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            • Tudo sobre superbactéria: o que é, como surge e qual é o tratamento?
            Publicado por Memed em 21 de junho de 2023
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            • Paciente
            superbactéria

            Já ouviu falar de superbactéria? O prefixo ‘super’ não foi adicionado por acaso à palavra ‘bactéria’. Ele caracteriza um tipo de microorganismo muito mais difícil de tratar e que possui resistência aos antibióticos.

            As superbactérias são consideradas um problema de saúde mundial que os pesquisadores alertam os governos e órgãos de saúde em relação aos efeitos sociais, econômicos e ambientais há bastante tempo.

            O estudo ‘The Review on Antimicrobial Resistance’ liderado pelo economista britânico Jim O’Neill, em 2016, apontava que 700 mil pessoas morriam por ano devido a infecções causadas por superbactérias.

            Nesse ritmo, se não fossem realizadas mudanças globais, o estudo previa que, a partir de 2050, 10 milhões de pessoas iriam a óbito por ano por causa da resistência a antibióticos.

            Os cuidados com a saúde para evitar a contaminação por superbactéria incluem desde medidas de saúde pública, acesso a serviços de saúde de qualidade, educação sobre o uso de medicamentos e os perigos da automedicação.

            Neste artigo, você vai aprender o que é e como surgem as superbactérias, os principais tipos, como acontece a infecção, tratamento e medidas para evitar o contágio.

            Continue lendo para tirar suas dúvidas sobre o tema!

            O que são as superbactérias?

            As superbactérias são bactérias resistentes aos antibióticos, o medicamento que trata infecções bacterianas. Essa resistência é desenvolvida por meio de mutações que tornam os microrganismos mais fortes que as medidas existentes para combatê-los.

            Como destacamos na abertura do artigo, a superbactéria é um problema de saúde mundial. 

            Os antibióticos são remédios essenciais para o tratamento de diversas doenças. Mas a resistência das superbactérias ao medicamento deixa as pessoas vulneráveis, prolongando o tratamento e, consequentemente, os gastos com saúde nos países.

            Por isso, os cientistas e pesquisadores são incisivos ao insistir que os governos, gestores de saúde pública e profissionais de saúde atuem em conjunto para controlar o avanço das superbactérias.

            Com medidas mais severas, a população educa seus hábitos em relação ao uso de medicamentos, conscientizando-se da relevância de usar apenas o que foi prescrito pelo médico e da forma adequada. 

            O que causa a superbactéria?

            O que causa a superbactéria é a mudança na resposta do microrganismo ao antibiótico usado para combater sua proliferação no organismo. 

            Isso significa que a bactéria tem uma resistência ao medicamento e, ao se multiplicar, leva essa característica para os novos microrganismos do seu tipo. Essa é a explicação para como surgem as superbactérias.

            Um detalhe importante de ressaltar é que não é o organismo humano que se torna resistente ao antibiótico e sim a própria bactéria.

            A função do antibiótico é eliminar a infecção, ou seja, impedir o crescimento de bactérias que fazem mal ao corpo. Para tratar uma doença provocada por uma bactéria como a tuberculose, por exemplo, o médico receita o antibiótico específico para esse quadro.

            Portanto, o medicamento não deve ser usado para tratar outros problemas de saúde, principalmente por conta própria e sem orientação médica.

            Além da educação dos pacientes, os médicos devem ser criteriosos ao receitar antibióticos, dentro e fora das instituições de saúde.

            O objetivo é evitar o uso indiscriminado dos antibióticos para não favorecer a resistência das bactérias, seja pela forma errada de uso ou prescrição sem necessidade.

            Leia também: Novas regras para a prescrição de antibióticos. Entenda! 

            Quais são os principais tipos de superbactérias?

            Os principais tipos de superbactérias e os mais perigosos para a saúde humana foram divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2017.

            As superbactérias foram separadas em três categorias, de acordo com a urgência na criação de novos antibióticos para o tratamento. Conheça quais são:

            Superbactérias – nível crítico

            1. Acinetobacter baumannii

            A Acinetobacter baumannii é um tipo de superbactéria altamente presente em ambientes hospitalares e, consequentemente, onde há mais risco de contaminação.

            Porém, a Acinetobacter baumannii também é encontrada em solos e o contágio se dá por meio de machucados abertos. As chances de contaminação aumentam se a pessoa estiver com o sistema imunológico fraco.

            O motivo para a superbactéria estar em primeiro lugar na lista é porque ela consegue resistir a antibióticos com carbapenem, uma substância utilizada apenas quando todas as possibilidades de tratamento anteriores não funcionaram.

