Vício em descongestionantes nasais: quais os perigos para a saúde?
Com o tempo frio e seco, vem o nariz entupido que incomoda muita gente, especialmente as pessoas alérgicas ou com problemas anatômicos, como desvio do septo. Uma das automedicações mais comuns é a de remédio para aliviar o sintoma. Porém, você sabia que é possível desenvolver o vício em descongestionantes nasais?
Os otorrinos alertam para esse problema, uma vez que os descongestionantes nasais são medicamentos de venda livre, ou seja, podem ser comprados sem receita.
Se você não quer uma solução paliativa (o descongestionante não resolve o problema!), explicamos neste artigo a ação, os motivos para evitar, pelo que substituir e a importância de redobrar a atenção diante dos problemas respiratórios.
Continue a leitura e confira!
Como o descongestionante age?
O descongestionante nasal age nas narinas por meio da atividade de substâncias vasoconstritoras presentes na fórmula, como fenilefrina, fenoxazolina, pseudoefedrina, nafazolina e oximetazolina, que fazem a desobstrução e proporcionam o alívio para a respiração.
A congestão nasal, ou nariz entupido, acontece como reação de um processo inflamatório, infeccioso e até devido a outros problemas, como desvio do septo ou presença de pólipo no nariz.
Nesses casos, os vasos sanguíneos dilatam, aumentando a passagem de sangue, e os cornetos, estruturas que ficam na lateral do nariz, incham. Isso dificulta a entrada do ar e, consequentemente, ocorre o entupimento. O nariz ainda pode ficar vermelho durante a fase aguda do problema.
As substâncias vasoconstritoras contidas nos descongestionantes, ao entrar em contato com a mucosa do nariz, contraem os vasos, diminuindo o fluxo de sangue, a produção de muco e até a carne esponjosa.
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Quais os riscos do vício em descongestionantes nasais?
Apesar de proporcionar alívio em um primeiro momento, o vício em descongestionantes nasais é uma possibilidade real. Isso acontece principalmente porque o efeito é quase imediato, o que faz com que as pessoas utilizem por um tempo maior que o recomendado.
Os médicos indicam não utilizar descongestionante nasal por mais de cinco dias seguidos. Com o uso prolongado, os principais riscos do vício em descongestionantes nasais são:
Rinite medicamentosa
A rinite medicamentosa é um efeito rebote causado pelo uso excessivo de descongestionantes que, em vez de acabar com a irritação da mucosa do nariz, aumenta-a. Com o uso prolongado, o tempo entre uma aplicação e outra é cada vez menor, pois o efeito passa rápido.
Esse quadro leva a um ciclo de vício em descongestionantes nasais e, em alguns casos, o tratamento é cirúrgico.
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Arritmia cardíaca
A arritmia é a alteração no ritmo dos batimentos cardíacos. Como o descongestionante causa a contração dos vasos sanguíneos, a taquicardia pode ser um dos efeitos após o uso.
Por causa desses riscos, o uso é contraindicado em pacientes com problemas no coração e hipertensão (pressão alta).
Insônia
Outro efeito do vício em descongestionantes nasais é a insônia. Como o nariz entra em um ciclo em que entope e, depois, desentope muito rápido, pode haver alteração no padrão de sono.
Atrofia da mucosa nasal
A atrofia da mucosa nasal, o revestimento interno do nariz, prejudica suas funções que são produzir muco, dilatar e filtrar o ar.
Essa alteração aumenta a chance de infecção por bactérias nocivas e a formação de crostas, o que eleva o desconforto. Dependendo da gravidade do quadro, o tratamento é cirúrgico.
Qual o melhor descongestionante nasal que não vicia?
Por norma, todo descongestionante nasal tem um potencial viciante se for feito o uso de forma incorreta. Como as chances de abuso são grandes, os médicos sequer recomendam que o medicamento seja usado para tratar obstruções nasais.
No vídeo abaixo, o otorrinolaringologista do Hospital das Clínicas, João Ferreira de Mello Júnior, faz o alerta:
O limite de aplicação é de cinco dias seguidos. Se usado por mais tempo, o corpo não consegue eliminar o descongestionante do organismo. Os problemas podem se tornar crônicos e, com isso, é mais difícil fazer o desmame sozinho, sem a ajuda de um médico otorrinolaringologista.
Por isso, quem sofre com nariz entupido durante as gripes ou crises de rinite, por exemplo, deve optar pelo soro fisiológico para fazer a limpeza e manter as vias aéreas hidratadas.
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Como acabar com o vício de descongestionante nasal?
O primeiro passo para acabar com o vício em descongestionantes nasais é procurar um médico, no caso, um otorrinolaringologista, para avaliar o quadro.
O objetivo é encontrar a causa da congestão nasal, investigando por meio de exames e da anamnese detalhada.
Cada tipo de obstrução nasal exige um tratamento específico. Por exemplo, pessoas com desvio do septo ou excesso de carne esponjosa no nariz podem ter indicação cirúrgica.
Uma das estratégias para acabar com a dependência é diluir o descongestionante com soro fisiológico para eliminar gradativamente o uso das substâncias.
Ao apresentar qualquer problema que afete a respiração, procure um médico para receber a orientação adequada de tratamento. Nem sempre a causa estará nas estruturas respiratórias. Existe a possibilidade do problema estar nos dentes, por exemplo.
Lembre-se: o objetivo é descobrir a causa. Se um sintoma é recorrente, ele exige atenção e tratamento adequado. Então, resista ao impulso de comprar um descongestionante e marque uma consulta para tratar adequadamente a congestão nasal.
Siga as orientações médicas para tratar o nariz entupido
Parece trivial, mas perceba como algo simples, como um nariz entupido, pode resultar em um problema crônico que dará trabalho para curar depois.
Pensando nisso, é essencial ter um receituário médico prescrito por um profissional de confiança para usar os remédios de forma orientada, seguindo a dose estabelecida pelo tempo adequado. Seja cuidadoso com sua saúde e busque orientação sempre!




