Ibuprofeno: o que é e para que serve este anti-inflamatório?
Provavelmente, você já leu ou ouviu o nome do medicamento, mas sabe o que é ibuprofeno e para que o remédio é indicado? Mesmo que não seja necessário receita para comprá-lo, é essencial entender a função do ativo antes de utilizá-lo.
Para entender a função da substância, os benefícios e os possíveis efeitos colaterais, continue a leitura do ativo e saiba como utilizar o ibuprofeno com segurança.
O que é ibuprofeno?
O ibuprofeno é um medicamento da categoria dos anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), ou seja, não deriva de hormônios, e possui as seguintes funções: controlar a febre (antitérmico) e reduz ou acaba com dores leves a moderadas (analgésico) e inflamações (anti-inflamatório).
Segundo o Anuário Estatístico do Mercado Farmacêutico 2022, divulgado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, setor do Ministério da Saúde, o ibuprofeno é a sexta no ranking das substâncias mais comercializadas no país, somando entre 100 e 150 milhões de unidades.
O dado reforça a popularidade do ativo, que está no mercado desde 1969 — o ibuprofeno foi patenteado como remédio em 1962 pela farmacêutica britânica Boots e liberado como ‘medicamento de prescrição’ sete anos depois.
Além da apresentação em comprimidos, hoje, existe a versão líquida do remédio, indicada para uso infantil. Outro detalhe é que, ao ir a uma farmácia, você vai encontrar medicamentos com diferentes nomes cujo princípio ativo é o ibuprofeno.
Para que tipo de inflamação o ibuprofeno serve?
O ibuprofeno serve para tratar tipos de inflamação provocados por doenças, como osteoartrite (causa lesão crônica das articulações), artrite reumatoide (doença autoimune que também provoca inflamação crônica das “juntas”) e reumatismo articular (inflamação das “juntas”). A substância ainda trata inflamações causadas por traumas (entorse ou quebra) e em pós-cirúrgicos.
Vale lembrar que o processo inflamatório é o principal causador da dor e, em alguns casos, da febre. Além disso, inchaço, vermelhidão, calor e dificuldade para movimentar a área afetada são sinais de inflamação.
Em alguns casos a inflamação passa sem a necessidade de medicamentos, porém, dependendo da causa é necessário realizar um tratamento pontual ou contínuo para controlar o processo.
Por isso, é fundamental ter cuidado com a automedicação. Mesmo sendo um medicamento isento de prescrição (MIP), tomar ibuprofeno frequentemente sem orientação médica pode mascarar um diagnóstico mais sério, além de provocar efeitos colaterais (falaremos mais adiante no artigo).
Leia também: 9 perigos da automedicação + orientações para pacientes.
Outras indicações de uso
Além dos casos acima, o ibuprofeno serve para as seguintes situações:
- cólica menstrual;
- dor de cabeça;
- dor muscular;
- dor nas costas;
- indisposição da gripe comum.
Como é a ação do ibuprofeno no organismo?
O ibuprofeno age no organismo inibindo a produção de prostaglandinas que são substâncias liberadas pelo sistema imunológico em resposta ao processo inflamatório, causando dor e febre.
A reação responsável pela produção e liberação de prostaglandinas é a ciclo-oxigenase. O ciclo começa quando as células da área afetada soltam ácido araquidônico, que em contato com as enzimas COX 1 e COX 2, elevam a produção de prostaglandinas e outras substâncias.
O resultado é o aumento da dor, da febre (em alguns casos) e o progresso da inflamação. Quando o ibuprofeno entra no organismo, ele bloqueia as enzimas COX 1 e 2. Dessa forma, o ciclo ácido araquidônico não acontece e os sintomas diminuem ou cessam completamente.
Um detalhe importante da ação é que o ibuprofeno bloqueia as duas enzimas. Como a COX 1 tem a função de proteger a parede do estômago, o remédio pode sensibilizar quem já tem problemas, como gastrite ou causar danos se utilizado em excesso.
Saiba mais sobre a ação dos remédios no artigo: Como os medicamentos atuam no organismo? 💊
Como usar ibuprofeno?
Conforme a bula do ibuprofeno especifica, a recomendação de uso para a apresentação em comprimido (200 mg) em adultos e crianças acima de 12 anos é de uma a duas drágeas, de três a quatro vezes ao dia, com intervalo de 4 horas entre cada uma.
A dosagem segura de ibuprofeno é de, no máximo, seis comprimidos (1200 mg) por dia. O consumo pode ser feito com um pouco de água e antes da alimentação ou com leite para proteger o estômago (a recomendação é válida mesmo para quem não tem problemas digestivos).
Atenção: existem versões de comprimidos em 400 mg e 600 mg, portanto, siga a orientação da bula para não exceder a dosagem máxima diária.
O ibuprofeno começa a fazer efeito entre 15 e 30 minutos após sua administração oral e permanece por 4 a 6 horas.
Gotas
A versão em gotas de ibuprofeno pode ser utilizada por crianças a partir de seis meses. A dose recomendada é de 1 a 2 gotas por quilo de peso. O intervalo entre as doses deve ser de 8 a 6 horas (3 a 4 vezes ao dia).
Em crianças menores de 12 anos, a quantidade máxima por dose é de 40 gotas (equivale a 200 mg) e, por dia, devem ser administradas até 160 gotas (800 mg).
A orientação médica para o uso do medicamento em crianças é fundamental, uma vez que o organismo dos pequenos é mais frágil. Ter o acompanhamento do profissional ainda dá mais segurança aos pais e responsáveis.
Quais são os possíveis efeitos colaterais do Ibuprofeno?
Ainda conforme a bula, os efeitos colaterais mais comuns do ibuprofeno são:
- dor abdominal (cólicas);
- tontura;
- azia;
- enjoo;
- erupção na pele.
Entre as reações adversas menos comuns, a bula destaca:
- prisão de ventre;
- diarreia;
- indigestão;
- inchaço;
- gases;
- hipersecreção gástrica (aumento da quantidade de suco estomacal);
- dor de cabeça;
- irritabilidade;
- nervosismo;
- coceira de pele;
- zumbido;
- vômitos.
Ao fazer uso do medicamento observe como o seu organismo reage para identificar as reações adversas mais comuns e, principalmente, as incomuns. Caso apresente alguma, procure orientação médica e informe o uso do ibuprofeno.
Benefícios do ibuprofeno como anti-inflamatório
O ibuprofeno é classificado como um AINE com perfil de segurança ótimo, principalmente quando administrado em doses pequenas e por curtos períodos, segundo um artigo publicado pela Harvard Health Publishing.
Por isso, nas farmácias encontramos a versão segura do medicamento para venda livre, o que permite aliviar os sintomas sem colocar a saúde em risco.
Lembre-se sempre de que o consumo consciente de qualquer tipo de remédio é um cuidado importantíssimo. Além disso, se os sinais persistirem mesmo após tomar o remédio, procure atendimento médico assim que possível.
—
*As informações neste site não têm a intenção de substituir uma consulta pessoal com um médico, farmacêutico, enfermeiro ou outro profissional de saúde qualificados.
O leitor não deve adiar a busca, nem desconsiderar aconselhamento médico devido a alguma informação encontrada neste site.
Procure sempre um médico para que ele possa lhe auxiliar no seu caso específico.