            2. Pseudomonas aeruginosa

            A Pseudomonas aeruginosa é outro tipo de superbactéria comumente adquirida em infecções hospitalares, conhecida por sua capacidade de mutação rápida quando em contato com antibióticos, tornando-se resistente a eles. 

            A infecção por essa superbactéria é um fator de risco para pacientes que precisam de ventilação mecânica (respiradores), fazem tratamento de queimaduras ou têm doença da debilidade crônica, fibrose cística ou neutropenia.

            Além da infecção hospitalar, a exposição a água contaminada pela superbactéria, feridas e o uso de drogas injetáveis também são fontes para a contaminação. 

            3. Enterobacteriaceae

            Outro tipo de superbactéria hospitalar é a Enterobacteriaceae. Alguns membros da família conhecidos são Klebsiella pneumoniae, Escherichia coli e Enterobacter spp. 

            O microrganismo é encontrado na água, no solo e nas plantas, além do sistema gastrointestinal de animais e humanos.

            Como as bactérias da família Enterobacteriaceae se proliferam na água, existe uma grande preocupação com o sistema de água dos hospitais que podem ser infectados, espalhando a superbactéria para pacientes e profissionais. 

            A Enterobacteriaceae também desenvolveu resistência aos antibióticos, inclusive o carbapenem, um antibiótico de última linha. 

            Superbactérias – nível alto 

            4. Enterococcus faecium

            A Enterococcus faecium está entre as superbactérias com nível alto de urgência para novos tratamentos. Assim como as anteriores, é a causa de infecções hospitalares em geral. As principais infecções geradas em humanos são:

            • endocardite (infecção do endocárdio, revestimento interno do coração); 
            • infecção do trato urinário; 
            • prostatite (infecção da próstata);
            • infecção intra-abdominal e pélvicas em toda a região abdominal; 
            • infecções de pele, tecido mole, lesões e feridas.

            A resistência das bactérias da família dos Enterococcus aos antibióticos aumentou nas últimas décadas, especialmente do Enterococcus faecium. Isso dificulta bastante o tratamento das infecções, sendo necessário combinar vários antibióticos.

            5. Staphylococcus aureus

            A Staphylococcus aureus, também chamada de MRSA, é uma superbactéria que causa infecções na pele e no sangue, além de meningite e pneumonia. Em casos graves, pode causar sepse e infecção generalizada.

            Na década de 1940, poucos anos após a invenção da penicilina, o primeiro antibiótico da história, em 1928, o patógeno já era resistente ao medicamento. O que dá um panorama da complexidade do tratamento da Staphylococcus aureus.

            Segundo a Anvisa, os índices de cepas MRSA resistentes a antibióticos são de 40% a 80% no Brasil, principalmente em UTIs. 

            6. Helicobacter pylori 

            A Helicobacter pylori é uma superbactéria que se instala no estômago, causando doenças como gastrite, úlceras e câncer. A infecção causa sintomas como indigestão, dor e desconforto na parte superior do abdômen. 

            Um estudo da Universidade do País Basco, na Espanha, constatou que a H. Pylori teve um índice de residência médio de 20% a 30% aos três principais antibióticos utilizados no tratamento, da infecção: metronidazol, levofloxacina e claritromicina.

            O resultado é preocupante, pois com 15% de resistência a recomendação é trocar o antibiótico utilizado. 

            7. Campylobacter spp. 

            A Campylobacter spp. é outra superbactéria que infecta o trato digestivo e causa diarreia, dor abdominal e febre.

            As principais formas de infecção são pelo consumo de água e alimentos contaminados e por meio do contato com pessoas ou animais (gado, porcos e aves) infectados.

            Quando a infecção se complica, o paciente pode desenvolver bacteremia (infecção no sangue), artrite reativa e Síndrome de Guillain-Barré. 

            O tratamento, quando necessário o antibiótico, é feito com azitromicina. Porém, como a resistência da superbactéria está aumentando, os médicos estão mais cautelosos quanto à sua utilização.

            8. Salmonellae 

            A Salmonellae ou Salmonella é uma superbactéria bastante conhecida que faz parte da família das Enterobacteriaceae, causadoras de intoxicação alimentar.

            Ao consumir um alimento contaminado, os principais sintomas são diarreia, febre, vômito, perda de apetite e dores abdominais. A intensidade do quadro depende da quantidade de alimento contaminado ingerido e do grau de contaminação desse alimento. 

            Em casos leves e moderados, o tratamento inclui apenas repouso e bastante água para manter os níveis de hidratação. A recomendação atual é evitar o antibiótico, reservando-o para casas mais graves, quando a infecção atinge outras partes do corpo. 

            O objetivo é evitar que a superbactéria não seja eliminada completamente, criando cepas mais resistentes e invalidando o tratamento.

