como as anteriores, é a causa de infecções hospitalares em geral. As principais infecções geradas em humanos são:
- endocardite (infecção do endocárdio, revestimento interno do coração);
- infecção do trato urinário;
- prostatite (infecção da próstata);
- infecção intra-abdominal e pélvicas em toda a região abdominal;
- infecções de pele, tecido mole, lesões e feridas.
A resistência das bactérias da família dos Enterococcus aos antibióticos aumentou nas últimas décadas, especialmente do Enterococcus faecium. Isso dificulta bastante o tratamento das infecções, sendo necessário combinar vários antibióticos.
5. Staphylococcus aureus
A Staphylococcus aureus, também chamada de MRSA, é uma superbactéria que causa infecções na pele e no sangue, além de meningite e pneumonia. Em casos graves, pode causar sepse e infecção generalizada.
Na década de 1940, poucos anos após a invenção da penicilina, o primeiro antibiótico da história, em 1928, o patógeno já era resistente ao medicamento. O que dá um panorama da complexidade do tratamento da Staphylococcus aureus.
Segundo a Anvisa, os índices de cepas MRSA resistentes a antibióticos são de 40% a 80% no Brasil, principalmente em UTIs.
6. Helicobacter pylori
A Helicobacter pylori é uma superbactéria que se instala no estômago, causando doenças como gastrite, úlceras e câncer. A infecção causa sintomas como indigestão, dor e desconforto na parte superior do abdômen.
Um estudo da Universidade do País Basco, na Espanha, constatou que a H. Pylori teve um índice de residência médio de 20% a 30% aos três principais antibióticos utilizados no tratamento, da infecção: metronidazol, levofloxacina e claritromicina.
O resultado é preocupante, pois com 15% de resistência a recomendação é trocar o antibiótico utilizado.
7. Campylobacter spp.
A Campylobacter spp. é outra superbactéria que infecta o trato digestivo e causa diarreia, dor abdominal e febre.
As principais formas de infecção são pelo consumo de água e alimentos contaminados e por meio do contato com pessoas ou animais (gado, porcos e aves) infectados.
Quando a infecção se complica, o paciente pode desenvolver bacteremia (infecção no sangue), artrite reativa e Síndrome de Guillain-Barré.
O tratamento, quando necessário o antibiótico, é feito com azitromicina. Porém, como a resistência da superbactéria está aumentando, os médicos estão mais cautelosos quanto à sua utilização.
8. Salmonellae
A Salmonellae ou Salmonella é uma superbactéria bastante conhecida que faz parte da família das Enterobacteriaceae, causadoras de intoxicação alimentar.
Ao consumir um alimento contaminado, os principais sintomas são diarreia, febre, vômito, perda de apetite e dores abdominais. A intensidade do quadro depende da quantidade de alimento contaminado ingerido e do grau de contaminação desse alimento.
Em casos leves e moderados, o tratamento inclui apenas repouso e bastante água para manter os níveis de hidratação. A recomendação atual é evitar o antibiótico, reservando-o para casas mais graves, quando a infecção atinge outras partes do corpo.
O objetivo é evitar que a superbactéria não seja eliminada completamente, criando cepas mais resistentes e invalidando o tratamento.
9. Neisseria gonorrhoeae
A Neisseria gonorrhoeae é a superbacteria causadora da gonorreia, uma doença sexualmente transmissível.
A infecção atinge locais como colo do útero, reto, epitélio da uretra, faringe, provocando irritação e eliminação de secreções.
O tratamento da gonorreia é feito com diferentes combinações de antibióticos orais, que variam conforme as características de cada caso. Contudo, a resistência também é um problema enfrentado no tratamento.
Superbactérias – nível médio
10. Streptococcus pneumoniae
A Streptococcus pneumoniae (pneumococo) é a superbactéria causadora da doença pneumocócica que pode levar a infecções graves em diferentes locais do corpo, como:
- pulmões (pneumonia);
- sangue (bacteremia, que causa sepse e infecção generalizada);
- membrana que reveste o cérebro (meningite).
