Estudos recentes mostram que cerca de 70% da população brasileira está com dificuldades durante o sono. São muitos os motivos que podem estar acarretando um número tão alarmante, dentre eles é citado a maior exposição às luzes, preocupações excessivas e, inclusive, o número pode ter aumentado devido aos efeitos que a pandemia de Covid-19 teve em nossa saúde, seja ela mental ou física.
Porém, a dificuldade em dormir pode estar atrelada a distúrbios do sono. Os distúrbios do sono são alterações fisiológicas em nosso cérebro que afetam diretamente a capacidade de pegar no sono, podendo ter relação com o Ciclo Circadiano (que é o ciclo fisiológico que nosso corpo passa dentro das 24 horas, determinando horários de descanso e despertar) ou por algum desequilíbrio, seja ele hormonal ou mental.
São muitos os distúrbios que podem acarretar na dificuldade ou até privação do sono, dentre eles existe o Terror Noturno.
Mas o que é o Terror Noturno?
O Terror Noturno é um distúrbio do sono em que o indivíduo apresenta comportamento agitado e/ou por muitas vezes agressivo durante o sono, não se lembrando do ocorrido no dia seguinte. É um distúrbio mais frequente em crianças, porém adultos também podem apresentar os mesmos episódios.
Ele pode ser, muitas vezes, confundido com um episódio de pesadelo, mas eles não são a mesma coisa. Como o Terror Noturno é um distúrbio, o indivíduo apresenta sinais e comportamentos não usuais, como agitação e falas durante o sono. Já no pesadelo, nos encontramos em um profundo estado de sono e apenas nos sentimos um pouco ansiosos e agitados assim que acordamos.
Não nos lembramos desses episódios pois o Terror Noturno costuma acontecer na transição entre o estágio 3 do sono (que é quando começamos a entrar num sono profundo) e no estágio REM (que é onde estamos no sono profundo e completamente relaxados).
Por que ele acontece?
As causas exatas ainda não são bem definidas pelos estudiosos, porém acredita-se que os episódios de Terror Noturno possam estar ligados diretamente com alterações em nosso sistema nervoso central (que transmite nossos estímulos e sensações).
Acredita-se também que a saúde mental possa estar ligada a esses episódios. Problemas como ansiedade, depressão, entre outros, tendem a desencadear o Terror Noturno, assim como o consumo de estimulantes, seja através de luzes muito fortes à noite ou ingerir alimentos que contenham cafeína ou bebidas alcoólicas.
A genética também influencia, principalmente nas crianças com pais que tiveram ou têm o distúrbio. Nesse caso, elas são mais suscetíveis a desenvolver o Terror Noturno.
Quais são os sintomas?
Durando de 10 a 15 minutos, os episódios são marcados por um comportamento agitado, podendo apresentar sintomas como:
- Medo, como se estivesse em uma situação de perigo iminente;
- Gritos constantes e pedidos de ajuda;
- Batimentos cardíacos e respiração acelerados;
- Suor intenso;
- Agressividade na tentativa de contenção ou em ser acordado;
- Pode acontecer também de o indivíduo apresentar sonambulismo, podendo caminhar pelo quarto.
Não há um número exato de episódios, eles podem ser regulares ou acontecer de maneira esporádica, tendo casos em que a frequência é semanal ou podem acontecer algumas vezes durante toda a vida.
Como é feito o diagnóstico?
Diferente das crianças, que geralmente apresentam episódios regulares de Terror Noturno, o diagnóstico em adultos pode ser um pouco difícil, já que eles não seguem um ritmo constante.
O ideal é procurar um profissional de saúde, assim, além da confirmação do diagnóstico outros podem ser descartados. No geral, é colhido todo o histórico, desde a história médica até os antecedentes familiares, além de informações como o histórico de uso de substâncias, se está lidando com situações que podem ser estressantes, se apresenta outros sintomas relacionados à saúde mental etc.
Qual é o tratamento?
Infelizmente, ainda não há um tratamento que seja voltado diretamente para o Terror Noturno, mas sim para tratar as possíveis causas e criar hábitos que podem ajudar a amenizar os episódios.
No caso de crianças é muito comum o distúrbio desaparecer gradativamente conforme ela for crescendo. No caso dos adultos , o profissional de saúde poderá indicar um tratamento adequado, como por exemplo, medicamentos para o auxílio do sono.
É muito importante construirmos bons hábitos noturnos, a rotina e o autocuidado são essenciais para que possamos ter uma noite de sono tranquila. Hábitos simples como evitar equipamentos eletrônicos estimulantes próximo a hora de dormir, organizar e deixar o quarto convidativo, usando roupas de cama confortáveis, mantendo uma iluminação baixa e mantendo a temperatura agradável. No caso de crianças evitar atividades agitadas como brincadeiras animadas e contato com telas para não haver estímulos externos que prejudicam o sono.
Lembrando que qualquer alteração que você perceber é ideal que consulte o profissional de saúde de sua confiança. O Terror Noturno pode estar atrelado diretamente a outros distúrbios, é importante que seja feita uma investigação e acompanhamento profissional.
Artigo redigido pela enfermeira Maria Carolyna Henriques.