            9. Neisseria gonorrhoeae

            A Neisseria gonorrhoeae é a superbacteria causadora da gonorreia, uma doença sexualmente transmissível. 

            A infecção atinge locais como colo do útero, reto, epitélio da uretra, faringe, provocando irritação e eliminação de secreções. 

            O tratamento da gonorreia é feito com diferentes combinações de antibióticos orais, que variam conforme as características de cada caso. Contudo, a resistência também é um problema enfrentado no tratamento.

            Superbactérias – nível médio

            10. Streptococcus pneumoniae

            A Streptococcus pneumoniae (pneumococo) é a superbactéria causadora da doença pneumocócica que pode levar a infecções graves em diferentes locais do corpo, como:

            • pulmões (pneumonia);
            • sangue (bacteremia, que causa sepse e infecção generalizada); 
            • membrana que reveste o cérebro (meningite).

            O contágio é por meio de gotículas de saliva ou muco quando alguém infectado tosse ou espirra.  

            Desde a década de 1960, estudos científicos estão identificando resistência da Streptococcus pneumoniae a antibióticos como penicilina, cefotaxima e sulfametoxazol-trimetoprim, entre outros.

            11. Haemophilus influenzae 

            A Haemophilus influenzae é uma superbactéria que atinge crianças até 5 anos. Normalmente, a infecção atinge nariz e garganta, mas também pode se espalhar para outras partes do corpo. 

            A ação da bactéria causa doenças que podem ter complicações graves como pneumonia, infecção sanguínea e meningite, que deixa sequelas auditivas e cerebrais em 3% a 5% dos pacientes, segundo dados da FioCruz.

            O tratamento é a base de antibióticos que são definidos de acordo com a gravidade do caso, local da infecção e dos resultados dos testes de suscetibilidade antimicrobiana para saber se o paciente responderá ou não ao tratamento. 

            Esse último cuidado evita o uso errado de medicamentos e combate a resistência dos microrganismos.

            12. Shigella spp. 

            Fechando a lista das superbactérias listadas pela OMS, temos a Shigella spp. ou Shigelose que provoca infecção aguda no intestino. Os sintomas são diarreia, vômito, náusea, febre e fezes com sangue.

            O contágio acontece pela ingestão de alimentos crus, como alface, produtos não processados (carnes de aves e leite e derivados) e água contaminada com fezes de portadores da bactéria. 

            Como mecanismo de controle de resistência, os antibióticos são administrados apenas em casos graves em que o paciente tem diarreia com sangue ou é imunocomprometido.

            Superbactérias: como tratar?

            O tratamento das superbactérias é definido depois que o médico confirma o tipo de bactéria que infectou o paciente, o órgão afetado e a gravidade dos sintomas.

            O objetivo é evitar uma recomendação incorreta de antibiótico e, quando possível, utilizar outras vias de tratamento.

            Dessa forma, o médico prescreve a dosagem correta e pelo tempo determinado para que a resposta seja a mais positiva possível, eliminando ou inibindo 100% a ação da superbactéria.

            A orientação correta do paciente também contribui para alcançar este resultado, pois é fundamental evitar erros como encurtar ou prolongar o tratamento.

            O que fazer para evitar superbactérias?

            Para evitar a contaminação por superbactérias, é preciso haver um esforço conjunto de governos, órgãos e profissionais de saúde e, claro, da população em geral.

            Algumas dicas básicas e outras mais complexas para agir em cima desse problema de saúde mundial são:

            • evitar a contaminação lavando as mãos, especialmente se tiver contato com pessoas infectadas por algum tipo de bactéria. Dica: use uma escovinha macia para limpar debaixo das unhas;
            • usar álcool em gel 70% nas mãos após a lavagem para completar a limpeza;
            • não passar a mãos nos olhos, boca, nariz dentro de ambientes hospitalares e médicos ou no dia a dia ao circular por diferentes ambientes; 
            • seguir o tratamento com antibiótico até o fim, tomando a dose correta prescrita pelo médico. Não interrompa o tratamento sem consultá-lo;
            • higienizar corretamente os alimentos que são consumidos crus para eliminar os microrganismos infecciosos;
            • manter a carteira de vacinação em dia para evitar doenças causadas por superbactérias e, consequentemente, o uso de antibióticos;
            • reforçar os protocolos de higienização e desinfecção a serem seguidos pelos profissionais de saúde dentro e fora de ambientes hospitalares e médicos;
            • implementar protocolos rígidos de limpeza nos hospitais com foco na eliminação de superbacterias e outros microrganismos;
            • ampliar o conhecimento sobre os perigos das superbactérias e suas causas por meio de propagandas e programas de saúde governamentais. 

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