O contágio é por meio de gotículas de saliva ou muco quando alguém infectado tosse ou espirra.
Desde a década de 1960, estudos científicos estão identificando resistência da Streptococcus pneumoniae a antibióticos como penicilina, cefotaxima e sulfametoxazol-trimetoprim, entre outros.
11. Haemophilus influenzae
A Haemophilus influenzae é uma superbactéria que atinge crianças até 5 anos. Normalmente, a infecção atinge nariz e garganta, mas também pode se espalhar para outras partes do corpo.
A ação da bactéria causa doenças que podem ter complicações graves como pneumonia, infecção sanguínea e meningite, que deixa sequelas auditivas e cerebrais em 3% a 5% dos pacientes, segundo dados da FioCruz.
O tratamento é a base de antibióticos que são definidos de acordo com a gravidade do caso, local da infecção e dos resultados dos testes de suscetibilidade antimicrobiana para saber se o paciente responderá ou não ao tratamento.
Esse último cuidado evita o uso errado de medicamentos e combate a resistência dos microrganismos.
12. Shigella spp.
Fechando a lista das superbactérias listadas pela OMS, temos a Shigella spp. ou Shigelose que provoca infecção aguda no intestino. Os sintomas são diarreia, vômito, náusea, febre e fezes com sangue.
O contágio acontece pela ingestão de alimentos crus, como alface, produtos não processados (carnes de aves e leite e derivados) e água contaminada com fezes de portadores da bactéria.
Como mecanismo de controle de resistência, os antibióticos são administrados apenas em casos graves em que o paciente tem diarreia com sangue ou é imunocomprometido.
Superbactérias: como tratar?
O tratamento das superbactérias é definido depois que o médico confirma o tipo de bactéria que infectou o paciente, o órgão afetado e a gravidade dos sintomas.
O objetivo é evitar uma recomendação incorreta de antibiótico e, quando possível, utilizar outras vias de tratamento.
Dessa forma, o médico prescreve a dosagem correta e pelo tempo determinado para que a resposta seja a mais positiva possível, eliminando ou inibindo 100% a ação da superbactéria.
A orientação correta do paciente também contribui para alcançar este resultado, pois é fundamental evitar erros como encurtar ou prolongar o tratamento.
O que fazer para evitar superbactérias?
Para evitar a contaminação por superbactérias, é preciso haver um esforço conjunto de governos, órgãos e profissionais de saúde e, claro, da população em geral.
Algumas dicas básicas e outras mais complexas para agir em cima desse problema de saúde mundial são:
- evitar a contaminação lavando as mãos, especialmente se tiver contato com pessoas infectadas por algum tipo de bactéria. Dica: use uma escovinha macia para limpar debaixo das unhas;
- usar álcool em gel 70% nas mãos após a lavagem para completar a limpeza;
- não passar a mãos nos olhos, boca, nariz dentro de ambientes hospitalares e médicos ou no dia a dia ao circular por diferentes ambientes;
- seguir o tratamento com antibiótico até o fim, tomando a dose correta prescrita pelo médico. Não interrompa o tratamento sem consultá-lo;
- higienizar corretamente os alimentos que são consumidos crus para eliminar os microrganismos infecciosos;
- manter a carteira de vacinação em dia para evitar doenças causadas por superbactérias e, consequentemente, o uso de antibióticos;
- reforçar os protocolos de higienização e desinfecção a serem seguidos pelos profissionais de saúde dentro e fora de ambientes hospitalares e médicos;
- implementar protocolos rígidos de limpeza nos hospitais com foco na eliminação de superbacterias e outros microrganismos;
- ampliar o conhecimento sobre os perigos das superbactérias e suas causas por meio de propagandas e programas de saúde governamentais.
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