O nosso sono vai mudando de acordo com a vida pois, conforme o tempo passa a necessidade em dormir pode ir diminuindo e por isso é normal algumas pessoas dormirem mais já outras menos. Os responsáveis por essas mudanças são os hormônios e elas acontecem mais de uma vez ao longo da vida, sendo muito notória nos idosos.
Para começar a entender melhor sobre essas mudanças é preciso conhecer a definição de cronotipo e como eles interferem de maneira individual em nossa vida.
O que são cronotipos?
O cronotipo é a forma como o organismo se sincroniza com o chamado ciclo circadiano (que é o ciclo fisiológico que regula nossa energia dentro de 24 horas). Sendo assim, é a preferência que cada um tem por dormir em determinado horário, acordar mais cedo ou mais tarde, definir os picos de cansaço e tudo isso de acordo com a hora do dia.
De maneira geral, os cronotipos podem ser comparados e predefinidos de acordo com a idade, mas vale lembrar que cada ser individual pode ter sua preferência e costumes. No caso das crianças, é comum que tenham o cronotipo matutino, ou seja, elas costumam dormir e acordar mais cedo.
Ele muda na adolescência, onde o hábito passa a ser vespertino ou noturno, dormindo mais tarde e consequentemente acordando mais tarde. No caso dos adultos esse cronotipo tende a permanecer, mas com a rotina do dia-dia podem assumir o cronotipo matutino, por isso é importante entender que somos seres adaptáveis e não se deve seguir uma regra.
E o sono dos idosos?
É muito comum os idosos se queixarem de noites mal dormidas, porém essa queixa deve ter uma atenção especial, principalmente ao notar que a privação do sono pode vir acompanhada de um estilo de vida não saudável.
É recomendado que os idosos tenham aproximadamente de 7 a 8 horas de sono e que o padrão de sono seja satisfatório, fazendo com que se acorde com a sensação de estar descansado e com disposição. Porém, com a idade, o sono fica superficial e os idosos tendem a acordar com pequenos barulhos ou outros estímulos. Aliado com a necessidade de sono, que também diminui faz com que os idosos durmam menos.
No geral, a fase mais profunda do sono (a fase REM) é alterada e há maior fragmentação do sono, ou seja, os idosos tendem a acordar mais vezes durante a noite mesmo sem estímulos externos. Porém, vale se atentar a algumas outras alterações fisiológicas que podem implicar no sono, como doenças, dores crônicas ou uso de medicamentos.
Além do sono superficial, acordando muitas vezes durante a noite, os idosos são propensos a apresentarem ronco, principalmente entre os homens. É importante se atentar pois o ronco pode ser sinal de outras condições nocivas à saúde, como obesidade ou até mesmo apneia do sono.
Os principais distúrbios do sono que podem se manifestar nos idosos são:
- Insônia, que causa dificuldades para adormecer ou se manter dormindo;
- Apneia do sono, que causa a interrupção da respiração por breves períodos;
- Síndrome das pernas inquietas, que é a necessidade incontrolável de movimentar as pernas, podendo causar cansaço e acarretar no despertar noturno.
Como dar mais qualidade ao sono dos idosos?
Alguns fatores podem influenciar positivamente o sono dos idosos, impactando a qualidade de vida e dando mais disposição e saúde:
Ir para a cama somente quando estiver com sono
Se deitar quando não estiver com sono e se forçar a dormir pode prejudicar no ciclo do sono durante a noite, fazendo com que o indivíduo acorde várias vezes à noite, além de poder causar ansiedade.
Estabeleça uma rotina
Dormir em um horário regular e manter também um horário para acordar é fundamental para, além de uma noite de sono mais satisfatória, traz longevidade e ajuda na manutenção da saúde.
Evite o uso de telas
Devido à exposição a luzes e interação com celulares, televisão e tablet podem fazer com que o cérebro entenda que é hora de despertar, causando a privação do sono. Invista em atividades relaxantes, como leituras, ingerir chás mornos e calmantes e em ter um ambiente de dormir escuro e silencioso.
Tome sol
A exposição à luz interfere diretamente no ciclo circadiano (que é o ciclo de 24 horas onde nosso organismo, com auxílio da luz, demonstra sua necessidade de descanso), por isso realizar atividades ao ar livre, além de melhorar o sono, estimula a produção de vitamina D. Só não esqueça de usar protetor solar.
Pratique atividades físicas
As atividades físicas são grandes aliadas quando o assunto é a manutenção da saúde, e no sono não poderia ser diferente. Além de proporcionar bem-estar, ela facilita o gasto de energia e consequentemente o processo de adormecer.
Evite as sonecas diurnas
Os cochilos durante o dia podem ser um vilão na qualidade do sono, prejudicando a hora de adormecer e também os ciclos do sono, fazendo com que haja dificuldade em adormecer e além disso acordar várias vezes durante a noite, sendo assim um sono insatisfatório, podendo acarretar em cansaço durante o dia.
É importante também o acompanhamento de um profissional de saúde habilitado, para avaliar rotineiramente ou investigar se há algum fator que possa influenciar no sono. Em qualquer sinal de adversidade, não deixe de conversar com o médico de confiança.
Artigo redigido pela enfermeira Maria Carolyna Henriques.




